Início de vacinação pode impulsionar retomada da economia

Por: Juliana Siqueira

O anúncio da chegada em Minas Gerais das 577.680 doses da vacina CoronaVac, que atua contra a Covid-19, repercutiu de maneira positiva entre entidades e economistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO.

Além da importância para a saúde das pessoas, profissionais do setor destacaram a esperança de que o combate mais efetivo à doença colabore para uma retomada mais consistente da economia no Estado. No entanto, ainda há muito a ser feito, ponderam.

A boa notícia encontra números negativos em Minas Gerais no que diz respeito à extinção dos negócios. Para se ter uma ideia, só no ano passado, foram fechadas 41.436 empresas no Estado, o que significa um aumento de 5,5% em relação a 2019 (39.260).

Em Belo Horizonte, o número de empresas fechadas em 2020 foi 8.566, um incremento de 2,5% na comparação com o ano anterior (8.350), segundo os dados da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais (Jucemg).

O desemprego no Estado também permanece alto. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) dão conta de algo em torno dos 14%.

Com tantos desafios pela frente, a vacina anima, mas não sozinha. O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, destaca que outras ações serão importantes, a nível municipal, estadual e federal.

“A chegada da vacina é um componente fundamental para a recuperação da economia, mas ele não é o único. Vários segmentos foram muito sacrificados”, diz ele.

Nesse cenário, Silva defende medidas relacionadas aos impostos pagos pelas empresas, a continuidade do auxílio emergencial, campanhas de conscientização em relação à prevenção da doença, ações de combate à aglomeração no transporte coletivo, entre outras. “A vacina vem, isso já dá uma tranquilizada no mercado. Mas é preciso entender que a imunização é demorada”, afirma ele.

Presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta pondera que o momento excelente será aquele em que todos estarão finalmente vacinados. Nesse cenário, inclusive, diz ele, é muito importante que se tenha agilidade.

No entanto, Anchieta considera que, mesmo por ora, já existem aspectos importantes relacionados ao início da vacinação que refletem na economia, como o componente psicológico tanto para o consumidor quanto para os empresários.

“Agora o bicho-papão será cada vez menos bicho-papão. Embora não seja suficiente, é importante para levantar o moral”, afirma.

Retorno gradativo – Pesquisador associado do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre), Cláudio Considera destaca que “a vacina é a grande esperança para a retomada da atividade econômica”. Entretanto, ele lembra que essa retomada não será algo tão rápido.

“Estamos no início da vacinação. Temos que vacinar todos os brasileiros com duas doses. Será aos poucos e a economia também vai retomar aos poucos”, diz ele.

Assessor de investimentos e responsável pela filial da Acqua Investimentos em Belo Horizonte, Mário Pereira também ressalta que os efeitos da vacinação não serão vistos em curto prazo na economia, embora ela já desperte esperanças.

“A boa economia depende da livre circulação de mercadorias, bens, serviços e pessoas”, salienta. “A vacinação traz a esperança de que não vai haver o fechamento da economia dentro dos municípios”, diz.

Demora da China preocupa Butantan

São Paulo – A demora do governo da China em autorizar a exportação para o Brasil de matéria-prima que será usada no envase no País de doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 do laboratório chinês Sinovac, preocupa e pode afetar o cronograma de entrega de doses ao Ministério da Saúde, reconheceu ontem o presidente do Butantan, Dimas Covas.

Em entrevista coletiva no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado de São Paulo, ao qual o Butantan é vinculado, Covas disse que o cronograma atual de entregas acertado com o ministério será mantido, desde que um novo lote de matéria-prima chegue ao Brasil até o final deste mês.

“Preocupa sim a chegada da matéria-prima. Essa matéria-prima precisa chegar para não parar o processo de produção, e esperamos que isso aconteça muito rapidamente, porque se chegar antes do fim deste mês, nós manteremos o cronograma de entrega de vacinas”, disse o presidente do Butantan.

Ele explicou que as cerca de 6 milhões de doses da CoronaVac que no domingo deram início à vacinação no País foram importadas prontas da China e acrescentou que ontem o Butantan já pediu à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorização para uso emergencial de 4,8 milhões de doses envasadas no Brasil pelo Butantan.

O instituto importa da China litros da vacina concentrada e envasa o imunizante em suas instalações, transformando, segundo Covas, mil litros de vacina concentrada em 1 milhão de doses.

Em entrevista coletiva no domingo, Covas disse que o Butantan aguarda autorização do governo chinês para trazer ao Brasil matéria-prima equivalente a mais de 11 milhões de doses da CoronaVac, que já está sendo aplicada em profissionais de saúde de São Paulo desde domingo, após autorização para uso emergencial dada pela Anvisa.A vacinação nos demais estados estava prevista para começar ainda ontem. (Reuters)

Jornal Diário do Comércio | 19 de janeiro de 2021

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