CARO ASSOCIADO

Material escolar: comércio reduz preços para não perder vendas

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Felipe Quintella - Estado de Minas 
postado em 14/01/2020 04:00 / atualizado em 14/01/2020 07:42
A maior parte da lista de material escolar está mais barata em Belo Horizonte neste ano do que em 2019. A conclusão é do site de pesquisas Mercado Mineiro, que cotou os preços de 82 produtos em nove estabelecimentos da capital, na quarta e quinta-feira da semana passada, e os comparou aos valores do mesmo período de 2019. Entre os itens que mais baratearam, estão cola, fita crepe, massa de modelar e caderno. Porém, a pesquisa também verificou aumentos em alguns preços, como os do lápis preto e de cor, grafite para lapiseiras e pastas de elástico.
 
 
Segundo o levantamento de dados, o produto que sofreu maior queda no preço em um ano foi a cola branca de 90 gramas, da marca mais cara encontrada. Enquanto o preço médio no ano passado era de R$ 5,80, a pesquisa encontrou o produto por R$ 2,95, agora, o que representa redução de 49,14%. Já a caixa de massa de modelar de marca, com 12 cores, ficou em média 29,39% mais barata, mediante a queda do preço médio de R$ 7,77 para R$ 5,49 no período analisado.
 
As quedas de preço surpreenderam o coordenador do site Mercado Mineiro, Feliciano Abreu. Na análise de Abreu, como o poder aquisitivo do consumidor está pressionado por fatores como a alta do dólar, as papelarias podem estar reduzindo as margens de lucro para garantir as vendas. A pesquisa verificou queda de 26,42% no preço médio do caderno tipo brochurão, de capa dura com 96 folhas, licenciado. Em janeiro de 2019, o preço médio era de R$ 10,02 e hoje está em R$ 7,37.
 
A tesoura de inox com ponta redonda, das marcas mais caras, ficou em média 22,32% mais barata: em 2019, o preço médio era de R$ 9,23 e passou para R$ 7,17 este ano. Ainda de acordo com a pesquisa, a caneta esferográfica mais cara do mercado é encontrada ao preço médio de R$ 13,38 em BH, enquanto que o consumidor encontra a borracha com capa plástica genérica por R$ 2,36, em média.
 
A pesquisa do site Mercado Mineiro chegou a conclusão que os cadernos licenciados, com estampas de personagens ou marcas, ficaram mais baratos em relação ao ano passado, enquanto os genéricos, sem estampas, encareceram. Feliciano Abreu explica que a demanda pelos cadernos mais baratos está maior, o que leva à alta nos preços. “Mostra claramente que os pais estão pensando duas vezes na hora de gastar com luxo”, afirma. Ainda assim, ele acredita que os produtos mais simples devem vender mais, já que a diferença para os mais caros ainda é expressiva.
 

Uso diário 

 
Por outro lado, de acordo com a pesquisa, o item que ficou mais caro em um ano foi a pasta aba elástico, que sofreu aumento de 81,85% no preço médio, saindo de R$ 5,95 para R$ 10,82. Já o preço médio do lápis preto nº 2 HB, da marca Faber Castell, teve alta de 81,34% se comparado com o ano passado. A diferença é de R$ 1,11, mediante o preço atual de R$ 2,01. Outro reajuste considerável ocorreu no preço médio da caixa de lápis de cor, com 12 unidades. O valor em janeiro do ano passado era de R$ 0,59 e agora está em R$ 0,73, alta de 24,29%.
 
Para economizar, a engenheira civil Renata Araújo, de 45 anos, comprou apenas os materiais de uso diário para a filha Rafaela, de 13 anos. “A maioria dos materiais eu já tinha do ano passado. Então, o que mais comprei foi grafite, borracha, caneta e caderno”, conta. Como a filha gosta de comprar na mesma papelaria, Renata não chegou a pesquisar os preços. “Os preços estão mais ou menos, no ano passado eu tinha comprado alguns materiais e lembro de alguns valores. Está dentro da média”, diz.
 
De acordo com Feliciano Abreu, as altas nos preços de material escolar são comuns nesse período do ano, já que a demanda é alta. “Volta às aulas é o Natal das papelarias, há uma tendência muito forte de aumento do preço”, explica. A Associação Brasileira dos Fabricantes e Importadores de Artigos Escolares (Abfiae) estima que os preços nas papelarias sofram alta de 8% este ano, acima da inflação oficial de 2019, de 4,31%.
 
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Contudo, na avaliação de Abreu, o melhor momento para comprar o material escolar é no início da segunda quinzena de janeiro. “Se deixar para comprar na última hora os preços podem cair, mas é mais difícil negociar, porque as lojas estarão lotadas”, afirma.
 
A estratégia da professora Elisângela Martins, de 44 anos, é aproveitar para comprar em maior quantidade alguns itens, como cadernos, quando encontra preços melhores. “Em casa já tenho muita coisa. Então estou comprando aquilo que não tenho”, diz.
 
*Estagiário sob a supervisão da subeditora Marta Vieira
 
 

Compra em grupo alivia o bolso

 
Para cortar custos tanto nas listas de papelaria quanto de livros didáticos, alguns pais decidem se juntar. É o caso do administrador de empresas Carlos Eduardo Soares, de 51 anos. Ele comprou todos os livros para a filha Rafaela, de 10, direto da editora, participando de um grupo de 20 pais. Para Feliciano Abreu, iniciativas desse tipo são uma boa ideia. “Trocando informações, os pais tendem a ter um poder muito maior de negociação”, avalia.
 
Outra recomendação do coordenador do site Mercado Mineiro é ficar atento às condições de pagamento. Feliciano Abreu afirma que é preciso tomar cuidado com a opção de parcelamento em 10 vezes sem juros, anunciadas por algumas papelarias. “Tem que saber, de fato, se os produtos não têm juros embutidos. Corre o risco de ficar preso no cartão de crédito”, alerta.
 
De acordo com a gerente da livraria e papelaria Leitura da Avenida Paraná, no Centro de Belo Horizonte, Marilis Moreira, muitos pais perguntam sobre descontos e pretendem pagar à vista. Ela conta que alguns consumidores cortam alguns itens da lista que julgam exagero por parte das escolas. “Eles levam só o essencial, que o aluno vai precisar. Vai de cada cliente”, diz.
 
De acordo com o Sindicato das Escolas Particulares de Minas Gerais (Sinep-MG), as escolas tentam aliviar o bolso dos pais diminuindo as listas ou implementando o uso coletivo de livros e campanhas de doação de materiais usados. “Antigamente, era comum a escola pedir uma lista muito ampla, que envolvia diversos materiais de uso coletivo. Hoje em dia, a maior parte das escolas pede apenas o que cada aluno for usar individualmente”, afirma a instituição, por meio de assessoria. A atitude vai de acordo com a lei federal número 12.886, de 2013, que proíbe que as escolas exijam a compra de material de uso coletivo.
 
Em um período de custos elevados como o início de ano, as papelarias tentam garantir as vendas anunciando descontos e promoções. A rede de papelarias Kalunga, por exemplo, implementou a campanha “Seu caderno vale desconto”. A cada um quilo de folhas de caderno usadas, a rede oferece R$ 1,50 de desconto na compra de cadernos universitários. APort Papelaria oferece descontos de até 30% em cadernos, canetas e lápis, válidos somente na loja virtual da rede, até 10 de março.
 
O gerente comercial Leonardo Rodrigues, de 31 anos, costuma comprar para a filha Thaís, de 12, os materiais intermediários. “Quando é bom, se não tiver tem que comprar o mais caro mesmo”, diz. De acordo com Feliciano Abreu, visitar duas ou três papelarias pode render economia de 20% a 30% no valor total da lista.
 

Análise da notícia

 
'Sem dó'
 
 
Marta Vieira

É preciso ter calma paa avaliar a queda de preços neste mês. Nos últimos cinco anos até 2019, a conta do material escolar em Belo Horizonte atacou o bolso do consumidor, em alguns casos sem pudor, com base em dados apurados pela Fundação Ipead, vinculada à UFMG, responsável pelo cálculo do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) na capital. As revistas infantis lideraram as remarcações no ano passado, com aumento médio de preços de 13,04%, quase 2,5 vezes o IPCA medido no período, de 5,23%. Os gastos decorrentes desse item já haviam sido indigestos em 2017 e 2016, com reajustes fartos, de 13,40% e 10,23%, respectivamente, e bem superiores à inflação anual, de 3,94% e 7,86%. Os livros e revistas técnicas (livro didático) exibiram performance também impressionante em 2019, exibindo elevação de preços sempre acima do custo de vida de 2016 a 2019. No ano passado, o aumento foi de 6,38%.. O nó no orçamento explica a corrida dos pais atrás de ofertas, troca de material e reciclagem, o que nem sempre é possível. Difícil explicar tal comportamento dos preços. 

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