Alta dos juros deixa o empresariado tenso

Por Diário do Comércio

Crédito: REUTERS/Adriano Machado

Brasília – O Banco Central (BC) anunciou ontem a segunda alta consecutiva de 0,75 ponto percentual da taxa básica de juros, para 3,50%, e indicou a intenção de fazer novo aperto da mesma magnitude em sua próxima reunião, em junho. O movimento ocorre em meio ao aumento persistente da inflação corrente e das expectativas para a inflação de 2022.

“Neste momento, o cenário básico do Copom indica ser apropriada uma normalização parcial da taxa de juros, com a manutenção de algum estímulo monetário ao longo do processo de recuperação econômica”, afirmou o Comitê de Política Monetária (Copom) em comunicado.

“Para a próxima reunião, o comitê antevê a continuação do processo de normalização parcial do estímulo monetário com outro ajuste da mesma magnitude”, acrescentou o colegiado, ressaltando que os passos futuros poderão ser ajustados para assegurar o cumprimento da meta de inflação.

O aumento de 0,75 p.p. era amplamente esperado pelo mercado, após o Copom ter explicitado a intenção de repetir em maio a dose de aperto promovida na reunião anterior, em março, quando a Selic foi elevada pela primeira vez em quase seis anos.

Todos os 29 analistas entrevistados em pesquisa Reuters realizada em 28 e 29 de abril previam uma alta de 0,75 p.p. para esta reunião.

O País tem sofrido uma escalada da inflação, sob a pressão da alta de preços de commodities e de combustíveis, mesmo em meio à intensificação das medidas de restrição devido ao recrudescimento da pandemia de Covid-19.

O IPCA superou os 6% nos 12 meses até março, acima do teto da meta deste ano, que é de 3,75%, com margem de tolerância de 1,5 ponto para mais ou para menos. Expectativa do mercado é que a inflação feche o ano em 5,04%, segundo a mais recente pesquisa Focus do BC.

Para 2022, horizonte em que está agora focada a política monetária, as expectativas do mercado apontam para uma inflação de 3,61%, acima da meta central para o período, que é de 3,5%, também sujeita à margem de tolerância.

Ao elevar os juros em março, o BC anunciou estar dando início a um processo de “normalização parcial” da política monetária, indicando a intenção de ainda manter um estímulo à economia, com os juros abaixo do patamar considerado neutro (6,5%, segundo cenário básico citado pelo BC no mês passado).

O mercado espera que a Selic feche este ano em 5,50%, chegando a 6,25% no final de 2022.

Setores – Para o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH), Marcelo de Souza e Silva, o anúncio não surpreende, mas é recebido com tensão e receio.

“Esse aumento traz diversos impactos para a economia em todos os níveis. Para o comércio, em especial, a expectativa é que o setor sofra impactos como aumento do custo do crédito, cheque especial mais caro, elevação do custo do cartão de crédito, diminuição dos prazos de pagamento, queda do poder de compra do consumidor e lentidão no crescimento das vagas de emprego”, disse em nota à imprensa.

Opinião na mesma linha foi registrada pelo presidente da ACMinas, José Anchieta da Silva, que fez um alerta: “Assim, não podemos deixar de alertar o efeito adverso que a alta dos juros tem sobre as famílias e as pequenas empresas. Por isso, precisamos cobrar do governo medidas urgentes que possam contrabalancear esse impacto negativo na economia”, destacou em comunicado.

Para a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), “o processo de expansão da taxa de juros, combinado com um cenário de fragilidade econômica e de crise sanitária, gera preocupação”.

“Sem o equacionamento das contas públicas, a solução para o fantasma da inflação continuará sendo o aumento da taxa de juros, medida que só tende a prejudicar a retomada do crescimento econômico brasileiro”, disse o economista da Gerência de Economia e Finanças da Fiemg, Izak Silva. (Com Reuters)

Leia mais: Diário do Comércio|Finanças|
06/05/2021

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