O valor das conexões: dicas para inovar em tempos turbulentos

Por Leandro Libério – Consultor em Transformação Digital pela Raro Labs e Overdub. Especialista em Inovação Aberta pela Iconee. Atua como conector do Ecossistema de Startups e parceiro de iniciativas como Startup Mundi, Global Touch e #OpenInnovationBR. Mentor de startups da Faculdade Arnaldo. Atualmente é membro do Conselho Empresarial de Inovação da ACMinas.

 

Qual foi a última vez que você fez algo pela primeira vez? Atuando há alguns anos com inovação utilizo esse questionamento simples para despertar o pensamento criativo das pessoas. No contexto pragmático do mundo empresarial poderíamos adaptar essa questão para algo semelhante como: que inovação você colocará em prática essa semana na sua organização?

 

Em tempos turbulentos, responder à primeira questão pode ser tarefa fácil, como: começar a trabalhar em home-office, assistir uma live de música sertaneja, aprender junto com seu filho como assistir uma aula pela internet ou ensinar um idoso a realizar uma tarefa mais sofisticada em seu novo smartphone. 

 

A segunda questão talvez seja um pouco mais difícil de aferir sucesso. As pessoas geralmente estão habituadas a uma única “maneira da sua empresa” resolver os problemas. Provavelmente você já se relaciona há um bom tempo com os mesmos grupos de empreendedores e gestores, ou talvez sua organização realmente tenha poucas pessoas e precisa responder ao tsunami de desafios do atual mercado. Então, onde encontrar novas ideias?

 

Questiono isso aos leitores, pois estamos tratando de conexões. O valor da conexão vai além do tradicional networking, que antes do isolamento social costumávamos fazê-lo em eventos e confraternizações. 

 

Que inovações sua organização trouxe de algum diálogo ou pesquisa externos? Você participa de algum grupo no whatsapp para aprender mais? Não basta apenas conhecer, você precisa colaborar. Aí vem, um bom desafio para os “mineirinhos desconfiados“: para se conectar de verdade, trocar experiências e colaborar, é preciso confiança. Resolveremos esse obstáculo de confiança obtendo boas indicações, para essa busca conte com sugestões de amigos, clientes, parceiros, fornecedores e especialistas com alto potencial de conexão. Na teoria de redes sociais chamamos o valor dessa colaboração de “a força dos laços fracos”, pois transmitimos parte de nossa reputação para as pessoas que indicamos. No mundo hiperconectado, há pessoas que geram riqueza com isso se tornando influenciadores digitais.

 

Minas Gerais é um celeiro de talentos espalhados por todo Brasil e atuando em diversos segmentos de mercado. O simples fato de ser mineiro pode te ajudar a iniciar uma conversa com alguém que possa vir a trazer luz em tempos de trevas no seu negócio. Portanto, use sempre alguma afinidade para alavancar suas novas conexões.  

 

Agora, depois de conhecer, confiar, colaborar – é preciso capturar valor. Ou seja, trazer valor dessa conexão e para isso, a dica é a velha conhecida ferramenta de gestão chamada benchmarking

 

 

Para estabelecer uma meta pessoal você geralmente busca uma referência. Uma pessoa que você define como ídolo ou tem, no mínimo, admiração pelo trabalho exercido. Possivelmente, um menino ao jogar futebol vai se inspirar no craque do momento. Em tempos de transformação digital, as crianças querem se tornar Youtubers, mas isso é conversa para um outro artigo. 

 

Na empresa este processo acontece de forma análoga. Busca-se uma maneira de estabelecer uma meta que irá garantir a superação na eficiência de algum processo do negócio com vistas a ter excelência em algo que você faça. Pode ser atendimento, vendas, produção, contratação, processo de inovação ou busca de financiamento, qualquer coisa mesmo. A este propósito dá-se o nome de benchmarking que tem um correlato japonês dantotsu, que significa “lutar pelo melhor do melhor”.

 

Portanto benchmarking deve ser um processo contínuo e sistemático que visa melhoria com base na observação de um padrão de excelência. Nessa tarefa devem ser focadas as melhores práticas buscando, para efeito de comparação, o melhor referencial (interno ou externo) em produto, serviço ou processo. Em tempos turbulentos, os exemplos do que não deu certo também podem te ajudar a evitar problemas ou até mesmo propor fazer diferente. Lembre-se: deu errado naquele contexto, talvez você possa adaptar à sua realidade para dar certo. 

 

Muitos empresários e suas equipes viajam pelo Brasil e pelo mundo para avaliar e conhecer líderes de mercado em seus segmentos. Até pouco tempo atrás estava na moda visitar os ecossistemas do Vale do Silício ou de Israel para “aprender como inovar”. Não fique apenas no turismo e fotos! É importante ressaltar que deve buscar a melhor empresa naquele processo – não necessariamente será seu concorrente direto em seu segmento. Até melhor que não seja mesmo, não é? 

 

Buscando uma referência bibliográfica, segundo John Oakland, em seu livro “Gerenciamento da Qualidade Total”, existem quatro tipos básicos de benchmarking

O benchmarking deve ser praticado continuamente. Empresas líderes de mercado, como a Cervejaria AmBev, demonstram e mantêm este processo dentro de suas funções de estratégia organizacional. 

 

É momento então de colocar isto em prática. Responda e anote as seguintes questões, use sua empresa ou seu último trabalho como ponto de referência:

 

a) Qual é a empresa no mercado independente do meu segmento que possui um processo diferenciado do qual preciso melhorar?

b) Quais as diferenças entre meu serviço e essa empresa?

c) Em quais critérios minha empresa tem potencial de se aperfeiçoar?

 

Geralmente, por estar diretamente envolvido, a atividade de benchmarking pode parecer corriqueira demais ou de difícil identificação. Para isto siga experimentando e aperfeiçoando os processos. Por fim, não se esqueça destes cinco passos para ter um processo de benchmarking efetivo:

 

  1. Estimule seu time a fazer benchmarking;
  2. Fomente uma rede de colaboração;
  3. Registre com fotos e anote insights das experiências;
  4. Proponha um dia e horário para compartilhar todos os aprendizados;
  5. Crie um plano de ação do que é viável de implementar

 

Conecte-se, aprenda, compartilhe e inove!

 

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