Risco de 3ª onda da COVID-19 em Belo Horizonte

Infelizmente, engana-se quem acredita que estamos livres da pandemia causada pelo novo Coronavírus. 

Na capital mineira, a possibilidade de uma terceira onda de COVID-19 é real e alarmante.

Leia este artigo e acompanhe os dados levantados em um esforço conjunto entre o Conselho Empresarial de Economia e o Conselho Empresarial de Saúde para a Associação Comercial de Minas Gerais – ACMinas.

Boa leitura.

Terceira onda da COVID-19: risco é real em Belo Horizonte 

Ainda estamos passando por tempos difíceis em Minas Gerais, em função das consequências da pandemia da COVID-19. 

E a ACMinas alerta todos os associados sobre a importância de reforçar medidas de controle da circulação e aglomeração de pessoas, no interior dos estabelecimentos comerciais, para evitar o risco de um novo regime de fechamento do comércio na capital. 

Os indicadores mais recentes da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) demonstram que estamos evoluindo bem no processo de vacinação da população da cidade, mas, ao mesmo tempo, há outros indicadores sugerindo riscos eminentes do surgimento de uma terceira onda na cidade.

Desde março/2020, Belo Horizonte já passou por cinco decretos de fechamento e/ou restrição parcial de atividades econômicas, sendo que os setores de comércio e serviços foram os mais afetados.

O resultado destes 15 meses de insegurança e processos de “abre e fecha” do comércio foi o crescimento elevado no fechamento de estabelecimentos em BH (pedidos de recuperação judicial ou falência) e, consequentemente, o forte aumento do desemprego.   

Um levantamento recente da Serasa Experian, por exemplo, mostrou que somente em março de 2021, ocorreram 95 novos pedidos de falência em todo o Brasil – crescimento de 58,3%, em comparação com o mesmo período de 2020. 

Em relação aos pedidos de recuperação judicial, dados da Serasa Experian registram 1.179 casos em 2020. Entre janeiro e fevereiro deste ano, houve um crescimento de 83,7% nos pedidos de recuperação, segundo dados divulgados pela Consultoria. 

O número de requerimentos de fevereiro também é 11% maior em comparação ao mesmo mês do último ano. Os dados deixam claro ainda que as mais afetadas são as micro e pequenas empresas, dado a maior dificuldade de acesso a crédito.

Análise dos indicadores recentes

Os dados, apresentados a seguir, comparam o quadro atual da pandemia da Covid-19 em Belo Horizonte com dois momentos em que os índices de incidência da doença e os níveis de ocupação de enfermarias e UTIs hospitalares encontravam-se desfavoráveis. 

Foram selecionados dados relativos à primeira semana de março/21 a meados de julho/21, o  primeiro, sendo o maior pico da pandemia, comparativamente ao Boletim Epidemiológico da PBH (BE – PBH) do dia 14/03/2021. 

O objetivo é alcançar uma percepção sobre o nível de risco de Belo Horizonte entrar numa terceira onda da pandemia, obrigando o poder público municipal a retroceder no processo de normalização das atividades comerciais e de lazer da cidade.

O primeiro dado selecionado refere-se ao comportamento da incidência de Covid-19 por cada 100.000 habitantes. Os gráficos 1, 2 e 3, abaixo, demonstram que, na semana de 23/06/2021, a média móvel de casos (acumulada em 14 dias) estava muito próxima a março/21 (pior mês da pandemia) com 468 casos em 18/03/2021. 

A média móvel apurada no BE – PBH de 23/06/2021 alcançou o valor de 411,4 casos/100.000 habitantes, contra 468 casos em 18/03/2021, e 318,3 casos em 15/07/2021. Indicador muito próximo, portanto, do pior momento da pandemia.

Trata-se de uma situação que não é tranquilizadora, podendo debandar para um descontrole e esgotamento da infraestrutura hospitalar.

Gráfico I

Incidência de COVID−19, acumulada nos últimos 14 dias, por 100.000 habitantes.

Dados observados até o dia 14/03/2021

Gráfico II

Gráfico II

Incidência de COVID−19, acumulada nos últimos 14 dias, por 100.000 habitantes.

Dados observados até o dia 22/06/2021

Gráficos III

Gráfico III

Incidência de COVID−19, acumulada nos últimos 14 dias, por 100.000 habitantes.

Dados observados até o dia 15/07/2021

 

Ao analisar os gráficos 4, 5 e 6, abaixo, identifica-se que apesar dos números desconfortáveis relativos à incidência da Covid-19 na população, os indicadores de transmissão da doença e do nível de ocupação da estrutura hospitalar da cidade mostram uma situação razoável.

Gráfico IV

Indicadores de Monitoramento – 15/03/2021

Gráficos V

 

 

Gráfico V 

Indicadores de Monitoramento – 23/06/2021

Gráficos VI

 

Gráfico VI

Indicadores de Monitoramento – 15/07/2021

O número médio de transmissão por infectado (RT) estava em 1,03 em 15/07/2021, indicando a regressão no processo de infecção na cidade, número bem mais confortável frente a março/2021, quando o RT alcançou relação de 1,22. 

Ao analisar o nível de ocupação da estrutura hospitalar de BH, dedicada ao tratamento da Covid-19 (SUS + Saúde Suplementar), identifica-se também que os números sugerem uma situação administrável. Conforme os Boletins Epidemiológicos da PBH, da semana de 21 a 26 de junho, o nível de ocupação das enfermarias (Covid-19) oscilou entre 50% e 55%, agora em 15 de julho 47%, contra 67% em 05/01/2021 e quase 90% em 15/03/2021. 

Já em relação à ocupação das UTIs Covid-19, o número não era tão tranquilizador. Em 23/06/2021, 70,1% dessas Unidades estavam ocupadas, contra 83,5% em janeiro/2021 e 100,8% em 15/03/2021. Agora em 15 de julho período maior expectativa com a recuperação em 62,4%.

Tabela I

Tabela 2

Notas: 1) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH e 100% dos 22 hospitais da Rede Suplementar de Saúde de BH.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – 23/6/2021.

 

Tabela II

Notas: 1) Valores informados contemplam 100% dos 24 hospitais da Rede SUS-BH e 100% dos 23 hospitais da Rede Suplementar de Saúde de BH.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – 15/7/2021.

 

Trata-se, portanto, de um número que se entrar numa trajetória de alta há o risco de a PBH decretar novos controles no funcionamento das atividades econômicas, como forma de conter a circulação e aglomeração das pessoas. 

Principalmente, quando se leva em conta que a estrutura de UTIs Covid-19 do SUS já alcançou ocupação que supera os 75%.

Isso demonstra que o gestor teria pouca flexibilidade para reestruturar a unidade hospitalar visando destinar novos leitos/UTIs ao tratamento da Covid-19, na hipótese de um novo surto de aumento da doença na cidade.  

Combinado com estes dados nada confortáveis, identifica-se que – de acordo com os gráficos 13, 14 e 15 abaixo – o Índice de Isolamento Social da cidade apresenta números muito próximos daqueles verificados nos piores momentos da pandemia. Isso representa um fator perigoso para elevar os índices de transmissão por infectado, apesar da boa evolução do processo de vacinação na capital mineira. 

Por último, vale avaliar a evolução do processo de vacinação na cidade. 

Vacinação na capital mineira

Ainda que o trabalho de vacinação em BH seja analisado como positivo pelos especialistas, a pandemia ainda resiste na cidade e no Brasil.

No Boletim Epidemiológico da PBH, de 15/07/2021 (Tabela III, abaixo), consta que 55,9% da população residente de BH já estava imunizada com a 1ª dose da vacina. Já o percentual de vacinados com a 1ª e 2ª dose alcançou percentual de 21%, um patamar pouco confortável. 

Apesar disso, não há dúvida de que, ao conseguir que mais da metade da população já esteja parcialmente imunizada, o risco de que um novo surto da doença caminhe na direção dos casos de maior gravidade, que exija a internação em UTIs, parece cada vez mais remoto. 

A maior preocupação daqui para frente fica por conta da marcha da vacinação, que ainda está lenta no país diante da escassez do produto, fator agravado pela falta de articulação do governo federal com as principais fabricantes e os estados.

Tabela III

Situação da vacinação em Belo Horizonte – 15/07/2021:

Referência Dado
População de 18 anos ou mais – Público alvo vacinação* 2.037.913
Vacinados com 1ª dose 2.521.564
Percentual vacinados com 1ª dose/Público alvo 55,9%
Vacinados com a 2ª dose 470.869
Percentual vacinados com 2ª dose/Público alvo 21,0%
Percentual de vacinados não residentes em BH  18,4%

* Público-alvo:

  • População de 56 anos ou mais.
  • Pessoas com comorbidades, incluindo gestantes e puérperas com comorbidades e portadores de deficiência permanente beneficiários e não beneficiários do Benefício de Prestação Continuada (BPC).
  • Trabalhadores da Saúde em atividade.
  • Forças de Segurança e Salvamento, Forças Armadas e Funcionários e População do Sistema de Privação de Liberdade.
  • Trabalhadores da educação em atividade.
  • Outros Grupos: Trabalhadores e residentes de ILPI, SRT e Residências Inclusivas, Comunidades tradicionais, dentre elas, quilombolas, População de rua, Trabalhadores do transporte aéreo em atividade, Trabalhadores da limpeza urbana em atividade, Trabalhadores do transporte coletivo rodoviário e metroviário em atividade, Caminhoneiros em atividade.

Fonte: Registro Manual de Vacinados – DPVS/GIS/SMSA/PBH – atualizado em 15/7/2021.

Conclusão

Com base nos dados apresentados neste documento, tudo indica que Belo Horizonte alcançará um nível confortável de imunização na cidade, com algo entre 60% e 70% de sua população alvo vacinada com a 1ª e 2ª dose, até setembro ou outubro/2021.

Portanto, parece baixa a probabilidade da Prefeitura de BH precisar retroceder no processo gradual de normalização das atividades comerciais e de circulação das pessoas. Temos pela frente, contudo, três fatores de risco principais a monitorar: as férias escolares de julho, que certamente podem provocar aglomerações, combinado com o risco padrão observado nesse período do ano relacionado ao crescimento de doenças respiratórias em geral. 

Além disso, é necessário observar o comportamento da pandemia e nível de ocupação da infraestrutura hospitalar nos demais municípios do estado, especialmente na Região Metropolitana de Belo Horizonte, visto que um descontrole nessas localidades poderá pressionar o sistema hospitalar da capital. 

Dependerá da sociedade a consciência coletiva para evitar qualquer retrocesso.

 

Acompanhamento da Ocupação de Leitos – Estrutura hospitalar em Belo Horizonte:

 

Gráfico VII

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – Enfermaria COVID – Rede SUS-BH

(até 18/03/2021)

Gráfico VII

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 19/3/2021.

Gráfico VIII 

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – Enfermaria COVID – Rede SUS-BH 

(até 22/06/2021) 

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 

100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica. 

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 23/6/2021. 

 

Gráfico IX

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – Enfermaria COVID – Rede SUS-BH

(até 15/07/2021)

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 15/7/2021.

 

Gráfico X

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – UTI COVID – Rede Suplementar

(até 18/03/2021)

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 19/3/2021.

 

 

Gráfico XI

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – UTI COVID – Rede SUS-BH

(até 22/06/2021)

Gráfico XI

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 23/6/2021.

 

Gráfico XII

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – UTI COVID – Rede Suplementar

(até 22/06/2021)

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2)Exibindo semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede SUS-BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 23/6/2021.

 

Gráfico XIII 

Evolução do nº de leitos, pacientes e taxa de ocupação – UTI COVID – Rede Suplementar 

(até 14/07)

Notas: 1) SE – Semana Epidemiológica. 2) Exibindo somente semanas ímpares e semanas em andamento. 3) Valores informados contemplam 100% dos 22 hospitais da Rede Suplementar de Saúde de BH. 4) Dados referentes ao último dia da Semana Epidemiológica.

Fonte: Censo de Internações Hospitalares – GIS/SMSA-BH – atualizado em 15/7/2021.

 

Índice de Isolamento Social em Belo Horizonte:

 

Gráfico XIV

Índice de Isolamento Social em Belo Horizonte (25/02/2021 a 17/03/2021)

Gráfico XIV

Destaques para os sábados, domingos e feriados

 

 

Gráfico XV

Índice de Isolamento Social em Belo Horizonte (até 21/06/2021)

Gráfico XV

Destaques para os sábados, domingos e feriados

Gráfico XVI

Índice de Isolamento Social em Belo Horizonte – 23/6/2021 a 13/7/2021.

 

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