Aluguel residencial recua 0,9% em Belo Horizonte

Por: Juliana Siqueira

O valor médio de locação residencial em Belo Horizonte apresentou queda de 0,9% em novembro na comparação com outubro. No entanto, os números são positivos no acumulado do ano.

Nos 11 primeiros meses de 2020, a alta foi de 5,86%. Já na variação acumulada em 12 meses, houve avanço de 5,62%. Os dados são do Índice FipeZAP de Locação Residencial, divulgado ontem pela Fipe e o ZAP+.

O coordenador do FipeZAP, Eduardo Zylberstajn, ressalta que uma das razões para os incrementos é o ambiente econômico atual. “O ambiente econômico, especialmente com os juros baixos, estimulou bastante a demanda por imóveis. O momento do ciclo do mercado também é favorável: saímos de uma crise recente na qual os preços haviam caído e o nível de oferta de imóveis novos estava baixo”, explica ele.

Já sobre a queda em novembro na comparação com outubro, o coordenador destaca que oscilações são mesmo esperadas, ainda mais tendo em vista a crise sanitária provocada pela pandemia da Covid-19 em curso no País.

“Especialmente no mercado de locação, oscilações no curto prazo são esperadas, ainda mais em um momento de pandemia, incerteza fiscal e em relação ao auxílio emergencial e desemprego alto”, argumenta o especialista.

Aliás, quando o assunto é a pandemia da Covid-19, Zylberstajn explica que os impactos foram vistos em diferentes frentes, tanto no que diz respeito a uma valorização maior das residências quanto no que se relaciona à capacidade de pagamento do aluguel.

“De um lado, fez com que as famílias considerassem melhorar suas condições de moradia por conta do maior tempo em casa. Por outro, os choques econômicos de curto prazo afetam a capacidade de pagamento, especialmente no aluguel”, pondera ele.

Perspectivas – Em relação ao que vem pela frente, quando todo esse momento desafiador chegar ao fim, as expectativas são positivas. Zylberstajn avalia que a tendência é de recuperação no setor. “A minha expectativa é de que, passada a fase crítica da pandemia, o mercado de locação também se recupere, em linha com o mercado de compra e venda”, destaca ele.

Apesar de registrar números positivos no acumulado do ano, o valor médio de locação residencial em Belo Horizonte ainda é um dos menores entre as capitais brasileiras, cotado a R$ 23,46/metro quadrado (m²), o que deixa o município no quarto lugar do ranking. À frente, com valores mais baixos, estão Fortaleza (R$ 17,26/m²), Goiânia (R$ 18,19/m²) e Curitiba (R$ 20,64/m²). Já o maior valor permanece com São Paulo (R$ 40,10/m²).

Em relação aos bairros mais valorizados da capital mineira no que diz respeito à locação residencial, o primeiro colocado é o Belvedere (R$ 39,34/m²), seguido por Boa Viagem (R$ 30,96/m²), Funcionários (R$ 28,52/m²), Carmo (R$ 28,19/m²) e Santo Agostinho (R$ 27,65/m²).

Jornal Diário do Comércio | 17 de dezembro de 2020

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