Mercado enxerga tendência de estabilização dos preços do minério

Por: Julia Siqueira

Apesar das oscilações nos preços, com queda nos últimos dias, a tendência é de estabilização do minério de ferro em médio e longo prazos, conforme especialistas consultados pelo DIÁRIO DO COMÉRCIO, a menos que algo muito impactante ocorra, como uma forte segunda onda da Covid-19 no mundo.

O analista da Terra Investimentos, Régis Chinchila, destaca que, mesmo diante de um quadro desafiador tendo em vista a pandemia, as exportações do produto foram destaque entre os itens demandados pela China.

Dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços mostram, inclusive, que o minério de ferro foi o produto mais exportado por Minas Gerais de janeiro a setembro deste ano. Nesse período, a exportação do item somou US$ 6,547 bilhões, um aumento de 5,8% em relação aos mesmos meses do ano passado (US$ 6,184 bilhões). Ao todo, foram 92,124 milhões de toneladas nos primeiros nove meses de 2020.

“A commodity atingiu a impressionante marca de US$ 130 por tonelada este ano (36% de valorização no pico), mas acreditamos que tenha atingido o pico e a tendência seja de ajuste até final do ano e 2021”, destaca Régis Chinchila.

O analista da Terra Investimentos também ressalta que nos últimos dias a cotação do minério de ferro apresentou recuo e está inferior a US$ 120/t. “O cenário médio do mercado mostra que a demanda global deve permanecer estável em 2021, com recomposição de estoques e pressão sobre os preços. Sendo assim, vemos uma cotação se ajustando gradativamente ainda com boa demanda por parte da China, que representa dois terços do mercado de minério, e recuperação da produção da Vale”, afirma.

Analista de investimentos da Mirai Asset, Pedro Galdi também destaca a demanda por parte da China. Ele pontua que o país asiático está retomando a sua economia em formato de V e deve fazer investimentos em alguns setores, como o de infraestrutura, que depende de aço e, consequentemente, de minério de ferro. O cenário, diz ele, continua positivo.

Presidente do Conselho Empresarial de Mineração e Siderurgia da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Adriano Espeschit também ressalta a questão chinesa. Ele acrescenta que variações pontuais nos preços do minério de ferro são normais nesse período, tendo em vista que as maiores compradoras fazem estoque  para o fim do ano chinês.

Mudanças – Uma transformação muito considerável nos preços do minério de ferro poderá ocorrer, segundo Galdi, se a pandemia da Covid-19 se intensificar novamente pelo mundo. Com mais paralisações industriais, os preços podem cair.

No entanto, pondera Espeschit, pode haver também elevação de valores nesse cenário, pensando em uma situação em que haja uma corrida pelo produto para garantir a obtenção da matéria-prima, com prazos de entrega mais apertados, inclusive.

Por ora, diz Espeschit, não existe perspectiva de um aumento significativo de demanda de produtos de minério de ferro. É preciso verificar a tendência pós-pandemia, afirma.

Em relação aos investimentos do setor, destaca, eles estão mais ligados à reposição de oferta e redução do custo operacional. Especificamente no Brasil, segundo Espeschit, a Vale deve continuar investindo em um projeto que tem um custo operacional menor “para aumentar a margem de lucro e conseguir absorver variações de preços para baixo”, ressalta.

Jornal Diário do Comércio | 16 de outubro de 2020

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