USO DE MÁSCARAS PODE LEVAR A DIMINUIÇÃO DE CASOS GRAVES DA COVID-19, DIZ ESPECIALISTA

Por: Carolina Mazzi

uso de máscaras é uma das formas recomendadas por especialistas para diminuir o nível de contaminação pela Covid-19. A cobertura facial impede que partículas da boca e do nariz entrem em contato com o ambiente, diminuindo a carga viral que circula no ar e nas superfícieis. Porém, uma pesquisa da infectologista Monica Gandhi, da Universidade da Califórnia, em São Francisco, que será publicada no Journal of General Internal Medicine, mostra que os efeitos positivos do uso da máscara podem ser ainda mais abrangentes.

Segundo o estudo, a proteção no rosto impede que o usuário tenha contato com cargas virais muito altas, o que influenciaria no nível de severidade da doença.

“Quanto menos partículas no corpo, menos severa é a doença. E a máscara impede a absorção de grandes cargas virais. Ou seja, o seu uso aumentaria o nível de pessoas assintomáticas, ou com versão leves da Covid-19 no mundo, o que é muito positivo, já que em uma pandemia, precisamos de cada vez mais pessoas com versões benignas, que não exijam internação e, assim não sobrecarreguem os sistemas de saúde”, explica.

Em entrevista à Época, Gandhi explica como chegou aos resultados, apontando que, se antes era vista como coadjuvante na proteção, as máscaras podem ser um dos pilares fundamentais para controlar a pandemia.

O que a pesquisa mostra de novo em termos de uso da máscara?

Analisamos evidências virológicas, epideomológicas e ecológicas mostrando que o uso da máscara diminue a dose viral que a pessoa vai inalar e, quanto menor é a carga viral no seu corpo, mais leve será a doença, apontam algumas experiências. Na maioria das vezes, assintomática. Ou seja, o seu uso é protetivo não só para o ambiente e os outros, mas também para quem usa.

Por que essas descobertas são importantes, coletivamente?

Isso é importante pois estamos no meio de uma pandemia e com menos pessoas que precisem ser hospitalizadas, nossos sistemas vão ser capazar de suprir as necessidades de forma mais efetiva. Também poderemos ter, com o uso mais efetivo da máscara, uma maior imunidade geral da população sem que elas tenham ficado doentes, ou gravemente doentes, para isso.

Como você chegou a esses resultados?

Não fizemos experiências com pacientes com a Covid-19 pelos riscos envolvidos de contaminação. Mas foram analisados dados de pesquisas feitas com hamsters que mostravam que, aqueles protegidos com máscaras não desenvolveram sintomas da doença, ou tiveram versões muito leves da doença, em comparação com aqueles que não se protegeram.

Há experimentos feitos durante a pandemia?

Sim. Outra evidência importante foi ao comparar dados de cruzeiros que circularam durante a pandemia: em fevereiro, antes do uso da máscara ser recomendada como medida de proteção, cerca de 80% dos passageiros do navio Diamond Princess foram infectados. Mas, em outro navio, em março, quando todos os passageiros receberam máscaras cirúrgicas, o nível de casos sintomáticos ficou abaixo de 20%. E há evidências científicas que vem sendo estudadas desde a década de 1930, que apontam a relação entre carga viral e severidade dos sintomas

No Brasil temos muitos residências pequenas em que moram muitas pessoas. Pode ser importante utilizá-las na rotina doméstica também?

Em locais como esses, em que há grande aglomeração de pessoas em ambientes pequenos, o uso de máscaras faciais simples poderá sim ter um efeito importante dentro de casa. Recomenda-se que as pessoas, nestes casos, busquem máscaras mais confortáveis, de algodão, e não esqueçam de trocá-las com frequência.

Com que idade o uso delas é recomendável?

Antes dos três anos não é recomendável. A partir dessa idade, até os 10, a utilização não precisa ser obrigatória, mas já mostra benefícios. Depois dela, é importante exigir seu uso. Máscaras simples, de algodão, com dupla dobra, já protegem o suficiente.

Alguns especialistas apontam que é dificil estabelecer uma conexão tão direta entre carga viral e severidade da doença.

Há limitações, especialmente porque não foi possível fazer uma pesquisa específica com o coronavírus. Mas temos evidências: em 2015, a relação da severidade da Influenza A estava ligada a carga viral exposta. Há divergências sobre o tamanho da proteção e como ela é feita, mas já existe um consenso sim de que a função da máscara não é puramente para proteger o ambiente ou os outros, mas também a si mesmo.

Época | 30 de julho de 2020

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