O CROISSANT E A LEI DA OFERTA E DEMANDA

Por Adriana Avellar,
Diretora da ACMinas

O empresário, principalmente o micro e pequeno empreendedor trabalha muitas vezes por intuição. Desconhecem os nomes dos principais autores que escreveram sobre microeconomia, ou não conhecem as leis da oferta e demanda, não sabem ao certo o nome das teorias de marketing que envolvem seu negócio e tampouco o que SWOT ou FOFA significam, mas com certeza aplicam todos estes conhecimentos por intuição, observação, erros e acertos e experiências anteriores. É claro que não estou incentivando somente a intuição para o crescimento organizacional, pois as teorias, a ciência e o conhecimento estão disponíveis para ajudarem e poderem alavancar os negócios.

Independente de saber o que é oferta e demanda, você empreendedor conhece à respeito do equilíbrio entre a quantidade produzida de seu produto e o que seus consumidores consomem? Vou perguntar de outra maneira: se você produzir uma quantidade maior de seu produto, este será consumido? Se você alterar o preço, os consumidores comprarão uma quantidade maior ou menor de seu produto? Ou será que o preço não interfere na quantidade que você produz?

Só para esclarecer, oferta é a quantidade do produto disponível no mercado para compra, e depende do preço, da quantidade, da tecnologia utilizada na fabricação entre outras coisas relacionadas aos produtos e serviços. Demanda ou procura é o interesse existente em comprar determinado produto, é a quantidade que os consumidores estão dispostos a comprar. A demanda é influenciada pela preferência do consumidor final, a compatibilidade entre preço e qualidade e a facilidade de compra do produto. O equilíbrio acontece quando a quantidade ofertada é igual à quantidade demandada (procurada), e isto tem relação com o preço.

Feitas estas breves explicações e indagações, espero que você leitor já esteja com a “pulga atrás da orelha”, sem saber onde eu quero chegar com a teoria da oferta e demanda de Adam Smith e a relação desta com o seu negócio. Afinal, o que tem haver Adam Smith, Lei da oferta e demanda e os croissants?

Na cidade onde minha mãe mora tem uma pequena confeitaria que produz pães artesanais e também croissants. Experimentei esta iguaria na casa de minha mãe em um final de semana e enlouqueci, queria comprar e trazê-los para meus filhos e esposo experimentarem. Croissant além de delicioso, me traz muitas memórias afetivas que me despertam sensações maravilhosas! Na segunda feira pela manhã, antes de voltar para casa liguei neste local para comprar os croissants, iria encomendar pelo telefone e passar lá à tarde para buscar. Insisti e liguei várias vezes, o telefone não atendeu por toda a manhã. Curiosamente, liguei à tarde e o telefone desta vez atendeu; do outro lado uma voz cansada me respondeu que não tinha o produto e que a produção daquele dia já estava toda vendida. Tentei em outras oportunidades, em outros finais de semana, em outros princípios de semana e por várias vezes não consegui comprá-los, nunca havia croissant para mim. E então, desisti daquele croissant, descobri outro produtor, tão bom quanto.

E você empresário, seu produto está sempre faltando na prateleira? Seus clientes estão aptos a comprar e pagar pelo seu produto e você não produz a quantidade suficiente? Você tem condições de aumentar sua capacidade produtiva, evitando assim que seu cliente não procure seu concorrente? Vale a pena investir em mão de obra e treinamento para que você não perca a sua clientela? No caso acima, eu era uma nova cliente, mas e se fosse uma cliente antiga, daquelas fidelizadas que traz novas clientes todos os dias, como ficaria? Você acredita que este negócio vai prosperar desta maneira? O que precisa ser feito para melhorar o atendimento e a oferta?

O empreendedor está com o croissant e o chocolate na mão, quero dizer, a faca e o queijo na mão, como dizem os mineiros e o sucesso (ou não) deste empreendimento só depende dele neste momento. Este empreendedor está em uma situação que todos gostaríamos de estar, ou seja, um produto que agrada e que pode ser consumido em quantidades maiores. O croissant como produto é um caso de sucesso, mas a oferta e o atendimento, com certeza precisa ser repensado. E você, se fosse este empreendedor o que faria?

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