BC anuncia corte de 0,75 ponto e taxa de juros vai a 7,5 ao ano

Fonte: O Tempo

Sem surpresas, os técnicos do Comitê de Política Monetária (Copom) anunciaram no começo da noite desta quarta-feira (25) o corte de 0,75 ponto porcentual na taxa básica da economia, a Selic, levando a taxa para o patamar de 7,50% ao ano, a menor taxa desde abril de 2013 – quando foi revisada de 7,25% para 7,50%.

Com a atual mudança, a taxa acumula nove quedas consecutivas, um ciclo iniciado em outubro do ano passado e que já foi anunciado pelo BC em sua ata passada, no mês de setembro, estar chegando perto do final.Exatamente por isso o corte de 0,75 ponto porcentual realizado agora representa uma diminuição no ritmo de baixa de juros no Brasil. Nos quatro encontros anteriores, o BC aplicou uma redução de 1 ponto porcentual.

Segundo o economista-sênior do Haitong Banco de Investimento do Brasil, Flávio Serrano, a explicação para a desaceleração encontra fundamento no potencial inflacionário. “Já temos um ano de ciclo e a Selic já andou bastante. Portanto, está na hora de o BC começar a parar”, diz ele. A leitura do mercado é de que, com as baixas sucessivas da taxa, diminuiu o espaço para mais cortes sem que a inflação seja afetada nos próximos anos.

Este tem sido o entendimento do próprio Copom, que no encontro de setembro já havia informado a intenção de começar a pisar no freio em outubro. Tecnicamente, o colegiado vem dizendo que levará em conta, para sua decisão de juros, os dados mais recentes de inflação e de atividade, além das estimativas sobre a extensão do ciclo de baixa e dos riscos para o cenário – entre eles, o andamento das reformas no Congresso.

Sobe ou desce?

Entre os economistas do mercado financeiro, a principal dúvida agora é sobre até onde a Selic pode chegar. No governo Dilma, entre outubro de 2012 e abril de 2013, a taxa foi mantida em 7,25% ao ano – o menor nível da história até o momento. A avaliação de boa parte do mercado financeiro, no entanto, é de que não havia fundamentos técnicos para que a Selic permanecesse em nível tão baixo naquele período.

Agora é diferente

Com a inflação controlada e a economia ainda cambaleando, a expectativa é de que a Selic possa até cair a níveis inferiores a 7,00% ao ano. Levantamento do Projeções Broadcast mostra que, entre 75 instituições financeiras, 29 acreditam que a taxa básica estará abaixo de 7,00% no fim de 2018 e 31 projetam a Selic exatamente neste patamar.

Para o estrategista-chefe do Banco Mizuho, Luciano Rostagno, o ciclo dependerá da evolução da reforma da Previdência.

“Se não houver a reforma este ano, o câmbio pode se ajustar com aumento do dólar e reduzir o espaço para a Selic ficar abaixo de 7%”, avalia.

Este é atualmente o cenário do economista. Ele acredita que o governo vai, no máximo, conseguir aprovar uma reforma mínima em 2017, que não resolveria o problema fiscal do País. Assim, a discussão ficaria para o próximo presidente, em 2019.

Inflação

Componente chave para a regulagem da taxa de juros Selic, nesta terça-feira (24) o mercado concluiu que ficaram reduzidas as chances de uma inflação abaixo dos 3% neste ano, aposta dos economistas até então. O motivo para a revisão foi o aumento da conta de luz proposto pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel).

A medida alterou a taxa extra de R$ 3,50 para R$ 5,00 a cada 100 quilowatt-hora consumidos (kWh). Nos cálculos do economista Leonardo França Costa, da Rosenberg Associados, se essa nova taxa extra for adotada ainda em novembro ela pode elevar a inflação do ano em 0,11 ponto porcentual.

“É uma surpresa. Estávamos esperando mais para o início do ano que vem, apesar da situação ruim dos reservatórios”, disse.

Bandeira vermelha

Caso essa bandeira vermelha nível 2 continue vigorando, a projeção do IPCA de 2017 da Rosenberg passaria de 3,1% para 3,2%. Com isso, o item energia elétrica no índice de inflação mostraria taxa positiva de 3,1%, com o IPCA encerrando o penúltimo mês do ano em 0,46%. “A média para o mês desde 1995 está na faixa de 0,64%. Portanto, o quadro de inflação baixa ainda deve prosseguir”, pondera.

A previsão do economista Bernard Gonin, da Rio Gestão de Recursos, que era de 3,2% este ano passou para 3,3% com a mudança. Gonin pondera que energia elétrica é um risco para a inflação do ano que vem. “Pode ser que tenham de fazer novos ajustes em 2018 na tentativa de melhorar a situação financeira do setor”, afirma.

O encarecimento da bandeira vermelha patamar 2 e sua possível manutenção na conta de luz em novembro diminuem as chances de a inflação oficial fechar em 3%, na avaliação do economista Flávio Serrano, do Haitong Banco de Investimento do Brasil.

A meta de inflação perseguida pelo Banco Central é de 4,5% ao ano. O economista afirma que ficar abaixo do patamar dos 3% não é impossível, uma vez que o quadro de inflação está bastante favorável e que pode haver novas mudanças de bandeira até o fim do ano.

“A bandeira pode ser mantida em nível 2 em novembro, mas se mudar para patamar 1 em dezembro, já teria alívio de 0,14 ponto porcentual na inflação”, diz. Serrano projeta, atualmente, 3,10% para o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) e diz que, caso a bandeira vermelha 2 seja mantida em novembro, a estimativa pode subir para cerca de 3,20%.

O economista do Haitong pondera, contudo, que caso a projeção para inflação deste ano seja elevada, não há riscos inerciais para o ano que vem. “A inércia para o ano que vem continua baixa, a preocupação para 2018 é o sistema hídrico continuar piorando e ter de mudar novamente o custo das bandeiras e majorar os reajustes anuais das empresas”, diz.

“A energia deve ser ponto de preocupação e de monitoramento em 2018, ainda mais que a expectativa para ano que vem é de crescimento econômico. A indústria depende de bastante energia, mas ausência de chuvas só prejudicaria a atividade econômica se houver racionamento”, diz, completando que esse não é o cenário.

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Posts recentes

Siga a ACMinas

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.