Associação Comercial e Empresarial de Minas

Conselho Empresarial de Cultura

Sexta-Feira, 27/05/2016

Ata 9 da Semanal – Reunião do Conselho de Cultura durante reunião plenária

NONA REUNIÃO SEMANAL DA DIRETORIA E DOS ASSOCIADOS DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL E EMPRESARIAL DE MINAS REALIZADA NO DIA 12 DE ABRIL DE 2016, TERÇA-FEIRA, ÀS DEZOITO HORAS E TRINTA MINUTOS, NO PLENÁRIO JORNALISTA JOSÉ COSTA/SEDE DA ENTIDADE.

ABERTURA - Com o número regimental, o Presidente em exercício, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva declarou aberta a nona reunião Semanal da Diretoria e dos Associados em 2016 e convidou para compor a Mesa a proprietária do Buffet Bouquet Garni, Sra. Agnes Farkasvolgyi; o Coordenador e Professor do Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia da Faculdade Promove de BH, Jackson Cabral; o sócio fundador da Bacon Paradise, Antônio Henrique Ribeiro; o Presidente do Grupo Super Nosso e Vice-Presidente da AMIS, Euler Fuad Nejm; e o Presidente do Conselho de Cultura da ACMinas, Jorge Carlos Borges de Souza.

EXPOSIÇÃO DO CONSELHO DE CULTURA, SOBRE O TEMA “GASTRONOMIA, UMA RECEITA QUE COMBINA CULTURA, EMPREENDEDORISMO E NEGÓCIOS”: Vice-Presidente, Fernando Bronca: “Boa noite a todos! Mais uma vez, sejam bem-vindos! É um prazer recebê-los aqui. Obrigado convidados, por terem aceito o nosso  convite. Antes de explicar rapidamente a questão da dinâmica do painel, eu queria comentar que o processo de escolha desse tema foi muito interessante. Um dos nossos diretores da casa, que é uma figura ilustríssima, mas esta ausente. Não vou dizer o nome dele senão perde a graça brincadeira. Ele brinca conosco que gastronomia não é cultura. A gente tem se debatido em relação a isso, porque é um Conselho Empresarial de Cultura, e a gente fica se perguntando, gastronomia é cultura? Eu queria começar recordando um artigo que eu vi alguns anos atrás, um artigo científico que mencionava que parte da evolução humana estava ligada à capacidade que o homem teve de cozinhar o seu alimento. O fato dele cozinhar a carne, por exemplo, que ele caçava, permitiu que houvesse uma quebra das proteínas. Isso permitiu então, o desenvolvimento do cérebro humano em uma velocidade maior do que as outras espécies. E recentemente houve um outro artigo, que dizia que antes da descoberta do fogo, fizeram descobertas arqueológicas, que o fato do homem ter usado um martelo de pedra pra bater a carne que ele ia comer, também contribuiu para esse processo de desenvolvimento. Então é interessante a gente perceber que de todas as espécies do planeta, a espécie humana é a única que processa o alimento e não apenas processa o alimento como ela mistura seus alimentos, pra então compor as iguarias que a gente está acostumado a comer.  Comparando isso com a cultura, a gente fazer uma reflexão rápida, no que que seria Cultura, que são as expressões e as manifestações que  redundam e são consequências da expressão humana, dos relacionamentos, dos pensamentos, do conhecimento, do que  a gente tem de perspectiva de vida. Ela é traduzida na arte, que é parte da manifestação cultural. Então, é interessante percebe, comparando os dois pensamentos iniciais, que o ser humano basicamente, como você mencionou que do turismo, ele se reúne nos ritos humanos, e a maioria deles gira em torno da comida, da gastronomia. A gente se reúne pra almoçar com a família, a gente programa que os amigos pra sair pra jantar, pra tomar uma cerveja, também em gastronomia. Então esse caldo de situações nos leva a entender que realmente a gastronomia é uma manifestação cultural e a manifestação cultural mais destrutível de todas. A gente cria essa arte e imediatamente a destrói,  comendo essa arte que a gente desenvolveu. Então é interessante que é a manifestação mais indestrutível que nós temos culturalmente. A gente pode depreender disso aí, que,  gastronomia, com toda ousadia que temos hoje, o que nós trouxemos hoje é fruto desta constatação. A gente passa os canais da TV e é difícil um canal de televisão que não tem algum programa Gastronômico. De todo tipo, pra todos os gostos. Todas estas misturas, de ousadia e inovação da Gastronomia e a sua ligação com a indústria, a gente entendeu que, gastronomia é sim talvez a mais deliciosa expressão artística do homem”. Em seguida, o Vice-Presidente do Conselho, Fernando Bronca apresentou a primeira expositora da noite, Sra. Agnes Farkasvolgyi. Agnes Farkasvolgyi tem formação multidisciplinar. É chefe de cozinha pela Escola Le Cordon Bleu (Paris) , artista visual e  bacharel em Física ( ambas pela UFMG). Atua como Chef de cozinha (em seu bufê, Bouquet Garni) desde 1989,  como professora de culinária desde 1996 e faz performances desde 2002 . A multidisciplinaridade é a base de todo o trabalho que desenvolve em qualquer uma das áreas que atua. É uma professora atenta às interfaces que o alimento faz com todas as disciplinas do conhecimento humano, é uma artista/performer que utiliza os alimentos, seu entorno e as relações provocadas por eles em suas performances e é uma chef de cozinha criativa que usa dos seus conhecimentos científicos e estéticos para criar e montar seus pratos.  Agnes Farkasvolgyi: “Boa noite. Bem, eu tenho 10 minutos pra falar e se deixar eu falo uma hora e meia. Então, eu vou tentar ser o mais sucinta possível. E eu quero falar das três palavras que vem com esse painel: cultura empreendedorismo e negócios. Essas são as três coisas que mais interessa a cultura gastronomia. Eu não poderia exercer essa cultura se eu não tivesse um negócio. Que é o Bouquet Garni. Então, vou falar um pouquinho do que é o Garni. E como é que isso começou. Como que nós chegamos aqui. O Bouquet Garni foi construído por mim e pela minha sorte a Karen Karen Piroli. E esse ano a gente faz 27 anos de sociedade, que é uma coisa muito bacana, se a gente for pensar em termos de sociedade. E a Karen é na verdade a administradora da empresa. Ela que cuida do negócio. Eu sou da área comercial. Certamente da área criativa. Nós começamos o Bouquet Garni com uma característica que eu acho que é o DNA da empresa, que é a Inovação. Uma palavra que hoje é usada pra tudo. E a gente, a 27 anos atrás, entendeu que o nosso negócio de cozinha, tinha que partir da Inovação. Nós éramos bem mais jovens do que somos hoje, mas tínhamos com isso como uma meta. O que fazer com uma cozinha, com um buffet, pra fazer com que não se parece com nada que já exista. Vou situar um pouco pra vocês. Em 1989 Belo Horizonte tinha 4, 5 grandes buffet, com proprietárias mulheres chamadas banqueteiras. Eram senhoras que sabiam cozinhar muito bem e criaram um histórico. É uma lindeza a história delas. Começaram cozinhar fazendo pequenas coisas em casa. E a partir daí começaram a fazer coisas maiores. São banqueteiras que a gente tem que louvar o tempo inteiro. Maravilhosas! Dona Catarina, Dona Célia Soutto Mayor, a Dona Ângela, Dona Maria José. Eu não vou lembrar de todas, mas, são grandes mulheres que abriram a porta para os buffet’s novos. Quando nós começamos com o buffet, nós não tínhamos uma formação de chefe. Isso não existia no Brasil em 1989. Existia uma escola em Barbacena, outra em São Pedro, no interior de São Paulo. Como é que a gente ia aprender? Nós começamos a fazer aulas, como hoje, muita gente faz conosco. Nós achamos professores que nos ensinavam menus completos. Depois fizemos um curso em São Paulo e fomos ganhando conhecimento, bagagem pra poder trabalhar com cozinha. A gente começou com uma pequena Delicatessen em 1990. Abrimos a Delicatessen com produtos que a gente garimpava no Brasil. Nessa época, eu preciso lembrar a vocês que a gente ainda tinha uma economia fechada. Em 1990, com a era Collor é que se abriu a economia. Então a gente começou a ter de volta produtos que não tínhamos no Brasil. E a nossa Delicatessen tinha esses produtos muito especiais. A gente ia pra São Paulo, para o Mercado Municipal para procurar uma fruta seca que vinha lá do Chile, não sei de onde. Com isso a gente foi aprendendo mais, fazendo contatos, conhecendo pessoas, e até que o buffet foi crescendo e saímos do Chalezinho Fundo Nacional Clube 15. E tivemos uma oportunidade de ir para a França fazer uma especialização. Nós não fizemos o curso completo do Cordon Bleu. Nós fizemos uma especialização em cima da bagagem que agente havia adquirido nos cinco anos anteriores.  A gente foi para o Cordon Bleu em 1996. Nós estávamos no mercado desde 1990. E isso foi muito importante para a gente, porque a gente voltou com essa especialização e com diploma de chefe de cozinha, dado pelo Cordon Bleu. Fomos as primeiras aqui em Belo Horizonte a sermos chefes, donas de buffet.  Mais ou menos na mesma época começaram aparecer outros. O primeiro que apareceu foi Cantídio. Cantídio veio de um histórico de restaurante e se formou em chefe. E a partir daí começaram aparecer os primeiros donos homens de bife. Donos que herdaram das mães banqueteiras, donos que criaram buffet. E nós saímos daquela situação de chefes no meio de banqueteiras, para chefes no meio de novos proprietários chefes. O que eu posso dizer é que isso nem sempre foi muito simples. Primeiro a aceitação de nós como chefes, donas de buffet. Depois nós como donas de buffet no meio de vários chefes homens. E junto a tudo isso, a questão da criatividade, do pioneirismo no que a gente apresentava em termos de cozinha. A gente sempre andou meio contra o fluxo e eu acho que até hoje estamos nessa  posição. Não vou dizer pra vocês que é das coisas mais simples não. Porque a gente realmente tá sempre tentando mostrar alguma coisa que tá um pouco fora do tempo. Mas ou menos uns anos na frente. Eu falo isso hoje com 53 anos de idade, ainda achando que a gente tá a frente. Parte disso eu acho que vem dessa formação que eu tenho, e que a Karen acompanha muito bem, multidisciplinar. E aí eu começo a falar um pouquinho da Cultura. Nosso anfitrião falou muito bem do início, de como a gente descobre que é gastronomia começa, com o descobrimento do fogo, com utensílios. Outra história maravilhosa, é sabido que algumas tribos colocavam as batatas doce dentro da água salgada para temperar. O tempero também é um dos indicadores do raciocínio em cima da cozinha. Gastronomia é cultura. Eu afirmo isso, sem nenhuma sombra de dúvida. O que o povo come, diz muito a respeito desse povo, sem dúvida nenhuma. Existem países que se colocaram no Mapa Mundi através da cozinha. O peru por exemplo. O dia que Gaston Arcuri mostrou o que era a cozinha peruana para o mundo, o peru entrou no mapa do mundo. Até então não existia. A Espanha, que formou uma geração de chefes, que começaram a dialogar com a ciência, simplesmente se colocou no mapa de cozinha que é uma coisa séria, pra enfrentar o maior de todos que foi a França. Isso é cultura! O que o Alex Atala faz a 10, 12, 14 anos no Brasil, acho que até mais, porque eu me lembro do primeiro restaurante dele em 1998, em São Paulo; o que o Alex Atala faz é o que o Arcuri fez na Espanha. O Alex Atala está colocando o Brasil e toda essa diversidade que a gente tem no mapa mundial de gastronomia. E como você mesmo disse, hoje gastronomia virou um boom! As pessoas querem se formar em chefes, que é outra coisa que depois até acredito que você irá falar. Qualquer canal de televisão tem um programa. Tem canais que são dedicados à gastronomia e a culinária. Bem, meu tempo esgotou!”. Fernando Bronca: Obrigado, Agnes! Presidente em exercício, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva: “Antes de você passar a palavra para o próximo, eu queria registrar a presença do Deputado Antônio Carlos Arantes, presente sempre às nossas reuniões, por iniciativa própria, por identificar na sua conduta e na sua postura de político; ele se identificou e a Associação com ele, pela maneira como a gente encara a sociedade, a política, a retidão, a ética. Então, nós o recebemos com muito prazer hoje aqui”. Fernando Bronca: convidou o próximo palestrante, professor Jackson Cabral.  Jackson Cabral é Coordenador e Professor do Curso Superior de Tecnologia em Gastronomia da Faculdade Promove de Belo Horizonte. Cozinheiro e Técnico de Alimentos e Bebidas, é Mestre e Bacharel em Administração, e Pós Graduado em Administração Hoteleira. É Consultor e palestrante nas áreas de Gastronomia, Alimentos e Bebidas e eventos. Professor Jackson Correa: “Olá, boa noite! Quando o Fernando me fez o convite eu falei assim que eu poderia falar dos meus  meninos, os alunos que estão ali fazendo o curso de gastronomia. E quando me perguntaram como é esse perfil das pessoas que estão fazendo o curso de gastronomia. Quando a Agnes comenta, eles querem ser chefes, na grande maioria. Então, a primeira coisa que nós falamos é o seguinte: ninguém aqui vai ser chefe. Chefe é uma ocupação. A profissão é cozinheiro. Até falo que tem antes ainda, vocês vão ser auxiliar de cozinha. Então e uma coisa que eu falo sempre. Vocês querem ser chefes? O mercado que vai colocar você e que vai buscar essa formação. Então é a primeira coisa que a gente fala é, quem aqui quer ser Chefe? Todo mundo levanta a mão. Que bom! Acredito que todos vocês podem.  Mas primeiramente vocês precisam aprender a lutar, e para o mercado. E saber que para ser chefe você precisa ter pessoas para comandar. Eu sou cozinheiro, eu não sou chefe. Porque eu estou na sala de aula e eu estou coordenando o curso. Quando eu estiver numa cozinha eu você Chefe ou chefe de alguém. Se eu tiver comandando. Então é com esse aumento, com esse boom da gastronomia, nasceu o curso de gastronomia. Falando agora sobre esse mundo da Gastronomia e quando eles chegam lá dentro da faculdade, nós temos uma grande porcentagem que querem ser empreendedores. Montar uma empresa nem montar uma empresa. Agora, principalmente no princípio do ano nós tivemos a entrada de 65 alunos. Só nesse princípio de ano. Tivemos uma boa procura. E hoje nós estamos com quase 300 alunos dentro da própria faculdade e qual é a porcentagem desses que querem ser empreendedores? Eu digo que tem 70, 80% querem ser empreendedores. Então nós temos uma disciplina que chama empreendedorismo, que é uma disciplina interdisciplinar. Que os alunos vão aprender um pouco do que é ser empreendedor. Mas nem todos nem tem esse perfil. E buscam durante o curso. Então é buscando essa informação porque que eles vão até lá na faculdade, porque que eles vão até ali, porque eles vão procurar essa formação, pra saber um pouco mais da Gastronomia. O motivo é o aumento de cursos de culinária, a mídia. Hoje você tem cursos na televisão. O Fernando falou que tem vários programas de televisão: tem Masterchef, tem a “Pressão sob a Cozinha” e vários outros, e todo mundo quer ver, todo mundo que assistir. É realmente uma delícia de assistir. As pessoas querem ser famosas. Eu prometo sempre o seguinte: existem profissões de décadas e décadas. Já chegou todo mundo queria ser comissário de bordo, aeromoça, depois de ser modelo, e agora querem ser chefe de cozinha. A profissão do momento. Todo mundo quer ser chefe de cozinha hoje. Ninguém quer ser modelo. O aumento de cursos gourmet, aumento de cursos superiores. A Agnes comentou que quando ela foi fazer um curso na Le Cordon Bleu, para procurar um pouco mais de técnica diferenciada, ela não tinha nada. Não tinha. Eu me lembro que não tinha.  Os primeiros cursos que apareceram, eu morava em São Paulo, trabalha no Sofitel e eu lembro que todo mundo queria ir pra lá aí depois começou a Estácio e conheci e entrei nesse ramo. Comecei a cursos. Montei na UNIP em São Paulo, no Senac e no Promove. Esse aumento de capacitação para docentes, veio da necessidade de ter pessoas para dar aula. Como que eu vou formar profissionais se eu não tenho professores! Começa, então, a ter outra capacitação para docentes. Como eu vou formar professores que vão dar aula, ter a didática para ensinar aos alunos, o que eles mais querem, que é cozinhar e montar uma empresa. E eu pensei como eu ia arrumar estes professores. Aí começa esse boom, porque todo mundo quer ser professor. Hoje em dia todo mundo quer dar aula. Todo mundo quer também montar um negócio. Não é fácil abrir um negócio. Eu gostaria de falar mais um pouco sobre a disciplina empreendedorismo é que nós temos lá, que foi uma das coisas que eles pediram. Essa disciplina é para que o aluno possa se inteirar e ele irá conhecer estas disciplinas durante 5 períodos, que são: empreendedorismo, sustentabilidade, responsabilidade social, consultoria e no final ele tem que fazer uma pesquisa. Ele tem que fazer um artigo e apresentar. Então nós temos aí um formador, um gastrônomo que quando ele se forma ele tem todas as características que eu acho que uma empresa tem que ter. Além das disciplinas nós temos Market, cursos e além de outras disciplinas práticas. Quando eu montei este curso eu pensei na formação desse aluno. Que quando ele vai procurar, ele procura um curso que ele possa sair dali falar: eu tenho um pouco de experiência em cada coisa. Mas ele não é chefe. Ele é um gastrônomo. O que é um gastrônomo? Ele é quem vai defender. É uma palavra nova. Assim como nas outras profissões, eles terão que procurar um caminho para chegar até lá. Otimismo, autoconfiança, coragem pra correr riscos. Empreendedorismo é assim e a gastronomia também é. Tem que correr riscos. A Agnes sabe muito bem disso. São 27 anos, como ela mesma falou. E eu gostaria de finalizar com uma frase que eu acho muito interessante: cozinhar é como um espetáculo. É preciso muita organização, treino, dedicação, conhecimento e amor, para que no final, os cinco sentidos o aplaudam de pé”. Fernando Bronca: “Gostaria de fazer uma menção, sobre o que o professor falou. Ele disse “eu fiz este curso”. Ele, realmente criou esse curso e outros”. Em seguida convidou o próximo expositor, Antônio Henrique Ribeiro, do Bacon Paradise. Antônio Henrique Ribeiro é formado em Direito pela Milton Campos.  Sócio-fundador da Bacon Paradise, teve uma ideia visionária e inovadora - e corajosa - de ir na "contramão" da ditadura da comida light e pretensamente saudável. Abriu assim uma rede de lanchonetes com esta proposta diferenciada, associando o conceito de "fast food" a um modelo de alto valor agregado em termos de qualidade e cuidado com os alimentos, que em apenas três anos está perto de atingir o número de 15 lojas em funcionamento, sendo sucesso absoluto de público.  Antônio Henrique Ribeiro do Bacon Paradise: “É um prazer enorme está aqui hoje, com presenças ilustres e eu fico muito lisonjeado de ser convidado pra falar para vocês. Eu quero falar um pouco do aspecto mais voltado empreendedorismo e empresarial em si. A Agnes falou muito sobre cultura e a gastronomia ligada à cultura, eu vou falar sobre três vertentes da gastronomia no empreendedorismo. Primeiro, é uma que a gente leva muito a sério
Bacon Paradise, que é a gastronomia como uma multiplicadora de uma certa filosofia. O Fernando falou muito bem, a gente foi na contramão da tendência de uma culinária saudável, de comida saudável, que sempre pregou o bacon, que é um alimento que a gente é especializado nele, como um grande vilão. E aí a gente adotou uma filosofia que tem muito haver com um aspecto de informalidade humana e próximo ao cliente. E a gente atribui muita qualidade aos produtos. A gente se preocupa muito com experiência que a pessoa vai passar em uma de nossas lojas. Então a gente atribuir uma qualidade ao produto. A gente se preocupa muito com isso. Então porque será que o bacon tinha que ser o maior vilão? E tem tantas pessoas apaixonadas com ele. Não só aqui, mas no mundo inteiro. Se você consultar um australiano, a grande chance dele gostar. É uma é um prato que é muito é popular. Então a nossa preocupação com a qualidade do alimento passa muito por essa filosofia, de proximidade, de humanização. Quando eu inaugurei, por exemplo, meu cardápio era uma folha A4, xerox, empresa preto e branco. Os garçons não tinham uniforme. Só que as pessoas iam, porque viravam amigas dos garçons. Eles sabiam o nome de todo mundo. Então é uma filosofia que a gente nunca arredou o pé dela. É preciso estar próximo ao cliente, e essa proximidade e sinceridade com cliente, vai muito de acordo com essa preocupação nossa, de ter qualidade no produto. Então o produto ser artesanal, ser feito com cuidado, e ser feito com carinho, vai de acordo com essa filosofia. A ideia nossa é ser multiplicador dessa filosofia humana de negócio. Segunda vertente que eu vejo, é que as empresas em se elas têm passado constantemente por uma espécie de transformação. Hoje em dia, nós estamos no ano  2016, e a tendência comercial atual é preocupar-se com as pessoas. O empresário hoje em dia não é mais um buscador da mais-valia, nem um buscador de lucro. Mas ele tem um caráter muito mais social, ele tem uma função social na nossa sociedade, que é se preocupar mais com as pessoas. O engajamento dos clientes com os empresários hoje, é muito mais profundo. E aí a gente entra no terceiro ponto, e o Bacon Paradise acabou virando isso. É como uma Love Brand.  Love Brand seria uma marca que as pessoas tem uma paixão por ela. Um produto que as pessoas gostam, que é muito difundido, e atribuir conceitos humanos e qualidade a esse produto, muito voltado ao carinho. A gente tem uma política nas redes sociais, por exemplo, muito voltada ao amor, ao carinho. As piadas são relacionadas a isso, então se tem a construção de uma Love Brand. As pessoas que são apaixonadas por bacon, que são desregrados, que comem mesmo, não tão nem aí, não são erradas por isso, mas elas encontraram o lugar delas. Então a gente vê a gastronomia como multiplicador dessa Filosofia. É isso acho que no ponto de vista do empreendedorismo é fundamental. Agnes listou a inovação como fator muito preponderante no empreendedorismo, e de fato é. Se a ter a uma originalidade, ser apaixonado por sua ideia, é fundamental. Ouvir alguns conselhos e ignorar outros, porque você vai ouvir de tudo nesta vida. Vencer burocracias mil que você está empreendendo no Brasil. E ser de fato, repetindo, ser apaixonado pela sua ideia. E ser original. Ir além de onde ninguém foi e conseguir caminhar neste sentido. Então eu vejo a gastronomia, no meu ponto de vista, do ponto de vista do nosso negócio em si, como uma espécie de cuidado nosso com os nossos clientes. A gente quer proporcionar experiências boas, quer proporcionar momentos bons e com isso ficar sempre na lembrança dele. Acho que eu consegui não me alongar bastante e falar rapidinho e não falar demais! Obrigado!” Fernando Bronca: “Ele tem um vídeo que está no ar, do Bacon Paradise, que fala sobre isso. Obrigado, Henrique, foi muito bacana! Na sequência da nossa pauta, o nosso próximo convidado é o Euler Fuad. O Euler dispensa apresentações, mas vou apresentá-lo assim mesmo: é empresário desde os 15 anos, quando foi emancipado pelo pai e passou a ser sócio de estabelecimento Atacadista do Canal Alimentar. Euler hoje é um empreendedor que preside o Grupo Super Nosso – um conglomerado que emprega mais de 8 mil colaboradores diretos e compreende os supermercados Super Nosso, Apoio Mineiro (atacado de autosserviço), a distribuidora Decminas e a recém inaugurada Super Nosso Indústria de Alimentos. Euler também é vice-presidente da Associação Mineira de Supermercados (Amis), conselheiro consultivo da Fundação CDL e sócio-conselheiro da Rede Brasil de Supermercados, que ocupa a 4ª posição no ranking de supermercados no Brasil. O empresário é formado em Administração de Empresas e Ciências Contábeis pela PUC Minas (Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais)  e tem especialização em Finanças pela Fundação Dom Cabral. Fez vários cursos de aperfeiçoamento e tendências do varejo, nas universidades: Harvad (EUA) em 2011, Stanford (EUA) em 2012, Oxford (UK) em 2013, Sorbonne (França) em 2014 e University Club of Chicago (EUA) 2015”. Euler Fuad Nejm: “Obrigado pelo convite do Jorge, que é o Presidente do Conselho Empresarial de Cultura. Quero parabenizar ao Paulo Sérgio, Presidente em exercício e aos demais da mesa. Estou vendo que na plateia tem muitos amigos de escola e está presente também a minha namorada que está presente me apoiando e representando o Leônidas, Secretário de Cultura de Belo Horizonte. Meu genro está presente, e muitos amigos, Dr. Charles Lotfi, que é da mesma colônia. Então, com tanta gente amiga, não tem como eu contar mentira aqui. A primeira coisa que eu gostaria de comentar, é sobre o meu currículo. Eu comecei não foi com 15 anos. Eu comecei com 8 anos. E com 15 anos meu pai me emancipou e eu passei a ser sócio e empresário. Esse trabalho precoce hoje eu agradeço ao meu pai. E esta receita tem dado certo. Eu tenho replicado para os meus filhos e eles estão dando sequência ao trabalho que o meu pai começou. E tomara a Deus que o meu neto também tenha este espírito empreendedor. Me desculpem por esta introdução. Mas vamos falar da gastronomia e empreendedorismo. Primeira coisa, não sei cozinhar. Porque comecei a trabalhar muito cedo, estudando à noite, então, só trabalhando, trabalhando... O meu sonho agora é fazer aulas com a Agnes e aprender alguma coisa, como preparar comida, porque o prazer que eu tenho é vender ingredientes e produtos de qualidade para que cheguem direto à mesa do consumidor. E eu acho que o maior prazer de todos nós é comer. É uma necessidade, mas é um prazer! Muito gente hoje se prende às dietas, mas eu sou favorável em comer de tudo, com equilíbrio. A nossa comida mineira, então, nós precisamos valorizá-la. O Super Nosso nós temos o slogan, Gourmet de Coração. Uma comida gourmet é uma comida bem feita. O jiló é uma comida gourmet, se ele for bem feito e feito com amor. Acho que tudo que é feito com amor, a gente consegue romper as dificuldades. Nós lançamos no ano passado o momento Super Nosso, com lojas mais compactas, com a mesma qualidade. De coração a gente oferece e está muito satisfeito com o resultado. Apesar do momento econômico, a gente tem que saber fazer uma analogia empreendedorismo, como se nós tivéssemos em uma estrada. Até 2013 nós estávamos em uma reta, com sol e andando a 130 km por hora, por que assim permitia. Agora nós estamos passando por uma estrada, á noite, chovendo, nós temos que diminuir a velocidade. Mas não pode parar na curva á noite. Senão vem uma carreta e passa em cima. Então, tem que continuar, calibrando o acelerador, com responsabilidade social, porque a gente emprega mais de 8 mil pessoas. E apesar do sobre nome, eu fico feliz de ser mineiro, ser brasileiro, de origem libanesa. Até o nome eu acho que é sugestivo. Eu sou muito mineiro, defendo a nossa cultura, a nossa gastronomia, conhecida internacionalmente. A pouco tempo, chefes foram homenageados em Milão, pela comida mineira. E nós temos muita coisa boa mesmo. E até o Super Nosso, é nosso, por sermos mineiros. Hoje, além do momento, nós também criamos uma indústria, uma indústria artesanal, que algo inédito no Brasil. Nesta indústria nós temos cortes embutidos, fatiamos muçarela, presunto, com um período maior de validade. E a central de padaria também. Feito artesanalmente, mas dentro de uma indústria, e com o conceito de indústria. Isso permitiu que a gente padronizasse as receitas e diminuísse as perdas e os desperdícios. E trouxe economia também. O investimento foi alto, mas a gente aposta em Minas Gerais, em Belo Horizonte especificamente. Esta indústria tem muitos produtos que a gente está lançando aos poucos. Uma carne com melhor qualidade e a padaria com muitos produtos nossos mineiros. Nós fabricamos sorvete gourmet. Digo gourmet pela qualidade de matéria prima que a gente utiliza. Sorvete de doce de leite, e queijo. É uma receita italiana com os ingredientes de Minas. E uma série de outros produtos, que estão sendo lançados e está tendo uma aceitação muito grande. E nós estamos levando estes produtos para as lojas e são feitos com coração. Muito obrigado!” Fernando Bronca: “Quero agradecer a todos pelo cumprimento do horário. Nós vamos ter um tempo para as perguntas. E eu gostaria de fazer a primeira para a Agnes. A gente mencionou aqui a questão da arte, e você é artista, e eu comentei aqui no princípio, a questão da arte destrutível. É interessante, porque a gente cozinha para que as pessoas comam realmente. Mas o fato de você colocar ali tantos elementos, e ter aquele cuidado artístico para prepara-lo, como você lida com essa destruição da arte, digamos assim? Agnes Farkasvolgyi: “Na verdade, a cozinha hoje está muito próxima do que a gente chama de experiência. Foi bacana o Henrique ter falado da questão de se preza a experiência que cada um dos clientes tem lá dentro. E foi a fala geral aqui, uma palavra que se chama apaixonar. Super Nosso, Bacon Paradise, Jackson falando da escola, e eu e eu posso dizer que eu falando do que eu faço. Sem paixão você não faz nada. Eu acho que é motivo principal. Bem, o que é uma experiência gastronômica? É você propiciar a pessoas uma possibilidade de fruir. É degustar usando todos os sentidos que ela tem. Então você vê a comida, você sente o cheiro, você ouve aquela comida sendo refogada, e quando você põe na boca, além do paladar, você tem tato. O tato da boca ele é fabuloso, porque ele te mostra texturas. E aí eu vou direto no que você perguntou, que é, comer a sua obra? Nós vamos voltar lá pra 1922, a Semana de Arte Moderna. O Manifesto antropofágico. O que é antropofagia? Antropofagia é você come o outro pra absorver todo o conhecimento que esse outro tem. As experiências gastronômicas elas tem esse objetivo. Você faz uma experiência pra que as pessoas através do simples ato de alimentar,  possam absorver todo o amor e toda a intenção que você põe naquele prato ou naquele jantar. Isso é antropofagia pura. Então não tem porque você ficar chateado porque a pessoa destruiu a sua obra. Na verdade ela está absorvendo a sua obra, pra nunca mais esquecer daquilo. Porque a memória é um registro que o artista que faz, performance espera do outro. Então, eu quero que o meu cliente ou que a pessoa que participa de uma experiência gastronômica que eu faço, que ele não esqueça disso, nunca mais!” Presidente em exercício Paulo Sérgio Ribeiro da Silva: “Eu vou dar um pequena contribuição aqui, da importância da culinária na minha vida, sobre dois aspectos. Um sobre minha profissão e outro sobre minha vida pessoal e afetiva. Eu conheci minha mulher, porque a minha irmã trabalhava na TV Itacolomi, e a minha sogra é professora de culinária. Ela vivia falando para a minha irmã que sua filha estava procurando um namorado. E ela insistiu tanto que eu acabei casando com ela. Casei, fiquei 28 anos casado com ela. Ela é mãe dos meus dois filhos, que também são cozinheiros. Ela morreu há cerca de dez anos. Ela era uma excelente cozinheira e cuidava dos filhos com muito carinho. E ela pessoalmente fazia comida. Quando ela morreu, eu vi a única maneira de ajudar o sofrimento dos filhos adolescentes, era cozinhar para eles e criamos um hábito de nós mesmos cozinharmos na nossa casa.  Eu e meus dois filhos cozinhamos. Comidinha simples. E você falou tudo. Quando é feito com amor, tudo é bom. O outro fato interessante, está ligado a quando eu comecei a trabalhar. Eu criei uma empresa em 1973, na Avenida Pedro II.  Eu era solteiro e morava no hotel na Av. Santos Dumont e tinha mais 3 funcionários. E tinha uma faxineira. Aí eu percebi que na hora do almoço eles iam almoçar na casa da faxineira que tinha uma meia água lá perto. Eu vi que a comida dela era boa e comecei a ir também.  Aí nós criamos tipo uma república. Eu aluguei uma casa e nós fomos morar juntos. Lá na Rua Anfibólios. Essa minha colega de trabalho, há 35 anos cuida da refeição das empresas que nós criamos. Ela tem uma empresa de alimentação e dá mais de 1000 refeições por dia. E curiosamente, quando a mãe dela morreu, eu peguei um carro e fui para Uberlândia para o enterro da mãe. Chegou lá eu achei interessante porque ela era uma pessoa muito simples, e tinha aquele tanto de gente importante, inclusive Rondon Pacheco. Aí eu perguntei para o irmão dela: porque tem tanta gente aqui? E ele me respondeu que a mãe dela era uma negra chamada “Maria do Emprego”, e era a banqueteira mais famosa desta época. Então essas duas histórias, acho que confirmam tudo que foi dito aqui, da importância afetiva da gastronomia. Eu entendo que gastronomia é um fator de união e de equilíbrio na minha família. Porque nós nos encontramos todos os dias para almoçar e à noite nos encontramos para fazer a nossa comida. Sem ajudante. Somos nós que fazemos tudo. Então, isso cria um interesse, uma proximidade com os meus filhos e eles já pegaram as manhas. Nunca fizeram cursos. Mas, todos dois cozinham muito bem”. Visitante Fábio Carvalho: “qual o papel da ACMinas para apoiar o turismo, e a interdependência do turismo, e para que haja progresso para Belo Horizonte e mais turismo de negócios para a cidade? (falou fora do microfone). Presidente do Conselho de Cultura, Jorge Carlos Borges de Souza: “A Associação Comercial tem dado uma contribuição muito grande. Eu acho que qualquer um de nós que pegar os jornais, em qualquer época, principalmente nos últimos meses, verá que todas as atividades que a Associação Comercial tem feito para o desenvolvimento da internacionalização de Belo Horizonte. Nós temos na casa um Conselho de Turismo. Eu gostaria até de te convidar pra que você participe. É um conselho diferente do o que está promovendo esta reunião hoje. A gastronomia está muito vinculada também ao turismo. Mas nós temos um Conselho que trata exclusivamente desse assunto. Além disso, faz parte do plano de ação da diretoria e do presidente, e são os pilares desta gestão, que é Belo Horizonte pra fora. No ato de posse do nosso Presidente, Lindolfo Paoliello, ele foi interrompido o ato de posse, para que fosse assinado com a prefeitura de Belo Horizonte um convênio, para justamente tratar do assunto da internacionalização de Belo Horizonte. E as reuniões acontecem praticamente todas as semanas, com todos os consulados, com os hotéis, com os bares e restaurantes. Então, a  Associação Comercial que tem dado uma contribuição importante a esse mercado de turismo. Então pode ter certeza que está sendo feito e tratado na casa. Não exatamente nesse momento, mas, com certeza, está sendo tratada a casa cotidianamente”. Presidente em exercício, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva: “Nesta área tem muito o que fazer. A Associação tem feito aquilo o que é possível. A conjuntura econômica do país, a conjuntura  da economia, realmente, está criando situações embaraçosas para todo tipo de atividade. E essa ociosidade que existe no país com a crise econômica, fez com que o turismo de negócios caísse também”. Agnes Farkasvolgyi: “Eu gostaria de falar de uma coisa que já existe já há alguns anos. A Secretaria de Estado de Turismo do Governo anterior, foi extremamente eficiente ao juntar os chefes e cozinheiros de Minas Gerais. Existe uma associação que se chama Amiga - Associação Mineira de Gastronomia, e uma outra, Frente da Gastronomia Mineira. É uma associação forte entre chefes e governo, para  divulgação da gastronomia mineira, não só no Brasil, mas em termos mundiais. Então os nossos chefes já foram pra Espanha. Alguém falou  a respeito de uma premiação em Milão. Já foram para Itália. Enfim, existe uma movimentação dentro do Estado de Minas Gerais, que eu acho que tem parecida, só no norte do país, que tem igual, que é em Belém do Pará. Então, assim, é uma coisa a incentivar, porque o que se diz dentro da associação é que nós saímos na frente. É um estado que tem uma cultura de cozinha muito forte e é isso que a gente quer mostrar. Então é importante que as entidades governamentais apoiem essas associações, pra que esse movimento de turismo gastronômico, seja cada dia maior”. Fernando Bronca: “Só complementando a questão da internacionalização, tem um sêlo que está premiando alguns estabelecimentos. E o Restaurante Dona Lucinha, se não me engano, foi o primeiro. Já tem um movimento neste sentido”. Diretora-Emérita Maria Elvira Salles Ferreira: “Boa noite para todos. Gostaria de parabenizar a Associação Comercial, através do Conceito de Cultura, por fazer essa reunião. Eu acho que dá um caráter de seriedade, do tanto que Associação Comercial de Minas ver com seriedade o segmento de turismo, de uma forma especial a questão da Gastronomia. Mas eu infelizmente vou botar um pouco do ventilador aí nesta farofa. Eu acho que o turismo em Minas vai muito mal obrigado. E fala aqui uma pessoa que foi Secretária Estado de Turismo, na época do PSB, no governo Aécio Neves. Já naquela época o turismo não era olhado com seriedade e continua nesse governo do PT e do PMDB também não sendo.  Basta dizer Agnes, que o orçamento do turismo hoje é da ordem de um milhão de reais. Os circuitos turísticos, que é uma ideia magnífica, inteligente, de regionalmente você se agregar, acumular municípios que tem alguma coisa a ver uns com os outros. Seja no aspectos geográficos, no aspectos climáticos, no aspecto cultural e aspecto de história. Haja visto aí um grande esforço da Estrada Real, que está abandonada às traças. Que ninguém nem quer saber se existe trabalho. E está falando aqui é a Presidente da Associação das Caminhantes da Estrada Real. E já fizemos os 1700 quilômetros até, desde 2003, completamente abandonada, Doutor Paulo César da Silva. Grande cozinheiro, e modesto. Mas nós precisamos sair daqui conscientes de que o governo estadual hoje, e ontem tem culpa no cartório. Não venham me fazer elogio que será uma coisa falsa. Porque há uma ignorância total de da importância do Turismo no cenário econômico e social de Minas Gerais. Não estou falando de norte, nordeste, que é problema deles. Eu estou falando do nosso problema. Nenhum Governador que entra aí leva a sério turismo. Haja visto os profissionais que põe na frente das pastas. Hoje nós temos um camarada ótimo, que eu adoro, mas que é um grande locutor de rádio. Antes dele era um senhor do PC do B, muito simpático, que foi na minha casa tomar café pra eu falar pra ele um pouquinho sobre turismo. E eu convidei o Eberhard  para ir lá. E disse pra mim que não entendia nada de turismo. Então meus amigos, enquanto esses governos que passam por aí, estiverem olhando o turismo desta forma, vocês vão estar, me desculpe, nós todos perdendo tempo. Não vamos a lugar nenhum. Turismo, ou você encara como uma indústria sem chaminé, como um poderoso transformador da sociedade. E até nós, caminhantes, que andamos de mochila, quando nós vamos para esses municípios de Minas, onde estão as cidades do circuito, nós deixamos dinheiro nas pousadas modestas, em restaurantes modestos. Comprando um pouquinho de artesanato, contratando o guia local. Até este turismo de mochila leva dinheiro a região e aos municípios. Enquanto o governo de Minas Gerais, e os outros que não me interessam no momento, não levarem esse tema a sério, nós vamos ser aqui um bando de empresários, de turismólogos, de pessoas que amam seu estado e o turismo, simplesmente com o dedo na boca”. Adilson Rodrigues, ex-Presidente da AMIS e hoje Solution: “Minha pergunta é para o Euler, mas, se alguém mais na mesa também quiser responder, eu agradeço. Sou consultor voltado para consultoria de pequenas empresas, com foco em resultados. Mas a pergunta é o seguinte: o tempo hoje é o maior patrimônio, que qualquer um de nós pode ter. Mas nós temos duas ondas da alimentação, fast food e slow food, que estão chegando muito forte. Como é que fica essa corrida?  Como fica com essa questão do tempo da comida rápida, do fast food. E do slow food que é comer lentamente, contemplativamente?” Euler Fuad Nejm: “O pessoal da mesa estão mais habilitado pra responde-lo. Mas como empresário do setor de alimentação, de fornecimento de alimentos, fazendo um pouco de marketing, nós temos hoje o “Super Nosso em Casa”. Para ganhar tempo. Eu recomendo a todos. Tirando esses segundos para fazer um merchandising, mas realmente, é um negócio que não dá lucro. É lógico que o empresário precisa do lucro pra investir, e para perpetuar no negócio. Agora, como conselho, se a pessoa abrir um negócio pensando no lucro, ele não vai atingir o lucro, Porque ele tem que botar o coração na frente. Tem que ver qual é a maior habilidade dele em negócios, se for negócios. Porque não é escolher um negócio que dê lucro. É fazer uma coisa que a gente possa colocar a vida da gente naquilo. Eu acho que isso não é só como empresário, em qualquer atividade, em qualquer profissão. O lucro ele é necessário. Mas se no primeiro dia do mês, eu abro as portas, eu já tenho tantos custos! Imagina 8 mil funcionários com impostos. Aliás, abrindo um parênteses, aqui no Brasil, ser empresário é ter boa parcela dos pecados perdoados. Porque não tem nada a favor de você.  Os impostos são altíssimos, a burocracia, as leis trabalhistas, a gente não tem nada que favoreça. Não tem nada. Por exemplo, se eu tivesse o meu capital investido em banco, seria muito menos problemas. E muito mais rentável. Porque você tem uma garantia de rentabilidade. Então, a gente tem todas essas contas, esses compromissos e a gente espera ser mais remunerados, do que se ele tivesse parado no banco. Mas isso agora, na prática, por exemplo, esse momento que nós estamos atravessando, isso não é real. Acaba que o banco remunera mais, do que o trabalho. Infelizmente, é como foi falado aqui”. Agnes Farkasvolgyi: “Bem, o fast food já existe há muito tempo. E veio justamente para atender uma demanda das pessoas que correm. Acontece que, para cada tipo de ação, você tem uma reação diferente. O slow food, surgiu justamente para nos lembrar que cozinha é algo agregador. E isso vem ganhando cada dia mais espaço. É um movimento sem dúvida, para trazer as pessoas para comerem com calma. E de preservação de alimentos que estão sendo instintos. Tem vários alimentos do Brasil que fazem parte do slow food, como preservação. Eu acho que a tendência é cada dia ser maior o movimento de slow food. E o fast food existe hoje uma coisa mais grave ainda. Tem aqueles que acham que comer é perda de tempo. Essas pessoas comem hoje ração, como se fosse ração de animal para não perder tempo comendo. Este é o futuro de quem aposta no fast food. Eu acho que, nós estamos muito mais para o lado de quem gosta de comer e valoriza a experiência de estar comendo junto com os outros”. Presidente e, exercício, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva convidou o Presidente do Conselho de Cultura, Jorge Carlos Borges de Souza, para fazer o encerramento e agradecer as palestrantes. Jorge Carlos Borges de Souza: “Eu gostaria de agradecer a todos, em especial aos nossos palestrantes que trouxeram aqui para gente uma degustação de um tema que a gente pretende discutir com mais profundidade. Qualquer um deles, já teria conteúdo para uma reunião inteira. Nós trouxemos os quatro, para oferecer esta oportunidade, para discutir sobre gastronomia, que é uma das necessidades básicas da humanidade. E nós queríamos tratar desse tema como negócio, como business. Essa degustação, com essa riqueza que eles trouxeram para nós ele vai ser melhor tratado, com mais tempo, com mais profundidade, em um evento específico, que todos já estão convidados a participar. Aí sim, nós teremos um pouco mais de profundidade para tratar de um tema tão importante como qualidade de vida e bem estar. Essa reunião de hoje foi possível através do trabalho de uma comissão do Conselho, que trabalhou muito para trazer estas pessoas. Eu gostaria de agradecer muito. Sei que todos tiveram que ajeitar as suas agendas. Não é fácil juntar pessoas, para trazer uma degustação tão rica! Muito obrigado a vocês, obrigado aos conselheiros, e obrigado aos presentes”.

ENCERRAMENTO – O Presidente em exercício, Paulo Sérgio Ribeiro da Silva, agradeceu a presença de todos e deu por encerrada a 9ª Reunião Semanal da Diretoria e Associados da Entidade em 2016. Belo Horizonte, 12 de março de 2016.


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Descrição do Conselho

Os principais objetivos do Conselho de Cultura são desenvolver, promover e democratizar a cultura, resgatando a identidade e a expressão artística mineira e incentivando o setor de produção artística. É também propósito do Conselho criar projetos autossustentáveis no âmbito público, contando para isso com parcerias.

Presidente


Jorge Carlos Borges de Souza

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06/08/2015

Conselho Empresarial de Cultura apresenta diretoria

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