Afinal, o que é blockchain?

Por: Pedro Almeida*

 

Lemos e escutamos o com frequência sobre bitcoin, blockchain e criptomoedas, mas no fim das contas o que é isso? São a mesma coisa?

Embora o blockchain tenha seu conceito e sua primeira aplicação no bitcoin, sua operação e suas utilidades vão muito além da moeda digital. O primeiro conceito a ser esclarecido é exatamente que não são mesma coisa.

O blockchain é a tecnologia que suporta as criptomoedas pois é uma tecnologia extremamente segura, descentralizada e multi-validada. Está tecnologia no entanto pode ser utilizada para registrar ou validar muitas coisas.

Algumas das aplicações que estão sendo construídas atualmente utilizam a tecnologia para registros médicos de pacientes, armazenamento de documentos e contratos, registros de títulos e várias outras aplicações.

A maioria das aplicações do blockchain será imperceptível para o usuário final. Assim como você não sabe em que tipo de banco de dados estão as informações que você preenche em uma compra on-line ou envia em um aplicativo de mensagens, você não saberá quando estiver sendo gravado em uma blockchain. Você vai utilizar um site ou um aplicativo da mesma forma que o faz hoje e por traz,
haverá uma blockchain registrando as informações.

Costumo dar um exemplo metafórico de como funciona o blockchain.

Imagine que estamos em um evento e queremos registrar que o ganhador de uma disputa foi o Luiz. Neste momento imprimimos 10 documentos informando que o Luiz ganhou a disputa e pedindo para alguns dos espectadores assinarem como testemunha. Quem chegar primeiro assina, e será recompensado por isso.

Ao mesmo tempo outros espectadores tiram fotos daqueles registros e compartilham entre os presentes. Muitas pessoas tem o registro de que várias testemunhas confirmaram que o Luiz ganhou a disputa.

É mais ou menos assim que funciona o blockchain: quando uma transação ou um registro é solicitado dentro de um blockchain, vários computadores ligados a esta rede são acionados para validar aquele registro. São os “documentos” para a assinatura de testemunhas.

Quem conseguir validar vai ser recompensado por isso. Isso é o que se chama de mineração. Uma vez que o registro e validado pelo número determinado de máquinas – as testemunhas – ele é considerado válido, imutável, e é distribuído para todos aqueles que participam da rede para ser arquivado como um registro definitivo.

São criados blocos, ou elos, de registros que em cadeia formam um histórico imutável. Daí o nome blockchain: corrente de blocos.

Como várias máquinas em vários lugares diferentes contém partes ou o todo dos registros, é praticamente impossível conseguir alterá-los ou fraudá-los. É um banco de dados distribuídos, criptografado e multi-validado.

Atualmente os computadores não conseguem quebrar a criptografia dos diferentes blockchains. Teoricamente, com o advento do computador quântico será possível quebrar a criptografia mas, pense bem: se você é alguém mal intencionado que têm acesso a um computador quântico, você vai preferir atacar um blockchain que demorará alguns dias para ser invadido ou vai preferir atacar um banco de dados tradicional que levará alguns minutos apenas para ter seus registros invadidos e alterados?

Provavelmente neste momento do computador quântico acessível também já terá sido implantada a criptografia quântica, com níveis muito mais complexos de segurança. Isso vai proteger não só os blockchains mas também outras formas de registro de dados tais quais as que os bancos tradicionais usam.

A segurança do blockchain consiste majoritariamente no fato de ter os registros multi-validados e seu armazenamento distribuído.

Blockchain é uma das tecnologias que terão sua aplicação acelerada durante esse momento que estamos vivendo. Novas tecnologias que trazem confiabilidade ao mundo digital e permitem maior mobilidade na realização dos negócios vão se fortalecer.

Como a pandemia está transformando seus negócios? Qual a melhor forma de superá-la e ser rentável no mundo digital?

* é economista e tem mestrado em gestão de portfólio. Após alguns anos de carreira no mercado financeiro decidiu dedicar-se integralmente ao empreendedorismo. É vice presidente do conselho de inovação da AC Minas, fundador da Pillow Aceleradora, co-idealizador do Raja Valley, organizador do NASA Space Apps Challenge em BH, diretor da aceleradora Founder Institute e mentor em diversas startups e iniciativas de apoio ao empreendedorismo como SEED, Inovativa Brasil, MIT HackBrazil, 100k LATAM e MIT IIC Challenge.

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