LIDERANÇA SHAKTI E OS NOVOS LÍDERES DO FUTURO

ARTIGO ALESSANDRA ALKMIM 

De onde os grandes líderes tiram sua energia e sabedoria para liderarem tão bem como lideram no mundo dos negócios? A resposta está na fonte que é Shakti! A fonte da liderança consciente, autêntica, criativa, humanizada, positiva e que combina o masculino maduro (efetividade) com o feminino maduro (afetividade) em uma integridade que eleva a vida e traz inúmeros benefícios para a liderança. 

Shakti é o princípio feminino da energia divina. Ela é considerada como energia feminina porque é responsável pela criação. Ela se manifesta como energia, poder, criatividade, movimento, mudança, transição e está sempre no ponto de partida das coisas que se apresentam no mundo. Pode-se dizer que é o princípio maternal, a energia geradora, simbolizando o alimento, calor e segurança. 

Tal conceito se assemelha muito ao modelo da liderança positiva, que defende o líder como aquele que cultiva a empatia, reconhece e eleva os pontos fortes dos seus colaboradores, liderando-os na busca por resultados. Seguindo a linha da psicologia positiva, criada pelo psicólogo norte-americano Martin Seligman, essa teoria diz que “o líder que enxerga as fortalezas dos liderados e comemora pequenas conquistas no dia a dia (mesmo em um ambiente de trabalho remoto e em circunstâncias difíceis) consegue se conectar e é capaz de encorajar, orientar e inspirar. Sendo valorizados, os profissionais se sentem mais engajados e consequentemente, produzem melhor. Os sensos de gratidão e motivação para seguir em frente ficam ainda mais evidentes quando o líder ajuda outras pessoas.” 

A liderança Shakti é uma nova maneira para homens e mulheres viverem e liderarem a partir de uma atitude mais consciente e humanizada. Estando em seus estados de presença plena (onde nada pode tirá-los de seu equilíbrio) e alinhados com a força natural da evolução humana, líderes conseguem acessar um poder infinito na busca de objetivos nobres e congruentes. 

Vou citar uma frase de Mahatma Gandhi: “quando a força da alma desperta, ela se torna irresistível e conquista o mundo. Este poder é inerente a qualquer humano”. 

O poder inerente a qualquer ser humano não coloca homens sobre mulheres. Coloca homens e mulheres juntos, exercendo um poder mais consciente e verdadeiro. 

A verdade é que na história que conhecemos, a mulher sempre foi subjugada ao homem. E isso não é segredo para ninguém. As qualidades femininas da criação se fazem presentes nas nossas vidas pessoais, como o amor que compartilhamos com as pessoas que amamos. Entretanto, nas nossas vidas profissionais esse afeto é majoritariamente inexistente, não havendo espaço para manifestações desse tipo em cenários de caos e incertezas.  

A cultura dos negócios despreza a maioria das qualidades femininas e, para haver uma melhor integração e equilíbrio, as empresas precisam enaltecer e cultivar os atributos femininos na sua cultura, para homens e mulheres. A liderança Shakti é um modelo de liderança prático que, com propósito, flexibilidade e plenitude, compensa as qualidades masculinas e femininas para restaurar, equilibrar, valorizar e revigorar todas as ações que afetarão o outro.  

O modelo tradicional de liderança foi arquitetado para competições, focando na sobrevivência e conquista de um inimigo. A hierarquia prevalece e as decisões são tomadas por quem tem poder. Hoje, o contexto de líder se modificou, o que antes existia para manter a ordem a todo custo e era detido a poucos, hoje é muito mais flexível e distribuído. Homens e mulheres precisam se tornar inteiros integrando as naturezas masculina e feminina. Todos os líderes devem acessar seus poderes verdadeiros e liberar a criatividade e as suas habilidades de crescimento inclusivo para ajudar a superar diversas desordens existentes nas áreas da economia, da sociedade, da cultura, da política e do meio ambiente. 

É possível perceber que algumas mulheres ainda carregam em seus modelos de liderança, abordagens masculinas, ou seja, lideram como homens. E isso já vem por anos e anos. Os resultados desse modelo são desastrosos e infelizes tanto para elas quanto para as organizações que dirigem.  E a maioria dos homens, tanto quanto infeliz, continua desconectada das suas qualidades inatas femininas. 

Chegou o momento da grande urgência de uma nova consciência do feminino. A maioria de nós, homens e mulheres, criados no sistema patriarcal, desenvolvemos os aspectos masculinos e focamos literalmente em cumprir tarefas, alcançar metas e crescer, crescer e crescer. O momento atual pede o despertar do feminino interno nos homens e nas mulheres, e que é inclusivo, compassivo, empático, humano e amoroso. 

Tudo isso significa que precisamos repensar as formas de poder e de uma maneira diferente. Se olharmos o poder enquanto ego dominante, corrupto, agressivo, exploratório e que não nos leva a lugar nenhum a não ser às disputas pelo “topo do mundo”, ele desarmoniza as relações, a cultura e os ambientes de trabalho. Ele manipula e dissolve em vez de agregar. Mas quando entramos em harmonia com as forças evolucionárias, o poder não é mais opressor e nem manipulador, ele leva à uma evolução mais humana e consciente. 

A liderança Shakti é baseada em poder autêntico, flexível, verdadeiro, humano. Ele leva à uma realização pessoal e causa verdadeiramente um impacto positivo na vida das pessoas, principalmente dos liderados. 

Liderar em Shakti é mais que ser um líder consciente. É ser um agente transformador e condutor de mudanças positivas e conscientes na sua vida e na organização onde atua. É aprender a viver uma vida mais plena e realizada, menos fragmentada, menos conflitante, mais inteira e totalmente harmônica consigo e com o outro. 

Estamos em uma jornada de aumento de consciência. A Liderança Shakti entra nas organizações para aprofundar o modelo de Liderança Consciente trazido pelo Capitalismo Consciente. O autoconhecimento passa a ser um mantra nas organizações que precisam entender que modelos tradicionais de liderança devem ser substituídos por modelos holísticos e humanizados, que promovam cura e transformação nos colaboradores. Toda jornada da humanidade pode ser vista para o mundo à nossa volta quanto para o nosso potencial impressionante como seres humanos. E o principal combustível para acelerar a nova era é o estoque de autoconhecimento e autoconsciência, enquanto o freio é a falta de consciência.  

Líderes que conseguirem prosperar nesse novo contexto de mundo (a era dos pós-normais) serão aqueles que, apesar das incertezas, serão resistentes ao caos, se reinventarão e serão rápidos em perceber a necessidade de se refazerem em cenários cada vez mais complexos e imprevisíveis. E o que promove o equilíbrio para alacançar Shakti é o estado de Presença. Estar em estado de Presença é não se deixar abalar por desequilíbrios e imperfeições diárias; é deixar a mente conectada com o seu poder verdadeiro, com o seu eu interior, onde mora o equilíbrio das suas energias feminina e masculina. Você pode atingir esse estado através de práticas de mindfullness, meditação e yoga. Manter esse equilíbrio em cenários de caos e desordem faz de você um Líder Shakti totalmente conectado ao seu propósito, pleno e flexível. 

Líderes criativos, conscientes, empáticas, com pensamento inovador, ligados à suas energias feminina e masculina, compassivos e com atitude inclusiva e conectados ao propósito, irão prosperar. 

Assistimos a um significativo reconhecimento de valores “femininos” como carinho, compaixão, cooperação e qualidades associadas ao intuitivo lado direito do cérebro, anunciando uma mescla harmoniosa dessas características humanas em nosso trabalho e em nossa vida. Empresas conscientes certamente incorporam ambas as perspectivas, sejam elas lideradas por homens ou mulheres. 

O momento atual não está dizendo que será o fim dos homens e a ascensão das mulheres! Não é isso que o conceito de Shakti traz. Se trata da celebração harmônica das forças masculina e feminina se complementando mutuamente até atingirem seu potencial infinito. É a humanidade progredindo para um estágio de evolução tanto de homens quanto de mulheres. É a autenticidade ganhando força. O poder aqui é “com” o outro e não mais “sobre” o outro. 

Líderes devem ser bilingues de gênero! E Shakti promove esse equilíbrio, já que nós, homens e mulheres negligenciamos por anos a energia feminina que existe em nós. 

Chegou a hora de eliminar de vez a guerra dos sexos e reconhecer que juntos somos mais fortes e muito mais do que nossos próprios gêneros.  

Em uma fala da ativista social Lynne Twist e que eu concordo muito, traduz bem o momento que vivemos: chegou a hora de fazer a transição do velho mundo para o novo mundo. 

Ela diz: “Precisamos colocar no “asilo” o que já passou e que precisamos superar estruturas e sistemas antigos que não nos servem mais. “não precisamos “matá-los”; eles só não são mais viáveis e sustentáveis e, portanto, de qualquer jeito, eles estão morrendo uma morte natural, mas com dignidade. Aí então poderemos acompanhar a “gestação” da nova plenitude, das novas estruturas e dos novos sistemas que estão mais evidentes para nós agora. Todas as duas atitudes são atos de amor e testemunho”. É acordar do transe em que estávamos e começar a sonhar mais uma vez com um mundo novo a partir de um lugar mais consciente, em um grau de desenvolvimento superior, mais amoroso e inclusivo.” 

Precisamos transformar a presença humana, de destrutiva para uma presença que mutuamente amplia e nutre o planeta. E para realizar a mudança que tanto queremos, precisamos cultivar o estado de Presença através de uma conexão profunda com nosso eu superior e fazermos a ligação direta com nosso poder que é Shakti, para abastecer esse processo. 

Nós somos verdadeiramente humanos. 

 

Alessandra Alkmim 

 

 

 

Fonte: Livro “Liderança Shakti – O Equilíbrio do Poder Feminino e Masculino nos Negócios”. Autores: Nilima Bhat, Rajendra Sisodia. 

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