Inovação em Pauta: Startup e indústria: colaboração para soluções ágeis, competitividade e benefícios à sociedade

Entrevistada: Mariana Yazbeck (Fiemg Lab) – 11/06/2020

“Se uma startup recebeu uma nova injeção de capital, é cada vez mais provável que parte dos recursos tenha vindo de uma corporação. No mundo, um quarto de todos os investimentos em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos já vem de grandes empresas”. A afirmação vem da revista Pequenas Empresas Grandes Negócios, em publicação recente, a partir de um estudo que a aceleradora e fundo de investimentos 500 Startups, apresentou antes da pandemia, neste ano no Cubo Itaú em São Paulo.

E por falar em ambiente de inovação, não é à toa que grandes corporações como Itaú e Bradesco têm abraçado a ideia de selecionar e oferecer estrutura, conexão e um ambiente fértil reunindo mentes brilhantes, identificação ágil de tendências, sinais do mercado e antecipar a geração de novos negócios, bons investimentos, entre outros benefícios.

Outro ponto é que se em algum momento no passado não fazia sentido misturar segmentos, sabemos bem que nos dias atuais, o mindset mudou bastante. Está ainda mais evidente, durante a pandemia, o risco de uma empresa quando se especializa, desenvolve e oferta portifólio para atender um segmento. A questão é que quanto mais as empresas e os empreendedores estão atentos e abertos às tendências como fator de competitividade, mais rapidamente se antecipa o futuro no presente.

Não se trata apenas de uma questão de finanças, mas de sustentabilidade e perenidade do negócio das grandes. Nessa conexão, as startups também saem ganhando: os aportes ajudam a investir melhor no negócio, validam as suas soluções em um laboratório real e estruturado, além de agregar a implantação em uma grande empresa no portifólio.

Voltando ao relatório, realizado entre maio e junho de 2019, Unlocking Corporate Venture Capital ouviu 100 investidores em 35 países, o Brasil inclusive. Traz as tendências do corporate venture capital (CVC) para investimento de corporações em negócios escaláveis, inovadores e tecnológicos.

Uma jornada de escolhas não só pela validação da solução, mas de investimento necessário a medida que a startup vai ficando mais robusta. O relatório aborda esse ponto que envolve a relação ente empresa grande e startup. “Sua estrutura está diretamente ligada ao seu sucesso ou fracasso…Organizar atividades de empreendimento como uma suborganização dentro da matriz pode ser uma maneira mais fácil de iniciar atividades de investimento e pode permitir fácil comunicação e colaboração com a organização. A criação de uma entidade legal independente demanda mais custos, apesar do potencial para mais investimentos, incentivos mais interessantes que atraem talentos e menos problemas de conformidade.”

A nossa terceira convidada do Inovação em Pauta, Mariana Yazbeck, compartilhou essa relação indústria e startups na prática. Ela atua há anos fortalecendo a potencialidade dessa conexão. Está a frente do Fiemg-lab, laboratório de inovação da Fiemg – Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – além da experiência na estruturação de áreas de inovação em empresas, estratégias de inovação aberta, e cooperação nacional e internacional. O modelo que roda no Fiemg Lab 4.0 é resultado de um benchmark global customizado para resultados conjuntos entre startups e indústria. Um trabalho que estreita a ponte e abre caminhos entre esses atores, visando respostas mais rápidas, acelerando o processo de inovação, colaborando com a competitividade do empreendedorismo de Minas e do Brasil.

Confira os princiapis pontos trazidos por Mariana Yazbeck e acesse a íntegra desse papo com Alessandra Alkmim, Francis Fernandes e Janayna Bhering, no youtube do Inovação em pauta: 

https://youtu.be/yLa4DnLMgHs

– Não há indústria que não inove.

Não tem como sobreviver como negócio, como indústria ao longo dos anos sem inovar. A grande questão está no tipo de inovação escolhida. Não precisa ser disruptivo, radical. A característica dos negócios altera o tipo de inovação. Algumas mais em produto, outros setores mais processo – que os tornam mais produtivos -, logístico. Dependendo do setor muda. Tudo isso vai impactar e trazer benefícios ao consumidor final.

– Desconheço alguma organização no mundo dando salto, que não seja pela inovação aberta.

Inovação aberta é uma estratégia fundamental e necessária. Ela reflete a ideia que não sabemos tudo e que colaborar é um caminho muito mais interessante. Reduz custo mas requer investimento. Você conhece do negócio mas nem sempre conseguirá resolver o problema até comunicar para fora. Há empresas que inovam sozinhas, mas desde 2000 vêm se provando que quem olha pra fora e colabora, vai melhor. Seja com clientes, universidades, fornecedores, vale diversificar as cestas.

– Covid19: há oportunidades para novas tecnologias, além daquelas que visam o trabalho remoto.

A inovação deixou de ser opção. A transformação digital, que vemos acontecer veio a partir de soluções para aproximar o contato. A indústria que já tinha na estratégia, avança mais ágil. A que não tinha, dói um pouco mais. Há procura de soluções para o combate ao Covid-19 focado na retomada imediata: segurança dos trabalhadores, medição de temperatura, desinfecção de ambientes, reestruturação da produção. Há necessidades dessas tecnologias, além das que visam o trabalho remoto. Virá um segundo passo que é a busca por tecnologias e soluções para a competitividade. Algumas tecnologias podem ajudar a melhorar para que essa retomada da indústria seja possível.

– Inovação é custo ou investimento?

Depende se a inovação está presente na estratégia oficial da organização, incorporada no dia-a-dia e compreendida pelos CEOs e acionistas, aí é vista como investimento. Se a bandeira da inovação é defendida apenas por pequenos grupos, desbravadores da organização, será custo. Importante defender e apoiar essas pessoas para que a inovação se transforme em investimento. Existe dos dois caminhos. Na Federação acreditamos que é investimento.

– A indústria competitiva nacionalmente pode ser competitiva internacionalmente.

Há no mundo cerca de 180 tentativas de vacinas do novo coronavírus, quem colocar primeiro no mercado, sairá na frente. Inovação passa por esse contexto. Competitividade e inovação sempre contribui para o cenário internacional. Mais que preço, inovação aberta conjunta com a startup muda o mindset, ganha velocidade no teste, no erro e as possibilidades de aprendizagem para soluções rápidas.

– Ambiente de atração: todos os estudos mostram que as startups mais disruptivas do mundo vieram de universidades ou algum integrante que começou lá.

A startup tem a ver com a construção de trilhas que possibilitam reter no estado os talentos, oferecer ambientes fomentadores e atrativos, sem precisar sair de Minas Gerais. O ambiente atrativo passa por disponibilidade de fomento, recursos, financiadores, aceleração, pré-aceleração, escala, universidades robustas. As empresas do Vale do silício começaram assim. Aqui em Minas a UFMG, Puc Minas, UFV são fundamentais nesse processo. Precisamos de muita força para que esse ecossistema se fortaleça cada vez mais.

– A Relação startup indústria é um caminho importantíssimo para o desenvolvimento do futuro do Brasil.

Não é apenas apresentar as startups às indústrias, vai além da conexão. Estamos falando de mundos assimétricos que há esforço e necessidade de gerar empatia. Startup e indústria são diferentes, que quando dá certo é espetacular!

Redação: Francis Aquino Fernandes, para Inovação em Pauta. Entrevista realizada em 11/06/2020.

 Sobre a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais – FIEMG

A FIEMG trabalha para que a indústria mineira se torne cada vez mais competitiva, inovadora e sustentável, capaz de gerar novos negócios, riqueza e desenvolvimento. Uma indústria que se destaque no Brasil e no exterior, e que seja o motor para o crescimento econômico e social de todo o estado de Minas Gerais.

O FIEMG Lab 4.0

Um programa de aceleração para startups com soluções industriais (indtechs) que promove o desenvolvimento de novas tecnologias a partir de negócios inovadores ao mesmo tempo que os conecta com o mercado, funcionando como um verdadeiro hub de inovação aberta aplicada para a indústria. O ciclo atual conta com 50 startups e é dividido em 3 fases com duração total de 12 meses, que acontecem dentro de uma lógica evolutiva com oferta de aportes financeiros (equity free), de metodologia específica, de mentorias com especialistas do setor e de acesso à rede com mais de 15.000 indústrias.

São quatro macro áreas: Eficiência e Produtividade, Logística e Supply Chain, Manufatura 4.0, Sustentabilidade e Segurança.

Quatro indústrias madrinhas Gerdau, Vale RHI Magnesita Cemig. Uma etapa anterior visa entender as dores de cada indústria, que geraram 8 desafios lançados às startups, que resultaram em 182 soluções encontradas.

– Resultados práticos das conexões Fiemg lab 4.0

Números

  • – Das 50 startups que entraram no programa, 25 foram contratadas;
  • – R$7milhões em contratos;
  • – 89 soluções em testes ou implementadas em indústrias.

Cases:

Eficiência e Produtividade

– A NEXUM ajudou a empresa do setor de mineração a evitar paradas não-programadas de um Moinho (equipamento crítico da planta). Impactos na redução de custos com manutenção, aumento na eficiência da planta, produtividade da equipe e assertividade nos diagnósticos preditivos, visibilidade completa da saúde dos ativos. Despertando interesse da empresa em contratar um possível rollout para toda a unidade produtiva.

– A TERMICA Solutions aumentou em 20% a disponibilidade de tempo de especialistas ao eliminar a necessidade de registrar e organizar dados de tratamento térmico em uma Aciaria, além de garantir total precisão das informações e imediata disponibilidade dos relatórios. Agora, automaticamente os dados são coletados e agrupados e as informações relativas a cada lote são integradas ao sistema de gestão da empresa, sem a necessidade de interferência humana

Sustentabilidade

– A Aterra gerou aumento de 25% das receitas com a venda de resíduos e 62% de redução de custos com o tratamento final de resíduos em uma grande indústria do setor de alimentação. Desenvolveu tecnologia para geração de calor e energia para consumo próprio através da utilização de resíduos orgânicos por meio de pesquisa e desenvolvimento.

Também gerou beneficiamento dos resíduos dos fornos para obtenção de solução concentrada de zinco e posterior comercialização desse coproduto em uma indústria de fundição.

Confira todas as soluções FiemgLab 4.0http://www.fiemglab.com.br/fiemglab40/startups-selecionadas-2019.html

RETOMADA DA INDÚSTRIA

As startups do FIEMG Lab 4.0 possuem diversas soluções capazes de ampliar a competitividade da indústria. Na retomada, os desafios operacionais e estratégicos são inúmeros e a realização de negócios com startups se apresenta como uma ferramenta estratégica para inovar de forma ágil, reduzir custos e aumentar a competitividade frente ao “novo normal”.

Conheça as soluções: http://www.fiemglab.com.br/coronavirus.htm

SOBRE O INOVAÇÃO EM PAUTA

Como o objetivo de desmistificar o conceito de inovação, nasceu o programa Inovação em Pauta, um canal de conteúdo no Youtube que promete informar, inspirar e principalmente apresentar de forma clara e simples como o ecossistema da inovação se movimenta em Minas Gerais e no Brasil.

O programa representa uma imensa oportunidade de se manter atualizado sobre tudo o que é feito e por quem são feitas as inovações mais relevantes no mundo de hoje, o que está acontecendo no Brasil e no mundo, quais as principais tendências e como não ficar de fora dessa transformação digital.

Suas idealizadoras, Alessandra Alkmim e Janayna Bhering são especialistas em tecnologia, inovação e empreendedorismo, com forte atuação no mercado. Francis Aquino é jornalista empresarial e atua fortemente na identificação de oportunidades, divulgação e promoção do capital intelectual brasileiro.

Programação: todas as quintas-feiras, 19horas

Acesse:

FONTES DO E-BOOK:

A Startup Enxuta, Eric Ries, Ed. 2011

https://www7.fiemg.com.br/

http://www.fiemglab.com.br

http://go.500.co/unlocking-corporate-venture-capital

https://revistapegn.globo.com/Startups “Grandes empresas apostam cada vez mais nas startups. Como aproveitar?”

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