Alternativas para enfrentamento da crise

Por: Renata Horta*

Uma crise econômica é em essência um desequilíbrio entre produção e consumo. Perto da gravidade da atual situação no mundo, onde a crise de saúde soma-se à crise econômica, que também repercute em uma crise social, as empresas têm tido dificuldade em lidar com a complexidade do cenário.

A complexidade atual é profundamente marcada por desafios de enfrentamento do presente e também de reconstrução de uma visão de futuro que direcione os esforços. Hoje vamos falar principalmente dos desafios de enfrentamento do presente e algumas alternativas que nem sempre figuram nas discussões dos Comitês de Crise criados pelas empresas.

Todas as empresas, de maior ou menor porte, em alta ou baixa intensidade, passaram por momentos de replanejamento, controle de custos, adequação logística, cuidados com os colaboradores. Esse é um “cenário de sobrevivência” importante e não deve faltar empenho em mantê-lo enquanto for necessário.

O cenário de sobrevivência não é incompatível com um “cenário de geração de valor” ou inovação. Apesar de exigir dedicação e parcimônia, acreditamos que conduzir paralelamente esses dois caminhos pode trazer benefícios importantes para a empresa e para os empreendedores. 

Para as empresas que estão começando

A inovação pode gerar importantes ações para fortalecer as empresas nesse momento. As inovações incrementais, aquelas mais simples, que não nos afastam muito da nossa zona de experiência, estão sendo amplamente utilizadas, mesmo que sem a consciência desse processo. Elas geram produtividade e redução de custo, aumentando a resiliência financeira da empresa. 

Mesmo que a empresa já esteja praticando esse tipo de inovação, fazê-lo com  consciência e ter esse foco pode trazer muitos benefícios e potencializar os resultados: 

  • Conhecer processos ágeis de implementação desse tipo de inovação pode gerar maior rapidez e assertividade;
  • Mapear os caminhos que a implementação está tomando pode ajudar a gerar conhecimento e entender as razões de fracasso, quando ele acontecer, gerando aprendizados importantes para novas tentativas;
  • Entender que esse é um processo de inovação pode ajudar a identificar dentro das empresas o melhor perfil de time de colaboradores para contribuir;
  • Implementar processos de inovação pode ajudar a engajar e aumentar a auto-estima de times que estão com baixa segurança psicológica.

Além disso, a inovação também pode ajudar a gerar novos tipos de valor para a empresa e para o cliente: pode envolver a geração de novos produtos ou acessar novos canais, por exemplo. Essas novas oportunidades exigem que a empresa incorpore novos conhecimentos, que mude seus processos, que assuma mais riscos. Por outro lado, certamente é esse tipo de inovação que fará a empresa amadurecer e dar os saltos necessários para que tenha longevidade no novo mundo que se configura.

Nossa dica para começar nesse processo, mesmo dentro de casa e com os colaboradores que a empresa já possui:

  • Monte um time de pessoas que sejam capazes de criar e executar em equilíbrio, sabemos que as habilidades empreendedoras são condição necessária para a inovação acontecer;
  • Se você tem um comitê de crise, não use como comitê de inovação ou futuro, eles precisam se falar, mas as habilidades necessárias para um bom desempenho de quem está construindo o futuro e o novo é muito diferente das habilidades e discussões de um comitê de crise;
  • Se quiser começar com poucos investimentos, aumente seu nível de ousadia e colaboração. Claro que esse é um momento que você não pode investir para aprender a fazer inovação, mas pode olhar diferente para os recursos da empresa (tempo, estrutura, pessoas, rede) e buscar novas formas de gerar valor a partir deles. Para isso, você precisará aceitar mais riscos, e compartilhar mais os resultados.

Para as empresas que já tem experiência em inovar 

Temos observado que empresas que já possuíam várias ações de inovação paralisam essas iniciativas a favor de uma redução de custo. Essa interrupção das iniciativas pode fazer sentido para o momento, mas a paralisação das ações de inovação não faz. O que você pode fazer:

  • Realocar seu time de inovação temporariamente, para que ajudem outras áreas a gerar soluções de forma sistemática e direcionada para desafios de outras áreas, como “coaches de inovação”;
  • Utilizar a rede de parceiros construída por essa área para solucionar desafios de curto-prazo (como startups, consultorias, etc);
  • Redirecionar os esforços de inovação e desse time para estruturação de novas oportunidades.

Se a crise é um gap entre produção e consumo, a inovação é a forma mais racional de buscar soluções para ele. 

“Nenhum problema pode ser resolvido pelo mesmo estado de consciência que o criou.” Albert Einstein.

 

*Diretora de Conhecimento e Inovação da Troposlab – aceleradora de negócios, projetos e pessoas. Possui mais  de 14 anos de experiência no desenho de Programas de Inovação, Gestão da Inovação, Geração e aceleração de startups, desenvolvimento de empreendedores em contexto de inovação tecnológica e design thinking, tendo atuado em programas de inovação  de empresas como Saint-Gobain, B3, Roche, CNH Industrial, RHI Magnesita e EDP. Também em programas premiados de desenvolvimento do ecossistema de inovação do Estado de Minas Gerais.

 

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