Ambiente de negócios em BH é destaque em ranking

Fonte: Diário do Comércio

Ainda com muitos desafios a enfrentar, Belo Horizonte vem conseguindo melhorar o ambiente de incentivo às pessoas que pretendem ter sua própria empresa e avançou duas posições no Índice de Cidades Empreendedoras (ICE),passando da 11ª colocação, em 2016, para 9ª colocação este ano. Por outro lado, Uberlândia, no Triângulo Mineiro, recuou duas posições e passou da 17ª para 19ª colocação no mesmo período. As duas cidades mineiras estão entre os 32 municípios do País que constam do levantamento realizado pela Endeavor – ONG de apoio ao empreendedorismo.

Como um dos principais entraves para o empreendedorismo, o estudo de 2017 aponta o ambiente regulatório, que leva em conta tributos e burocracia. Considerando-se apenas esse quesito, a situação da capital mineira piora bastante: BH passa a ocupar a 19ª posição. Já Uberlândia sai ganhando e passa para o 9º lugar. “A burocracia é uma vilã silenciosa que leva a uma série de problemas. Isso desanima o empreendedor”, diz a líder da Endeavor em Minas Gerais, Júlia Ribeiro.

Para se ter uma ideia, na capital mineira gasta-se 41 dias para a abertura de uma empresa. Em Uberlândia, são 53 dias. O tempo médio para a abertura de empresa no Brasil é de 62 dias. Esse é um dos pontos analisados dentro de ambiente regulatório. No País, a melhor média ficou com Cuiabá, com 20 dias, enquanto a pior colocação ficou com Porto Alegre, onde são necessários 163 dias para a abertura de uma empresa. “Nossos vizinhos na América Latina estão fazendo um trabalho muito melhor”, diz. De acordo com a Endeavor, no México, uma empresa pode ser aberta em menos de 10 dias.

Júlia Ribeiro aponta que, no Brasil, 86% das empresas têm alguma irregularidade na esfera federal ou municipal devido à complexidade na hora de pagar impostos. Na capital mineira, 51% das empresas têm alguma pendência com a administração municipal. Segundo o levantamento, de 2013 a 2017, 157 tributos estaduais sofreram algum tipo de alteração. Nesse período, na Capital, foram 52 alterações em tributos municipais.

“O empreendedor já tem muito trabalho para fazer seu negócio dar certo. É importante que o governo seja um parceiro dele. O empreendedorismo é motor do desenvolvimento econômico e social”, considera.

Além de ambiente regulatório, o levantamento leva em conta outros seis tópicos: acesso a capital, mercado, infraestrutura, inovação, capital humano e cultura empreendedora.
Uberlândia alcançou as seguintes colocações: mercado, 16º lugar; infraestrutura, inovação e capital humano, todos em 19º lugar; acesso a capital, 24º lugar; cultura empreendedora, 25º lugar. De acordo com o estudo, a perda de posicionamento de Uberlândia no ranking geral deve-se à melhoria de algumas cidades do Nordeste do país. Além disso, houve interferência do âmbito estadual, devido a mudanças em questões tributárias.

Os melhores índices alcançados por Belo Horizonte foram quanto a acesso a capital (4º lugar) e capital humano (5º lugar). Com relação a capital humano, Júlia Ribeiro ressalta o fato de a Capital ter oferta de mão de obra especializada. “Montar um time bom e forte é o principal desafio para empreendedor em crescimento. E BH oferece essa mão de obra”, diz.

Quanto à infraestrutura e a mercado, a capital mineira está em 17º lugar. A pior colocação é no tópico cultura empreendedora, com BH no 29º lugar. Segundo Júlia, as hipóteses são o fato de o governo atuar como contratante predominante e também a atuação das empresas de grande porte. “Nesse cenário, a prática do empreendedorismo pode perder relevância na percepção das pessoas”, explica.

Júlia Ribeiro reconhece que a PBH vem trabalhando para reduzir a burocracia. Entretanto, como as ações são recentes, os resultados ainda não apareceram na pesquisa da Endeavor. Exemplo disso é que, em outubro, a Prefeitura publicou edital de chamamento público convocando entidades a contribuírem com propostas que facilitem a execução de serviços públicos destinados aos empreendedores.

Campanha – Para combater a burocracia, a Endeavor está lançando a campanha “Burocracia para tudo”. O objetivo é reduzir a burocracia para abrir e fechar empresas, pagar impostos, importar e exportar, entre outros. Para isso, busca-se pressionar gestores públicos em todas as esferas – federal, estadual e municipal – para que priorizem essa pauta. Para o movimento, foi lançado o site www.burocraciaparaturo.com.br que tem uma petição online. Ao clicar no documento, o usuário estará enviando mensagem a 650 políticos entre governadores, deputados, ministros e prefeitos.

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