Ecossistema de inovação

Ecossistema é o nome dado a um conjunto de comunidades que vivem em um determinado local e interagem entre si e com o meio ambiente, constituindo um sistema estável, equilibrado e autossuficiente. O termo foi utilizado pela primeira vez em 1935 pelo ecólogo Arthur George Tansley.

O mundo da inovação se apropriou desse termo para descrever o ambiente onde ocorrem as diferentes interações entre os vários membros que o compõem, resultando em inovação na nossa sociedade. Partindo da analogia que no mundo biológico existem vários papéis diferentes que se complementam e são interligados, da mesma forma no ecossistema de inovação existem diferentes atores com papéis e necessidades distintas. Para começar a entender o ecossistema é preciso conhecer esses atores e saber quais são seus respectivos papéis:

  • Universidades – Sob a diretriz de educação, pesquisa e extensão, seu principal papel é de formar, especialmente tecnicamente, os participantes do ecossistema de inovação. Além disso, no Brasil, lideram a pesquisa de base, ou seja, a pesquisa com o objetivo de gerar inovações disruptivas a longo prazo, e em dados momentos cuidam de propagar os resultados da educação e pesquisa, de forma prática, junto à sociedade.
  • Centros de P&D (Pesquisa e Desenvolvimento) – Públicos ou privados, ligados ou não a grandes empresas, tem o papel de liderar as pesquisas aplicadas, ou seja, pesquisas com o objetivo de gerar soluções para serem implementadas em médio prazo.
  • Pesquisadores – Estando nas universidades ou nos centros de P&D, tem muito conhecimento técnico sobre áreas específicas e, dentro de suas respectivas áreas, se dedicam a gerar inovações tecnológicas que darão suporte à criação de novos produtos para o uso comum ou conhecimento básico para o progresso científico.
  • Empresas – Assumem o papel de levar as inovações tecnológicas à sociedade e é dessa forma que garantem sua sobrevivência e perenidade de forma sustentável.
  • Empreendedores – São pessoas que transformam as inovações desenvolvidas nas etapas de pesquisa em produtos, processos ou negócios. Os empreendedores são responsáveis pela disseminação da inovação à medida que traduzem tecnologias em algo de valor e palpável para a sociedade, enquanto enfrentam as barreiras e incertezas inerentes a esse processo.
  • Intraempreendedores – São colaboradores de grandes empresas e instituições que são responsáveis por liderar o processo de inovação dentro das organizações, podendo se envolver desde a pesquisa até a tangibilização da inovação nos limites internos da organização. Assumem esse papel independente da sua área de origem e são comprometidos com a mudança dos paradigmas e das rotinas corporativas. Recebem esse nome porque compartilham as habilidades dos empreendedores, mas atuando dentro de uma organização onde não não são gestores primordialmente.
  • Startups – Novas empresas de base tecnológica (de qualquer natureza, não apenas de tecnologia da informação) em fase de validação e amadurecimento do seu modelo de negócio. Tem o papel de desbravar novos mercados, novos nichos de clientes, testar novas soluções e/ou validar novos modelos de negócio e, por isso, muitas vezes são responsáveis por provocar mudanças significativas no seu mercado de atuação.
  • Governo – Tem o papel criar políticas públicas de incentivo ao empreendedorismo e à inovação, fomenta e/ou facilita ações dessas naturezas no âmbito do estado e visando benefício comum. Além disso, tem um papel fundamental de estimular e, algumas vezes, até de intermediar as ações de empreendedorismo e inovação com as demais iniciativas do ecossistema.
  • Instituições de fomento à cultura da inovação – Incentivam o empreendedorismo e a inovação capacitando pessoas, estimulando e apoiando o desenvolvimento de novos negócios e/ou novas tecnologias.
  • Investidores – Podem ser pessoas físicas ou jurídicas que assumem o papel de apoiar financeiramente novas iniciativas (em geral novos negócios). Ainda que o objetivo dos investidores seja de com o tempo, reverter o capital investido em valores corrigidos, é inegável a importância dos investidores no ecossistema de inovação, especialmente, porque muitas vezes é quem garante a sobrevivência nos primeiros meses/anos de um novo negócio e/ou quem viabiliza o desenvolvimento de produtos, tecnologias e/ou novos modelos de negócios. Com o tempo e experiência passam também a ser importantes detentores do conhecimento do mercado onde a inovação será inserida, catalisando o processo de desenvolvimento das empresas investidas.
  • Aceleradoras – Instituições privadas que, originalmente, tem o papel de apoiar empreendedores com investimentos e conhecimento para o desenvolvimento de seus negócios, tecnologias e produtos, com foco em startups. Atualmente, aceleradoras também oferecem serviços ao mercado relacionados à inovação, atendendo inclusive grandes empresas.
  • Incubadoras – Têm o papel de suportar o desenvolvimento inicial de um negócio, principalmente com apoio ao desenvolvimento tecnológico e capacitação dos empreendedores. Em geral estão ligadas a universidades e centros de pesquisa.
  • Parques tecnológicos – Espaços focados na atração e abrigo de empresas inovadoras que tem o papel de promover conexões, negociar subsídios e gerar parcerias entre essas empresas.
  • Hubs de inovação – Espaços mais informais com o papel de abrigar empresas inovadoras, eventos e programas de aceleração, promovendo conexões e parcerias entre seus membros, e entre seus membros e outros atores do ecossistema.
  • Comunidades de startups – Organizações formais ou não que unem empreendedores de uma determinada localidade e/ou área de atuação. Tem o papel de unir os empreendedores para promover sinergias e compartilhamento entre eles. Muitas vezes, as comunidades de startups atuam em frentes políticas locais/regionais na busca de defender interesses comuns aos seus membros.

Consideramos interessante também entender como o ecossistema de inovação evoluiu ao longo das décadas no Brasil:

O ecossistema se movimenta bastante nessa década e as mudanças parecem ser bem mais rápidas do que nas décadas anteriores. Vários novos players surgem. Startup e empreendedorismo se tornam o centro das discussões em inovação. Em meados da década, essas startups se aproximam das grandes empresas e a inovação aberta se torna uma realidade para muitas empresas.

Versões remodeladas de atores que já existiam surgem, acelerando ainda mais a formação desse ecossistema (incubadoras perdem espaço para aceleradoras ou se transformam em uma; hubs de inovação ganham força em relação aos parques tecnológicos e startups lideram a inovação ao invés das grandes empresas).

Nessa fase, surge a necessidade de se organizar ainda mais o ecossistema e várias iniciativas de mapeamento surgem, cada um com uma objetivo específico. Alguns setoriais, outros por localização, outros por investimentos, outros ainda unindo diferentes variáveis, como o da FINEP, por exemplo, que georeferencia os investimentos feitos. Fato é que com o desenvolvimento do ecossistema, cada vez mais novos instrumentos de comunicação e de gestão tem surgido tanto no intuito de divulgar os avanços, quanto de estimular novas iniciativas e compartilhar boas práticas.

Enquanto ecossistema brasileiro de inovação, ainda temos o que aprender e amadurecer, apesar de já termos conquistas importantes. Ainda assim, também devemos considerar que, dado o tamanho do país, podemos dizer que é como se tivéssemos vários ecossistemas dentro de um só. Ou seja, o ecossistema de cada estado, por exemplo, tem especificidades diferentes, com conquistas e desafios também diferentes, o que demonstra então vários níveis de maturidade.

Pensando nas diferenças de maturidade entre os ecossistemas é que desenvolvemos um e-book sobre Ecossistemas oferecendo, além do conteúdo em si, uma ferramenta de medição de maturidade, que ajuda a entender o seu ambiente e o que pode ser feito para desenvolvê-lo.

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Saber se o ecossistema é muito ou pouco maduro é importante, mas mais importante ainda é saber o que cada ator desse ecossistema pode fazer para contribuir para sua maturidade. Sabemos que nem sempre é fácil saber o que fazer para alcançar os resultados que esperamos e foi nesse sentido que tentamos ajudar ao lançarmos esse e-book.

No Brasil ainda nos falta maior articulação entre os atores do ecossistema especialmente para melhorar a fertilidade de inovações disruptivas e aumentar o apetite de investidores internacionais nas nossas startups. É exatamente sobre elas, especificamente, que falamos no próximo capítulo.

*Artigo publicado originalmente no blog da Troposlab.

Sobre a Troposlab

A Troposlab é uma empresa especializada em inovação, que desenha programas customizados de transformação cultural, jornada de desenvolvimento do comportamento empreendedor, interação com startups e intraempreendedorismo para empresas de diversos setores. São mais de 1.000 startups aceleradas e 400 projetos inovadores internos desenvolvidos em empresas desde a sua fundação, em 2012. 

Tem como sócia-fundadora Renata Horta, que é também membro do Conselho Empresarial de Inovação e Indústria Criativa da ACMinas. 

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