BC mantém taxa de juros em 2% ao ano

Por: Diário do Comércio

Brasília – O Banco Central manteve ontem a taxa básica de juros, a Selic, na mínima histórica de 2% ao ano pela terceira vez consecutiva e destacou que, em função do quadro inflacionário, as condições para seu compromisso de não elevar os juros básicos podem em breve não estar mais satisfeitas. Apesar disso, o BC destacou que uma alta da Selic não seria um processo mecânico.

No comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom), o BC destacou que, desde a adoção do chamado forward guidance (orientação futura), em setembro, houve uma reversão da queda das expectativas de inflação em relação às metas para o horizonte relevante, que hoje inclui os anos de 2021 e 2022.

Por meio do forward guidance, o BC havia se comprometido a não elevar a Selic desde que algumas premissas fossem mantidas: expectativas de inflação e projeções de inflação de seu cenário básico abaixo da meta para o horizonte relevante de política monetária, não alteração do regime fiscal e ancoragem das expectativas de inflação de longo prazo.

No comunicado de ontem, o BC avaliou que essas condições seguem de pé, mas reconheceu que as expectativas de inflação permanecem abaixo da meta para o horizonte relevante, e não mais “significativamente abaixo”.

“Além disso, ao longo dos próximos meses, o ano-calendário de 2021 perderá relevância em detrimento ao de 2022, que está com projeções e expectativas de inflação em torno da meta”, disse.

O BC apontou que, caso seja retirado o forward guidance, as decisões para a Selic seguirão “o receituário do regime de metas para a inflação, baseado na análise da inflação prospectiva e de seu balanço de riscos”.

Na sua comunicação, o BC também abandonou a frase de que o espaço remanescente para baixar os juros, se houver, deve ser pequeno, ao mesmo tempo em que disse considerar adequado o atual nível “extraordinariamente elevado” de estímulo monetário que vem sendo produzido pela manutenção da taxa básica de juros em 2% ao ano, em conjunto com o forward guidance.

IPCA – Em novembro, o IPCA teve sua maior alta do ano, de 0,89%, levando o acumulado em 12 meses a 4,31%, acima da meta central para 2020. Diante disso, ontem, o BC piorou suas estimativas para o IPCA, passando a prever alta de 4,3% em 2020, 3,4% em 2021 e 3,4% em 2022, ante metas de 4%, 3,75% e 3,5%, respectivamente, sempre com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Na última reunião do Copom, os percentuais calculados pela autoridade monetária eram de 3,1%, 3,1%

Sobre a inflação, o BC manteve seu diagnóstico de que, apesar da pressão mais forte no curto prazo, os choques atuais são temporários e reafirmou que segue monitorando essa evolução com atenção, adicionando que dará foco nessa análise às medidas de inflação subjacente, isto é, à tendência para os preços independentemente dos componentes transitórios.

Em relação ao cenário externo, o BC pontuou que os resultados promissores que têm sido divulgados para vacinas contra a Covid-19 tendem a trazer melhora da confiança e normalização da atividade no médio prazo, ainda que a ressurgência da pandemia tenha atingido algumas das principais economias.

Fiemg e ACMinas –  A manutenção da taxa básica de juros, a Selic, em 2 foi bem recebida pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg). “A Fiemg avalia como positiva a decisão, tendo em vista o elevado grau de ociosidade da economia brasileira, sobretudo do setor de serviços, bem como as indicações de que o choque inflacionário recente é de natureza transitória”, afirma a federação em nota divulgada à imprensa.

A Fiemg enfatizou que a taxa de desemprego em 14,6%, o fim do auxílio emergencial e a pequena superação do Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) em relação à meta de inflação em 2020 formam um cenário ainda preocupante.

Já o  presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), Aguinaldo Diniz Filho, afirmou que a decisão do Copom já era prevista pelo setor.

“Apesar da aceleração da inflação registrada nos últimos meses e da desvalorização cambial, o comitê não retirou os estímulos monetários já efetivados (maior oferta de crédito e juros reduzidos), pois estes recursos financeiros serão de extrema importância para reaviar a atividade econômica brasileira, especialmente, a partir de 2021. Nos últimos 12 meses, o IPCA apresentou alta de 4,31%, percentual superior à meta estipulada para 2020, 4%. Diante deste cenário, já era esperado que o Copom não rnão realizasse um novo corte na taxa Selic”. (Com Reuters)

Jornal Diário do Comércio | 10 de dezembro de 2020

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