Custo médio do crédito cai em 2020, mas muitas empresas não conseguiram adquirir financiamento

Por Leonardo Faria Lima – Economista ACMinas

 

Em 2020, o Banco Central do Brasil (BC) promoveu uma política monetária expansionista com o objetivo de elevar os meios de pagamento e reduzir o custo do crédito.

A taxa básica juros da economia brasileira, a Selic, sofreu uma redução de 2,5 pontos percentuais durante o período, de 4,5% para 2% ao ano (novo recorde da série histórica). A medida foi instrumentalizada para atenuar ou mitigar os efeitos nocivos da pandemia sobre as empresas brasileiras.

As ações governamentais de isolamento social, para conter a disseminação do coronavírus, reduziram drasticamente o faturamento das empresas, assim gerando uma grande necessidade de capital de giro – capital utilizado para custar às despesas do dia a dia, tais como: salários, aluguel, estoque, dentre outras.

A Selic é um indicador que direciona o comportamento das demais taxas de juros do mercado. Então, era esperado com que os bancos comerciais fizessem o repasse da redução dos juros para os tomadores de empréstimos, principalmente, para as pessoas jurídicas.

O Indicador de Custo do Crédito (ICC) do Banco Central demonstrou que o dispêndio médio para aquisição de recursos junto ao SFN (Sistema Financeiro Nacional) sofreu redução ao longo de 2020. O custo médio do crédito direcionado para as pessoas jurídicas caiu 2,7 pontos percentuais, de 13,74% para 11,04% ano. Isto é, a redução a do ICC foi maior do que a da Selic.

 

Os bancos comerciais detêm a intermediação financeira como a sua principal atividade, e ela é caracterizada pela ação creditícia de dispor ao cliente, certo valor sob forma de financiamento, perante uma promessa de pagamento (acrescida de juros).

 

Já a predisposição dos bancos para ceder crédito aos tomadores de empréstimo depende do grau de previsibilidade do ambiente econômico, em outras palavras, todos os agentes econômicos se orientam e tomam decisões de acordo com perspectivas em relação ao futuro.

A pandemia do coronavírus edificou um cenário de grandes incertezas, porque, ninguém sabe estimar o seu tempo de duração. O fim da pandemia está intrinsicamente ligado à vacinação em massa da população global – variável imprevisível, por depender de vários fatores.

O elevado grau de incertezas potencializa a aversão ao risco, no caso dos bancos, a aversão ao risco de inadimplência. Mesmo apresentando as garantias necessárias para salvaguardar os riscos inerentes à operação de crédito, muitas empresas não conseguiram captar os recursos financeiros necessários para sobrepor a crise.

Além disso, existe a armadilha da liquidez que é delineada por um ambiente detentor de uma taxa de juros muito baixa. Neste cenário, o custo de oportunidade de reter moeda é absolutamente nulo, ou melhor, os bancos comerciais irão preferir manter os recursos na tesouraria da entidade ao invés de assumir o risco de elevar a oferta de crédito (risco do não recebimento da promessa de pagamento).

As micro e pequenas empresas (MPEs) são mais sensíveis às turbulências da economia e por isso possuem maiores dificuldades para adquirir crédito. Em épocas de crise, as MPEs são as primeiras a enfrentarem adversidades financeiras, ao mesmo tempo em que são as últimas a sair.

Para atender a demanda das micro e pequenas empresas por recursos financeiros, o governo federal lançou no mês de abril de 2020 o Pronampe (Programa Nacional de Apoio às Microempresas e Empresas de Pequeno Porte). O programa desburocratizou o acesso ao crédito, liberando mais de R$ 40 bilhões para o segmento. Contudo não há previsão de continuidade para 2021.

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