Entrevista com Alessandra Alkmim a respeito do mundo Pós-pandemia

Alessandra Alkmim é Presidente do Conselho Empresarial da Mulher Empreendedora da ACMinas, Vice-Presidente da ACMinas, Co-fundadora da startup ADDHERE, Co-fundadora da ESCOLA DE PALESTRANTE, Co-fundadora de um canal de poadcast AS NÃO LINEARES,  Co-fundadora do canal de entrevistas no Youtube ‘INOVAÇÃO EM PAUTA, palestrante, especialista em Mundo VUCA, estudante de Futuros e Impulsionadora de Conexões Autênticas.

1. Em uma live do SEBRAE realizada em 2020, você tratou do mundo VUCA. Penso ser interessante falar um pouco a respeito dele e de seus impactos nas nossas vidas presente e futura.

A verdade é que o mundo de uns tempos para cá já vive um contexto vibrante de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade, mais conhecido como Mundo VUCA. A leitura do mundo atual parecia cada vez mais impossível; explicá-lo de forma linear nem pensar. Mudanças ambientais, tecnológicas, econômicas, socais, culturais e políticas emergem o tempo todo e a todo instante, e seus reflexos positivos e negativos impactam profundamente em toda a nossa sociedade. O planejamento estratégico nas organizações continua existindo, mas a única certeza que teremos daqui para frente é a incerteza, e a ferramenta de sobrevivência é a agilidade.

VUCA é um acrônimo que surgiu no vocabulário militar americano na década de 90 para traduzir os cenários caóticos e incertos dos campos de guerra. Em 1998 o United States War College apresentou o conceito no relatório Training and educating army officers for the 21st Century: Implications for the United States. Logo após a Guerra Fria, percebeu-se que o mundo vibrava em um contexto de volatilidade, incerteza, complexidade e ambiguidade.

Logo depois, o termo passou a ser citado e utilizado no mundo corporativo. VUCA é baseado na própria gestão de riscos, pois os próprios comandantes do exército americano tinham que lidar com cenários ambíguos, complexos e altamente dinâmicos, onde se exigia muito de suas capacidades de sobreviverem ao caos e desordem.

A sigla VICA foi traduzida para o português por VUCA – mundo Volátil, Incerto, Complexo e Ambíguo.

VUCA, portanto, traz no seu bojo…

VOLATILIDADE – tudo muda o tempo todo com uma velocidade absurdamente grande; com uma frequência intensa e com um impacto que a gente desconhece; vivemos a era da modernidade líquida, o mundo escorre pelas nossas mãos, tamanha a velocidade que as coisas acontecem. Um exemplo de mundo volátil: o rádio levou 38 anos para alcançar 50 milhões de usuários; o pokemon, acreditem, levou 22 dias…

INCERTEZA – é a gente não saber o que vem depois; é a total falta de previsibilidade; é não saber como lidar com o inesperado; é ter a capacidade e enxergar todas as opiniões; é pensar na incerteza para tomar a decisão certa, com confiança e responsabilidade.

COMPLEXIDADE – o mundo está cada vez mais contraditório, nem tudo é tão simples quanto parece; há um ar denso de complexidade pairando sobre o mundo, sobre as pessoas, sobre as relações, sobre os negócios; cada vez mais as coisas estão interligadas e hiperconectadas, mas como entender e viver essa interdependência? Como identificar a relação das coisas, já que somos células interativas interagindo uns com os outros o tempo todo? Está cada vez mais difícil explicar o mundo de forma linear…

AMBIGUIDADE – vários sentidos para uma mesma questão e o perigo de interpretações ambíguas, que podem gerar potenciais erros de leitura. No mundo corporativo isso pode tornar as decisões mais importantes sob risco. É preciso controlar melhor o risco e saber das implicações das tomadas de decisões. Um exemplo de ambiguidade: você sabia que a rede social mais popular do mundo, o Facebook, possui 56 opções de gênero somente para o mercado americano? E a justificativa para isso é que estão expandindo a identificação dos usuários para além da dicotomia homem/mulher. Consegue entender?

O que devemos saber é que as soluções do século XX já não são mais suficientes para dar respostas para os desafios que enfrentaremos pós-pandemia. Em tempos de COVID-19, o mundo vem pressionando cada vez mais as organizações para criarem abordagens mais conscientes, criativas, inovadoras e mais ágeis.

As pessoas e organizações que conseguiram prosperar no Mundo VUCA foram aquelas que, apesar das dificuldades e da desordem generalizada, se mostraram resistentes ao caos, se reinventaram, foram rápidas em perceber a importância de uma atitude mais consciente e responsável, pautada em propósito maior e missão transformadora, e foram rápidas em perceber a necessidade de se refazerem em cenários complexos e imprevisíveis de forma plena e equilibrada.

Seguindo a linha de raciocínio de Darwin, “sobrevive quem se adapta”, e refletindo sobre isso, percebemos que teremos (sim!) que nos adaptar a esse novo contexto de mundo para sobreviver, reinventar e voltar a crescer, mesmo que seja lentamente.

2. Como o presente complexo, caótico e contraditório que vivemos hoje pode servir para a criação de novas rotas de conhecimento?

Saindo do Mundo VUCA, passando pelo “novo normal” e seguindo rumo ao futuro desejável, vemos o mundo girar freneticamente em modo Templosion (termo cunhado pela futurista Edie Weiner autora do livro FutureThink), onde transformações muito grandes estão acontecendo e sendo atualizadas em períodos curtos de tempo, e isso nos leva a crer que chegou a hora de traçarmos novas rotas de conhecimento. Não foi só o mundo que mudou. As pessoas também mudaram. E muito.

Já dizia Abrahm Lincoln – “os dogmas do passado silencioso são inadequados para o presente tempestuoso. Como nosso presente é novo, devemos pensar de uma maneira nova e agir de uma maneira nova”.

Estamos em uma jornada de aumento de consciência. Toda jornada da humanidade pode ser vista para o mundo à nossa volta quanto para o nosso potencial impressionante como seres humanos. E o principal combustível para acelerar a nova era é o estoque de conhecimento; enquanto o freio é a falta de imaginação. Profissionais criativos, empáticos, com pensamento e atitude inovadores e conectados ao propósito, terão destaque.

O desafio é a adaptação – já dizia Darwin: “sobrevive quem se adapta” – tudo isso demanda de nós a capacidade de nos adaptarmos constantemente, para saber e entender quem somos, quais decisões devemos tomar, o que queremos aprender e para onde queremos ir.

Devemos sim sair do estado do “risco de uma recessão generalizada” para irmos ao encontro de oportunidades na área do conhecimento, indo muito além daquilo que estávamos acostumados a aprender.

Trilhar novas rotas de conhecimento pede ação. Então comece a agir agora.

3. Saímos de uma sociedade sólida para uma sociedade líquida repleta de incertezas, dúvidas e anseios. Como isso impacta no futuro que buscamos e esperamos?

Há 2.500 anos atrás, Heráclito, o pai da dialética, dizia que era impossível entrar duas vezes no mesmo rio (as águas já são outras), que havia um sol novo a cada dia e que nada era permanente, exceto a mudança. Heráclito deu o nome de Devir a essa eterna transformação complexa do mundo que ele havia vislumbrado.

O fato é que o Mundo VUCA mudou de forma rápida e exponencial a nossa maneira de ver o mundo. E agora, em tempos de pandemia (o “novo normal”), ele dá lugar a uma nova era que nos aguarda pós-pandemia: a era dos Pós-Normais (Futuro Desejável). Gosto de uma expressão da Lynne Twist, ativista social, sobre colocar no “asilo” o que já passou e que precisamos superar estruturas e sistemas antigos que não nos servem mais. Não precisamos “matá-los”; eles só não são mais viáveis e sustentáveis e, portanto, de qualquer jeito, eles estão morrendo uma morte natural, mas com dignidade. Aí então poderemos acompanhar a “gestação” da nova plenitude, das novas estruturas e dos novos sistemas que estão mais evidentes para nós agora. Todas as duas atitudes são “atos de amor e testemunho”. É acordar do transe em que estávamos e sonhar mais uma vez com um mundo novo a partir de um lugar mais consciente, em um grau de desenvolvimento superior, mais amoroso.

E no desembarque no futuro desejável, educadores, a ciência e o feminismo serão valorizados; buscaremos o essencial ou o Ponto de Deus (o propósito, segundo Dana Zohar), onde as relações serão mais empáticas e teremos a chance de desenvolver um novo olhar para a humanidade. É possível enxergar a beleza em meio ao caos.

Precisamos de uma nova abordagem, de um jeito novo de entender o novo mundo que se descortina à nossa frente, e o que o futuro nos reserva. E o entendimento do novo mundo pede atualização constante de conhecimento e a quebra de paradigmas.

 

4. O que você aconselha fazer para filtrar o que realmente importa dentre o enorme volume de informações geradas diariamente e que nos servirão de bases sólidas para nosso futuro profissional?

Para a sobrevivência em cenários de caos e desordem como esse, onde a quantidade de informações ultrapassa os limites normais, nada como um “antídoto contra o VUCA” para sobreviver e prosperar, sem sermos reféns das informações desenfreadas do dia a dia, que provocam pânico e exaustão mental.

São definidas 4 competências (também VUCA) que servirão de base sólida para prosperarmos no futuro:

  • Visão ou VISION (é a capacidade de ter foco, saber a direção para onde quer seguir, o que aprender e o que compartilhar; é a crença em si mesmo e nos outros e a visão compartilhada alinhada às habilidades de conexão e comunicação).
  • Entendimento ou UNDERSTANDING (é a capacidade de raciocínio, análise e entendimento de ambientes incertos e altamente complexos, onde diariamente muitas informações são compartilhadas em curto espaço de tempo; ter curiosidade para ver o mundo com outros olhos, entender o que é real e verdadeiro e questionar o status quo sempre; é o eterno aprendiz; é aquele que está sempre traçando novas rotas de conhecimento para entender a complexidade do mundo).
  • Clareza ou CLARITY (é a habilidade de ter clareza do contexto complexo onde está inserido e daquilo que realmente quer aprender e compartilhar, utilizando a inteligência sistêmica dentro de uma perspectiva de base holística).
  • Agilidade ou AGILITY (profissionais devem ser ágeis em suas decisões e na análise dos fatos, porém, pautados na confiança, responsabilidade e no risco das consequências; aqui a agilidade engloba a capacidade de ser criativo e inovador, a determinação e o empoderamento para identificar o que precisa aprender para depois compartilhar o aprendizado com outras pessoas).

Alvin Toffler, um dos maiores futuristas do mundo, traz uma reflexão necessária para todos nós: “os analfabetos do século XXI não serão aqueles que não sabem ler ou escrever, mas sim aqueles que não saberão desaprender, reaprender e aprender.”

Desaprenda aquilo que não é informação verdadeira e compartilhe aquilo que realmente vai agregar conhecimento e provocar algum tipo de transformação na vida das pessoas.

Educadores que conseguirão prosperar na era dos Pós-Normais serão aqueles que, apesar das incertezas, serão resistentes ao caos, se reinventarão e serão rápidos em perceber a necessidade de se refazerem em cenários cada vez mais complexos e imprevisíveis. Aceita o desafio?

5. Como você vê o salto quântico para um novo nível em um período tão curto de tempo? Que consequências isso trará principalmente para a Educação?

Vou começar pelo Estoicismo. O estoicismo é um movimento filosófico que surgiu na Grécia Antiga e que pregava o valor da razão, a fidelidade ao conhecimento, e defendia que emoções destrutivas eram resultado de equívocos na nossa forma de ver o mundo. Os estoicos ofereciam um guia prático para nos mantermos firmes, fortalecidos e no controle de nossas ações mesmo vivendo em meio ao caos absoluto.

Essa filosofia criada há mais de 2 mil anos cada vez mais vem sendo acessada por pessoas que buscam, hoje, “a cura” para as desordens do mundo VUCA e as imprevisibilidades do “novo normal”.

A prática do estoicismo se baseia em alguns ensinamentos cujo objetivo é nos alertar que o mundo é tão incerto quanto imprevisível — mesmo sabendo que amanhã as coisas não só podem, como vão mudar. O estoicismo também prega sobre o quão breve é o tempo e, portanto, devemos vivê-lo da maneira mais intensa possível; acima de tudo devemos ser firmes, resolutos, corajosos e fortes para estarmos no controle de nós mesmos; e mais ainda, devemos aprender a ter controle sobre nossos impulsos e a confiar na lógica e na nossa capacidade de raciocinar.
Mas como viver uma “vida plena” quando se é empurrado a dar um salto quântico para o futuro desejável? Como fazer mais e melhor dentro das nossas possibilidades entendendo e vivenciando, ao mesmo tempo, o que está totalmente fora do nosso controle?

Então, para nós educadores, a receita é: se o salto quântico foi de “última hora e sem aviso prévio”, devemos nos adaptar às mudanças buscando a atualização constante do conhecimento que está disponível no mundo digital como nunca esteve antes. Estamos na era da abundância de conhecimento, e se pegarmos carona nesse movimento, vamos ampliar nossas capacidades de entendimento do mundo, de temas até então desconhecidos por nós e de conteúdos extremamente relevantes que nos levarão a outros patamares da aprendizagem. O olhar global e holístico para o momento atual, vai possibilitar a nossa preparação para o dia da nossa volta ao trabalho. Lembrando que teremos alunos cheios de histórias, de medos, de dores, de desejos, de experiências positivas e negativas, de dúvidas, e cabe a nós acolhê-los de braços abertos e estarmos disponíveis para ouvi-los.

Vamos olhar para frente e parar de olhar para atrás. Não vamos ficar olhando para um ponto que já não vai existir mais. Já não somos mais os mesmos desde que tudo isso começou. E a educação também não será mais a mesma. Estamos aqui com uma única missão: o aperfeiçoamento do imperfeito.

Agradeça o incômodo porque é a partir dele que você verá o resultado daquilo que quer criar. Agregue valor ao seu trabalho e à sua reserva de conhecimento.

O momento é de desafio global. E nesse momento de grande incômodo o fundamental é criar. E criar é ser útil. E quem não se preparar para o futuro agora, depois que passar o incômodo, viverá do futuro que estará disponível nas prateleiras. Um futuro não desejável.

6. Na sua opinião, o que muda sobremaneira na forma de se fazer educação após a pandemia? 

Em termos de educação, existem muitos debates sobre o uso da tecnologia na educação, e agora com mais força e em tempos de pandemia, onde instituições de ensino em todo o mundo foram literalmente “obrigadas” a passarem por uma transformação digital, utilizando ferramentas tecnológicas disponíveis há muito tempo para criarem conteúdos de aulas e compartilharem experiências de aprendizado remoto para estudantes. Foi uma maratona desenfreada contra o tempo para se adaptarem a esse novo cenário. Para alguns, foi fácil, pois já possuíam habilidades tecnológicas, mas para outros, a sensação inicial foi de impotência (como me adapto a isso?), cuja única saída foi se reinventarem digitalmente para não prejudicar o sistema educacional. Educadores de todas as áreas estão experimentando novas habilidades de ensinar e compartilhar conhecimento, adotando novas tecnologias, e isso demonstra um grande salto para um dos segmentos mais resistentes às mudanças.

Se até o ano de 2020 os modelos de salas de aula representavam os modelos do início do século XX, chegou a hora do grande desafio: a possibilidade de transformar de uma vez por todas a noção que carregamos por anos de que o aprendizado deve acontecer somente entre os muros de escolas, ampliando assim as infinitas oportunidades e amplas possibilidades de vivenciarmos novas experiências de aprendizagem.

E como educadores, devemos aprender habilidades, inteligências e competências para a vida e não para a profissão; tudo isso para nos adaptarmos a esse novo mundo, e isso tem a ver com a nossa verdade, com a nossa capacidade de autoconhecimento, de autodesenvolvimento, de superação e de reinvenção.

De acordo com um relatório da Dell Technologies, 85% dos empregos em 2030 que a Geração Z e Alpha irão preencher ainda não foram criados. Qual a melhor maneira de se preparar para um futuro tão incerto? Reinvenção e adaptação.

David Epstein em seu livro Range: Why Generalists Triumph in a specialized World (sem tradução para o português), traz como visão alternativa a crença de que pessoas que desde muito cedo se dedicam exaustivamente a melhorar em um tema ou habilidade específica podem ter uma desvantagem em relação àquelas que pulverizam seus interesses, práticas e estudos entre vários campos e temas. Num mundo complexo e imprevisível, ele defende que a capacidade de transitar entre vários domínios, transferindo conhecimento de um para o outro, pode ser a melhor maneira de solucionar problemas com os quais nunca nos deparamos.

É hora de mudarmos nossa vibração, de nos tornarmos otimistas por opção. Chegou a hora de nos reinventarmos radicalmente.

7. A Educação é um eterno aprender, desaprender e reaprender. Estão os professores em geral cientes desse desafio? Como conscientizar o educador dos novos desafios dos novos tempos?

Um professor do Recife (não me lembro o nome) em uma palestra na Campus Party em São Paulo disse: “quem não se atualizar não sobreviverá na próxima década”. Com a pandemia e com a chegada inesperada do futuro, eu reformularia essa frase assim: “quem não se atualizar não sobreviverá nas próximas 24 horas!”.

Essa é a realidade! Professores devem estar cientes desse desafio, desse novo mundo que se descortina à sua frente, desordenado e instigante, se quiserem se preparar para o recomeço.

O despertar de novas competências, novas habilidades e de novas inteligências será mais do que necessário; um educador mais consciente de si mesmo, ávido por conhecimento, destemido, empático, criativo, engajado, com senso coletivo, ousado, colaborador e com valores éticos e propósito bem definidos.

E o modelo mental do educador do século 21 será: proativo, habilitado para a ação, com alta capacidade cognitiva e emocional dando base para uma forte antifragilidade às volatilidades do mundo (prontidão cognitiva).

8. Fala-se a respeito de realidade aumentada, mas pouco sobre humanidade aumentada. Você poderia discorrer a respeito desse conceito?

A verdade é que entramos na era da Humanidade Aumentada.
É como se uma “nova espécie” começasse a habitar o planeta – humanos, com certeza. Mas humanos aumentados em transformação digital, em comportamento, em nível de autoconhecimento e em nível de expansão de entendimento sobre o caos onde está inserido, sobre o seu papel no planeta, sobre os desafios globais e sobre si mesmo.

Chegou o tempo em que é fundamental deixar aflorar o verdadeiro humano, mesmo sabendo que ele possui mais erros e dificuldades, e que às vezes produz menos do que a máquina. Porém, será uma escolha pelo direito de ser: humano.

Patch Adams já dizia: “quando somos humanizados, somos gentis, amáveis, caridosos e não somos nocivos”.

Seremos humanos melhores nesse admirável mundo novo (tempos pós-normais) que se descortina à nossa frente? Para aqueles que se adaptarem às mudanças impostas pela pandemia e ampliarem sua consciência evolutiva, sem dúvida serão.

E com o surgimento dos tempos pós-normais, o normal se tornará a habilidade de se ter flexibilidade de se adaptar às transformações digitais, às desordens, a outras pandemias como o COVID-19 e às inovações humanas. Aqueles que entenderem as regras desse novo contexto de mundo terão a força e a vontade de quebrá-las, uma a uma, impulsionando assim a inovação e a evolução humana.

E hoje, mais do que nunca, precisamos compreender as palavras do Massachussets Institute of Technology (MIT): “Seja desobediente. Não se pode mudar o mundo sendo obediente”, ou seja, os novos humanos que desafiarem o status quo vão mudar o mundo (o discurso será: “como mudar o mundo” e não “devo mudar o mundo”).

Finalizando, se eu me permitir evoluir, aprender e me adaptar, daqui a um ano, eu subirei nos palcos da vida me apresentando dessa maneira: “se você me conhece baseado no que eu era há um ano atrás, você já não me conhece mais. Minha evolução é constante. Permita-me apresentar novamente.” É a humanidade aumentada.

9. Que considerações finais você gostaria de fazer a respeito do admirável mundo novo que já se faz presente na atualidade?

Seremos humanos melhores nesse admirável mundo novo (tempos pós-normais) que se descortina à nossa frente? Para aqueles que se adaptarem às mudanças impostas pela pandemia e ampliarem sua consciência evolutiva, sem dúvida serão.

A pandemia trouxe dores, dissabores e desencontros. Fechamos a porta e tivemos que aprender a viver numa quarentena. Aprender a viver! Junto, sozinho, misturado e distante daquele mundo de antes que chamávamos de “normal”. Enquanto colocávamos máscaras, outras caíam do outro lado da tela do celular. Muitas!

Mas trouxe certezas, conexões e colaboração. Liquidou a vida “normal” de antes. Trouxe sentido à vida. Abrimos nossos corações para olhar as vulnerabilidades do mundo; estendemos nossas mãos (mas sem tocar!) para ajudar o próximo, cantamos com Lô Borges nas varandas das nossas casas, projetamos nos altos edifícios pedidos de casamento, brindamos em lives com a nossa melhor taça, maratonamos séries inesquecíveis, relemos livros eesquecidos; arrumamos os armários, olhamos mais demoradamente a paisagem da janela (lateral do quarto de dormir) e cuidamos dos nossos entes queridos.

Fizemos tantas coisas incríveis e aprendemos tanto com elas! E vamos continuar fazendo algo de diferente porque estamos sendo desafiados dia após dia a reaprender, desaprender e aprender. E Darwin já deu o recado: “sobrevive quem se adapta”. Então adapte-se!!! Enxergue oportunidades ao seu redor, trace novas rotas de conhecimento, busque entender as dores da humanidade (empatia), dê atenção à sua inteligência emocional, cultive novos hábitos, cuide do seu corpo e do seu espírito, escute podcasts, mesmo em pensamento vá a lugares que nunca esteve antes e permita que o novo entre de vez na sua vida.

E para fechar, Yuval Harari diz, em seu livro, 21 lições para o século 21 – “o mais importante de tudo será a habilidade para lidar com mudanças, aprender coisas novas e preservar seu equilíbrio mental em situações que não lhe são familiares. Para poder acompanhar o mundo de 2050, você vai precisar não só inventar novas ideias e produtos – acima de tudo, vai precisar reinventar a você mesmo várias e várias vezes”.

CEST – Centro de Estudos Sociedade e Tecnologia

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