Aeroporto-indústria de Confins deve atrair aportes de R$ 3,5 bi

Por: Mara Bianchetti

A BH Airport, concessionária que administra o Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins, na Região Metropolitana de Belo Horizonte (RMBH), negocia com pelo menos 15 empresas para se instalarem no aeroporto-indústria do terminal.

Com o início das operações previsto para o começo de julho, o entreposto aduaneiro poderá atrair R$ 3,5 bilhões de investimentos e gerar 40 mil empregos entre diretos e indiretos nos próximos anos.

As informações são do diretor-presidente da BH Airport, Marcos Brandão. Segundo ele, das 15 empresas que negociam com a concessionária, dez estão em estágio avançado.

“Isso significa que já possuímos acordos de confidencialidade e acesso a informações estratégicas, bem como proposta comercial e estudo de área necessária”, afirmou.

O primeiro aeroporto-indústria do País seria inaugurado oficial e virtualmente ontem (21), no entanto, problemas técnicos inviabilizaram a cerimônia, para a qual chegaram a comparecer o governador Romeu Zema (Novo), demais autoridades mineiras, diretores do aeroporto e empresários de diferentes segmentos, inclusive o diretor-presidente da Clamper Indústria e Comércio S/A, Ailton Ricaldoni Lobo, a primeira empresa a operar no entreposto a partir de julho. Uma nova data para a inauguração do aeroporto-indústria será anunciada em breve.

Brandão destacou que a inauguração do aeroporto-indústria é um marco para Minas Gerais e para o Brasil no que se refere ao aumento da competitividade da indústria nacional.

Para o executivo, o projeto que começou a ser desenhado pelo governo do Estado em 2000 e chegou a ter duas tentativas de licitação por parte da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), sem sucesso, engloba uma proposta plural e impulsionadora para o empresário brasileiro.

“Resgatamos o projeto justamente pela importância e pela relação com nosso propósito de conectar negócios e pessoas. Estamos falando de um pioneirismo que está sendo entregue ao Estado e que será fundamental na construção da retomada da nossa economia após a pandemia do novo coronavírus (Covid-19). O que é oferecido por esse empreendimento é algo novo no País, é transformador e vai contribuir em elevar a competitividade das indústrias a outro patamar”, ressaltou.

O primeiro aeroporto-indústria do Brasil conta com uma área disponível de 750 mil metros quadrados e, conforme já publicado, o número de empresas que poderá abrigar depende da área que cada uma demandará. Porém, a expectativa é de atrair cerca de 250 empresas nos próximos anos.

Desde que assumiu as operações do Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em 2014, a concessionária afirma que o objetivo é consolidar o terminal em um importante instrumento de desenvolvimento econômico e social do Estado. Tirar o projeto do entreposto-aduaneiro do papel, conforme a empresa, faz parte do processo.

“Vale ressaltar que esse empreendimento cumpre um papel relevante de diversificação da economia mineira, transformando-se em um ambiente favorável para atração de empresas que produzem bens de alto valor agregado”, destacou.

Para isso, o sistema de gestão do processo alfandegário da BH Airport foi homologado pela Receita Federal no início de abril. Na prática, isso significa o início da conexão das empresas que forem atuar no aeroporto com o órgão, gerando ganhos em logística e segurança.

Com isso, as mercadorias admitidas neste regime poderão ser submetidas às operações de exposição, demonstração e teste de funcionamento; industrialização e manutenção ou reparo, com suspensão do pagamento dos impostos incidentes na importação e na exportação, bem como suspensão de impostos ou utilização de benefícios fiscais.

Pandemia – Sobre os impactos da pandemia não apenas no tráfego de passageiros, mas também nas operações e receitas do Aeroporto Internacional, Brandão falou que há algum tempo a concessionária vinha trabalhando e desenvolvendo novas frentes de atuação que não dependessem de passageiros, como é o caso do aeroporto-indústria.

Embora não tenha revelado detalhes, por questões estratégicas, o diretor disse que outro projeto deverá ser lançado ainda neste exercício.

“São todos projetos complementares à aviação, que vinham sendo trabalhados desde 2018. O coronavírus e os impactos impostos ao setor aceleraram o processo e entendemos que estas novas frentes serão fundamentais para a retomada econômica no período pós-pandemia, somando-se ao turismo”, destacou.

Sobre a movimentação de cargas, Brandão falou que a estratégia da BH Airport foi fazer parcerias com players multimodais e que, com isso, o fluxo foi praticamente mantido.

Jornal Diário do Comércio | 21 de maio de 2020

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