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Sucessão, um desafio para as empresas familiares

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Ao envolver transferência de poder – fator que inclui desde a natural mudança de estilo na gestão até a emergência de vaidades pessoais –, o processo da sucessão em empresas familiares resulta, não poucas vezes, numa gradual, mas inexorável ineficácia administrativa que pode levá-las à extinção. Segundo a consultora Juliana Costa, as empresas familiares representam 85% dos negócios no mundo, mas apenas 4% delas conseguem chegar à quarta geração.

“Quando se fala em empresa familiar”, afirma Juliana, “estamos falando de uma família. São emoções, ressentimentos, mágoas, disputa de poder, vaidades, ciúmes, inveja e todos os sentimentos inerentes ao ser humano”, lembra. “E quando a gente junta tudo isso dentro de uma empresa as questões costumam se complicar”. Segundo a consultora, trata-se de um processo que precisa ser muito bem conduzido e que demanda tempo. “É comum que a sucessão aconteça em momentos difíceis, e isto desestabiliza a empresa. Quando isto ocorre, a família pode não estar pronta, o sucessor não está preparado e às vezes nem a própria empresa. E conclui: “a sucessão precisa ser planejada e os talentos identificados segundo o critério de que a competência é fundamental e imprescindível”.


Marco, Simone e Marco Aurélio: sucessão orientada 

O papel da consultoria

Uma boa parte desses empreendimentos, no entanto, consegue – com ou sem o auxílio de consultorias – preservar o sucesso da gestão. A Matur, empresa de prestação de serviços contábeis, é uma das que obtiveram êxito neste processo. Fundada em 1963 pelo contador José Mateus Filho, que levou seus filhos a participar do trabalho, a empresa, no entanto, deparou-se com as rápidas e profundas mudanças tecnológicas, e com elas, foram implantados os primeiros sistemas na firma. Mas como era preciso muito mais para que fossem obtidos resultados expressivos, surgiram as primeiras divergências. “As ideias do fundador e as dos sucessores quanto a este processo não se alinhavam“, lembra Mário Mateus, hoje CEO da empresa. “Passamos por um período de grandes divergências familiares, mas conseguimos equacionar os problemas.”

Para tanto, a Matur recorreu à Fundação Dom Cabral, onde os sucessores participaram de reuniões semanais, durantes três meses, nas quais discutiam-se os projetos e objetivos. “Depois disso nos reunimos com nosso pai, José Mateus Filho, também em reuniões semanais, durante três meses”, lembra Mário. “Foi um período desafiador, mas conseguimos definir os papéis de cada um na empresa, o planejamento estratégico e outras questões básicas, como o mapeamento de processos e definição de metas”.

Com isto, a sucessão foi se desenhando e o fundador, José Mateus Filho, foi se distanciando dos processos internos da empresa. “Hoje, a minha irmã Simone Mateus é a responsável pela área do Imposto de Renda Pessoa Física, meu irmão Marco Aurélio Mateus é o CFO da empresa e eu sou o CEO”, relata. “Agora já estamos na terceira geração e sabemos que a futura sucessão será, certamente, diferente”.


Modesto Araújo e as filhas Silvia e Cristina Araújo

Na Drogaria Araujo, uma sucessão natural

Neto do fundador da Drogaria Araujo, que abriu a primeira loja em 1906, seu atual presidente, Modesto Carvalho de Araújo Neto deu sequência a um processo de sucessão que, desde o início, aconteceu de forma natural, dentro da “hierarquia” familiar. Modesto passou a integrar a diretoria da empresa em 1984, compartilhando-a com os irmãos Marco Antônio e Eduardo – este, então, presidindo a organização. Naquela época, com apenas nove lojas, a empresa ainda mantinha as características de um negócio familiar, mas logo daria início a um novo ciclo, em que a gestão passou por uma reestruturação.

Com a morte dos irmãos, Modesto, assumiu em 2004 a Presidência. Coube a ele chamar a si a responsabilidade de conduzir os destinos da empresa e prepará-la para uma expansão planejada e sustentável. E o fez mesmo quando, numa época de incertezas, via-se como recomendável um estilo de comando mais conservador. Mas não para ele, que sempre se pautou por uma postura de ousadia e visão inovadora de futuro.

A partir daí o crescimento da empresa se acentuou, a ponto de transformar-se na maior rede de drogarias de Minas Gerais. Iniciou-se então um processo de expansão que a levaria de suas nove lojas para as mais de 200 de hoje. E continua em franco crescimento, visando ao interior do Estado, onde, somente no ano passado, foram abertas 32 novas filiais. Prova do sucesso do modelo de gestão é que, nos últimos anos, todas as redes nacionais do setor entraram na região de atuação da Araujo. Mas mesmo assim a empresa conseguiu ganhar market share em todos os locais que está presente.

O sucesso do “Kaol”

Na década de 1940, o Café Palhares – então uma “quitanda-cafeteria”, como lembra João Lúcio Ferreira, que juntamente com seu irmão Luís Fernando controla o negócio – foi adquirido pelo, João Ferreira. Aos poucos, o estabelecimento foi ficando conhecido em Belo Horizonte, e o nome Palhares, que se manteve, tornou-se uma referência no centro da cidade com seus petiscos variados e, principalmente, com o famoso “Kaol” – sigla de kachaça (assim, com “k”), arroz, ovo e linguiça. Uma curiosidade, segundo os proprietários, a permanência do nome original . “Isto deveu-se ao fato de, à época em que o pai comprou o restaurante, a mudança de razão social custaria um valor considerável”, lembra João Lúcio. 

A transição de comando no Café Palhares começou na década de 1980, com a entrada dos filhos nos negócios, quando a sucessão começou a se desenhar. Eles foram os responsáveis pela modernização e organização das finanças. “Nem meu pai imaginava que isto iria acontecer”, lembra João Lúcio. “Ele dizia que nos anos 1990 o Café Palhares não mais existiria.” Hoje, no entanto, a família não apenas adquiriu o imóvel em que o negócio está instalado como, também, mantém integralmente a sua gestão. “Nada aconteceu de forma  abrupta”, afirma ele. “Os filhos sempre estiveram ativos em relação ao negócio, cresceram com o Café Palhares e aprenderam sob o olhar do pai.”

Segundo, ele, é o princípio do herdeiro e da herança. “A herança cai de paraquedas, muitas vezes nas mãos de quem não sabe nada do que está acontecendo. Mas quando os herdeiros já acompanhavam os procedimentos da empresa eles, ao assumi-la, já sabem como as coisas funcionam. Aí, é só dar continuidade”.

Hoje o Café Palhares se prepara para a terceira geração, embora Bruno, filho de João Lúcio, tenha passado pela experiência sem, contudo, ter permanecido no negócio. Já seu primo André, filho de Luís Fernando, continua auxiliando na administração da firma. De acordo com seu pai, “a gente vai preparando a sucessão, pode ser que aconteça, pode ser que não. A gente pensa é no dia de hoje”.

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