Liderança em momentos de crise

Carmen Eugênia Bretas Bavoso

Psicóloga – Consultora Organizacional

Líder é aquele que leva pessoas comuns a fazer coisas incomuns. O papel do líder é estimular a equipe para superar seus limites na busca do objetivo, e desenvolver talentos. Liderar não é uma tarefa fácil, especialmente na atualidade, quando há ameaças e incertezas por todo lado. São tempos turbulentos! Nada será como antes!

O empresário enfrenta constantemente este desafio: liderar a equipe e obter dela o melhor desempenho! Entretanto, focalizar o que as pessoas têm de bom, o potencial de realização de cada um dos integrantes da equipe é um aspecto geralmente desconsiderado pelas lideranças. Pouco se observa como está o clima interno da organização. Como o setor de vendas se relaciona com o setor de entrega, como está a produção, com relação à programação de entrega…

É preciso desenvolver a habilidade de estimular a equipe a trabalhar sentindo orgulho das realizações, saber o momento de elogiar o trabalho bem feito e o esfoço feito no sentido da auto realização de cada um e o momento de estimular a análise dos pontos que podem ser melhorados.

Em situações de crise, o medo é uma reação natural e faz parte da natureza humana. Contudo, ao nos encolhermos no medo ou nos acomodarmos à zona de conforto, não teremos como enfrentar novas ameaças. Einstein já dizia: “É loucura fazer tudo como sempre foi feito e acreditar que se obterá resultados diferentes”. Em tempos de instabilidade é preciso buscar novas formas de analisar as situações e propor novas soluções. Uma breve avaliação de empresas que foram grandes e hoje não existem mais, mostra que só aqueles que inovam e se adaptam rapidamente sobrevivem aos novos tempos.

As organizações não existem sem as pessoas, pois são elas, com seu talento e criatividade que as tornam inovadoras! Entretanto muitos gestores só observam seus colaboradores quando algo dá errado. O que é feito de bom ou o que está funcionando bem passa despercebido. Em geral se diz: “Fazer bem feito não é mais do que obrigação!” Se o foco é no erro e se as perguntas são feitas para se descobrir os “culpados” dos erros, nunca serão descobertos os verdadeiros talentos.

A fonte mais comum de erro nas decisões de gestão é a ênfase em encontrar a resposta certa, em vez de a pergunta certa. “Os erros mais graves não são resultado de respostas erradas, mas da pergunta errada” é o que dizia Peter Drucker, que foi considerado o grande guru da Administração.

Raramente os gestores se perguntam: O que a minha equipe faz bem? Onde posso estimular a equipe a produzir mais e melhor? Como está o humor na minha organização? Raramente, se questionam sobre as qualidades e forças de cada integrante da equipe. Não se trata de ignorar o que não funciona! Mas, principalmente, não ignorar o que FUNCIONA BEM! Ao mudar o foco das perguntas, é possível mudar a realidade! As perguntas para estimular e desenvolver talentos deveriam ser: “Como estou desenvolvendo os talentos da minha equipe? Onde estão os meus melhores colaboradores? Como estou dando a eles oportunidade de dar o seu melhor resultado?”

A pesquisadora americana, Dra. Barbara Frederikson, e sua equipe identificaram que as empresas que obtêm melhores resultados são aquelas em que os registros das reuniões revelam as expressões mais otimistas de seus integrantes. São aquelas que sabem usar melhor as forças pessoais, as habilidades e capacidade de julgamento de suas equipes. A teoria da Psicologia Positiva, desenvolvida pelo Dr. Martin Seligman, autor do livro “Felicidade Autêntica”, comprova que é possível tornar as pessoas mais eficazes e mais resilientes, estimulando-as a buscar o sentido para a sua vida e a autorrealização. E ainda afirma: “Para mudar uma pessoa é necessário mudar seu autoconceito”.

A essência da liderança é reconhecer quando um colaborador faz um trabalho de boa qualidade e valorizar o esforço da equipe, reforçar a autoestima de cada um. Não é difícil descobrir o que os colaboradores fazem melhor, quais são suas forças pessoais e estimular seu crescimento ao invés de treinar e tentar corrigir quem não tem talento ou habilidade. De acordo com as mais recentes pesquisas, quando o líder acredita no talento da própria equipe e estimula os colaboradores a desenvolver o próprio potencial, ele consegue desempenhos melhores. É o chamado “efeito Pigmalião”: ao acreditar que a equipe é capaz e estimular esta crença na equipe, os resultados melhoram significativamente. Este é o desafio dos líderes: fazer com que a equipe cresça e se torne mais eficaz acreditando no próprio potencial e desenvolvendo seu talento.

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