Aloísio Vasconcelos palestrou sobre voto distrital na ACMinas

Evento dessa terça-feira (2) teve a presença do ex-deputado federal

O ex-deputado federal Aloísio Vasconcelos teceu duras críticas ao sistema instalado na política brasileira, inclusive criticou o fundão partidário, durante o segundo ciclo do Seminário Permanente da Reforma do Estado (Reforma Política em Sentido Amplo), promovido pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). O tema apresentando por Vasconcelos foi a “Reforma Política: Voto Distrital”, que aconteceu nessa terça-feira (2), na sede da entidade, em Belo Horizonte.

“Temos cerca de 20 partidos no País com vida partidária atuante que não estão preocupados com a pátria, mas, sim, com o montante do fundo partidário. Esse cenário cria no sistema de voto atual uma figura repugnante, onde os eleitos se preocupam mais com os R$ 36 bilhões a serem distribuídos do que com a população. É muito sério isso e o que pode contrapor a essa situação é a implantação do voto distrital”, afirmou.

No sistema proporcional, é utilizado o quociente eleitoral, que é o número de votos válidos apurados dividido pelo número de vagas no parlamento. Esse resultado significa o número de votos que cada partido político ou coligação de partidos deve alcançar para ter direito a uma vaga para vereador ou deputado.

Já no sistema distrital seria retomada a ligação entre representante e representado, pois o sistema consiste em dividir a circunscrição eleitoral de um estado ou de um município em um número de distritos que corresponda ao número de vagas em disputa a serem preenchidas. Cada distrito teria os seus candidatos, que disputariam a eleição para representá-lo no Poder Legislativo. “Os países que adotam este tipo de votação exigem que os candidatos morem no distrito. Já na Alemanha, para participar é necessário que o candidato tenha uma residência fixa”, comparou.

O palestrante também levantou a questão da entrada de novos partidos políticos no cenário nacional. “O Brasil tem hoje 54 partidos com pedido de registro. Convenhamos que está além do limite da seriedade e da boa vontade. São cerca de cinco vertentes políticas e essa “liberdade” que está levando a uma esculhambação enorme, com criação de partido para todo lado. Temos que ter um pouco mais de consciência política, o que conseguiremos apenas através da mobilização social,” salientou.

Aloísio Vasconcelos é engenheiro, trabalhou em multinacionais dentro e fora do País, comandou estatais como a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e a Eletrobras, além de atuar na política, contribuindo para elaboração de projetos importantes como Luz para Todos e o Plano Nacional de Informática.

Segundo o presidente da ACMinas, José Anchieta da Silva, o objetivo com esses seminários é resumir os pleitos da comunidade empresarial sobre as reformas e levar para as autoridades. “O Congresso Nacional, como está, é composto por uma parte de incapazes e a outra metade de capazes de tudo. E quem está representando os nossos interesses?”, questionou o dirigente.

Compuseram a mesa do evento o presidente da ACMinas, José Anchieta da Silva; o ex-deputado constituinte Aloísio Vasconcelos; o ex-presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz Filho, e o ex-vice- governador e empresário, Paulo Brant.

Fonte: Diário do Comércio 03-04-2024

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