Belo Horizonte volta à fase 0 de distanciamento social

Por:  Mara Bianchetti

A capital mineira voltou à fase 0 do plano de flexibilização das medidas de distanciamento social. A partir de segunda-feira (28) estão novamente suspensos os alvarás de funcionamento da maioria dos setores econômicos da cidade.

A medida foi anunciada passados exatos 100 dias após a publicação do primeiro decreto da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) em combate ao novo coronavírus (Covid-19), em 18 de março.

O prefeito Alexandre Kalil (PSD) comunicou a decisão em entrevista coletiva e citou a piora nos números da doença em BH. “Ninguém está mais triste, mais amolado do que eu. Ninguém avisou tanto que não era férias, que todos deveríamos nos manter em casa, o que não foi feito. Eu disse à minha equipe que nós temos uma linha de números, dados, leitos e certa ou errada, ela será mantida”, justificou.

Apesar da situação, Kalil garantiu que o vírus não está descontrolado na cidade, mas voltou a alertar a população sobre o risco do esgotamento do número de leitos.

“Estamos em descontrole? Não. Mas podemos chegar perto do colapso. Pedimos a compreensão, pois sabemos da nossa responsabilidade. Eu, como prefeito, peço desculpas a todos que respeitaram esse isolamento, e peço à população: vamos respeitar a ciência, o que deu certo no mundo inteiro. Não há outro caminho”, completou.

A decisão veio após sugestão do Comitê de Enfrentamento à Pandemia do Executivo Municipal diante dos índices monitorados diariamente. Conforme o boletim epidemiológico da PBH, atualmente, as taxas de ocupação de UTIs e leitos de enfermaria são 86% e 67%, respectivamente, e a taxa de transmissão do vírus está em 1,09. Já o boletim da Secretaria de Estado de Saúde (SES) indicou que a Capital tem 4.977 casos de Covid-19, dos quais 109 evoluíram a óbito.

“O nosso respeito à ciência nos diz que não erramos ao abrir em maio, tanto que na semana passada recebemos médicos e pesquisadores da Organização Pan-Americana da Saúde, que vieram conhecer o trabalho que estamos fazendo no combate à pandemia. Sugerimos o recuo porque estamos vendo um aumento não apenas nos números de casos, mas na gravidade da doença”, garantiu o secretário Municipal de Saúde, Jackson Machado Pinto, quando questionado se a cidade flexibilizou na hora errada.

Entidades – Por meio de nota, a Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) rebateu a decisão da Prefeitura e pediu que não se culpe o comércio pela pandemia.

“Se existe alguém que se sacrificou para salvar vidas em Belo Horizonte, este alguém é o nosso comércio. A maioria dos estabelecimentos ficou 80 dias trancado e hoje está fazendo o possível e o impossível para manter o seu negócio e garantir os empregos para os trabalhadores. Outra boa parte continua fechada. Galerias, o setor de vestuário, shopping centers, bares e restaurantes estão há 100 dias impedidos de abrir suas portas. Em nenhum lugar do mundo aconteceu isso. Muitos já não vão voltar. Centenas de empresas já fecharam suas portas definitivamente e milhares de empregos já foram perdidos”, destacou no documento.

A entidade declarou ainda que o aumento no número de casos já era esperado, que há quase três meses solicitou à Prefeitura a abertura de diálogo com o setor produtivo da cidade para discutir a reabertura segura e gradual do comércio.

“Há três semanas este comitê não se reúne. Todas as decisões tomadas nas últimas três semanas foram de única e exclusiva responsabilidade do prefeito. As entidades participantes – CDL-BH, Sindilojas, Fiemg e Abrasel – não foram consultadas. Pelo contrário, foram solenemente ignoradas”, denunciou. E disse, por fim, que fez várias sugestões e nenhuma delas foi encaminhada.

Já o presidente do Sindicato de Lojistas de Belo Horizonte (Sindilojas-BH), Nadim Donato, lamentou o retrocesso, mas disse entender o caráter técnico da decisão. Ele adiantou que na segunda-feira irá retomar o processo negociação de reabertura do comércio com a PBH.

“Estamos salvando vidas, mas muitas empresas irão morrer, impactando também na saúde e na renda das pessoas. O comércio voltou com 30% ou 40% do normal em termos de vendas, mas os dias de flexibilização foram fundamentais. E precisaremos reabrir. Vou conversar para que tenhamos um novo processo, nem que seja de trás para frente, ou seja, quem ainda não tinha flexibilizado, retomar primeiro agora. Pode ser uma forma de sobrevida para muitos setores”, sugeriu.

GOVERNO ESTADUAL AMPLIA MEDIDAS RESTRITIVAS PARA TODAS AS CIDADES

Para conter o avanço do contágio pelo novo coronavírus no Estado, o governo de Minas amplia as medidas restritivas para todos os municípios mineiros. O Comitê Extraordinário Covid-19 publicou atualização da Deliberação nº 17, de 22 de março, com novas recomendações, que vão desde limitações em espaços internos para consumidores – ocupação máxima de uma pessoa por dez metros quadrados – até o afastamento de trabalhadores com sintomas de doença respiratórias, ainda que leves.

Segundo o secretário adjunto da Secretaria de Estado de Saúde (SES-MG), Marcelo Cabral Tavares, as alterações feitas são uma forma de conter o contágio do vírus. Com isso, menos pessoas serão infectadas e irão precisar dos serviços de Saúde. Assim, os pacientes do Covid-19 poderão contar com um atendimento mais efetivo, principalmente, para leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Outra mudança é que estabelecimentos comerciais e industriais, com prestação de serviços ou a venda de produtos, deverão impedir a aglomeração de pessoas no recinto ou em filas de espera. Deverão ser observados distanciamento mínimo de dois metros entre os consumidores e a ocupação máxima do espaço interno à razão de uma pessoa por dez metros quadrados.

A nova deliberação recomenda, ainda, o regime de trabalho remoto para as atividades administrativas, ressalvada a necessidade de manutenção de escala mínima, quando imprescindível.

O governo, por meio das Secretaria de Estado de Infraestrutura e Mobilidade (Seinfra) e de Desenvolvimento Econômico (Sede), divulgou também na sexta-feira (26/6) recomendações de horários para o funcionamento das atividades industriais, comerciais e de serviços para os municípios que aderiram ao plano Minas Consciente.

As recomendações estão previstas na Resolução Conjunta Seinfra/Sede nº 012, de 25/6/2020, publicada no Diário Oficial Minas Gerais de sexta-feira (26). (Agência Minas)

Jornal Diário do Comércio | 27 de junho de 2020

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