Belo Horizonte no caminho para ser a capital da inovação

Fonte: Diário do Comércio

Belo Horizonte completa 120 anos no dia 12 de dezembro. A Capital é ainda uma cidade jovem e parece, finalmente, encontrar sua vocação como cidade inovadora e capaz de induzir o desenvolvimento não apenas do seu entorno, como do próprio Estado.

Os 331 quilômetros quadrados, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), abrigam 2,4 milhões de habitantes, cuja principal ocupação econômica está no setor de comércio e serviços. Na última década, a chamada economia criativa tem dado o tom do desenvolvimento da antiga Curral Del Rei. Tecnologia, cultura, turismo e saúde têm se destacado na composição da economia belo-horizontina.

Para o chefe do Escritório de Prioridades Estratégicas da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Marcos Mandacaru, as cidades são, no século 21, o lugar do desenvolvimento. São elas que oferecem as condições para a atração de investimentos e geração de conhecimento e inovação. “Neste século os investimentos serão decididos pela competitividade das cidades. Elas se tornaram o locus da inovação por oferecerem diversidade de talentos, facilidade logística, conectividades internacionais e qualidade nos serviços. Já percebemos disputa entre as cidades por talentos e investimentos que tragam inovação e competitividade para esses territórios. Belo Horizonte precisa fazer parte dessa competição”, explica Mandacaru.

Para o especialista, a criação e atração de centros de pesquisa e desenvolvimento (P&D) é fundamental para uma cidade que tem no conhecimento o seu principal ativo. Belo Horizonte conta com dois parques tecnológicos de grande importância: o Parque Tecnológico de Belo Horizonte (BHTec), vinculado à Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), no bairro Engenho Nogueira, na região Noroeste; e o Centro de Inovação e Tecnologia Senai/Fiemg (CIT), no bairro Horto, na região Leste.

“Por isso a gente vê tanta gente celebrando a instalação do centro de P&D do Google aqui (no bairro Santa Efigênia, também na região Leste). Isso é importante porque coloca BH no mapa mundial de talentos na fronteira da tecnologia, numa empresa referência em inovação. Muitas vezes, esses centros de pesquisa nem se conectam tanto ao ecossistema local. Mas o fato de gerar oportunidades para talentos – nacionais e/ou internacionais – mostra que a cidade atrai investimentos em inovação. Não é só a marca Google, mas é o que ele faz aqui. É muito mais importante, por exemplo, do que o que ele faz em São Paulo, que é um escritório comercial. Por isso que a atração de centros de desenvolvimento deve ser uma agenda prioritária para Belo Horizonte”, analisa o chefe do Escritório de Prioridades Estratégicas da Fiemg.

INFRAESTRUTURA PARA ATRAIR INVESTIMENTOS

A transformação de uma cidade em um verdadeiro polo de atração de investimentos passa, prioritariamente, pela criação de infraestrutura e pela internacionalização do destino. Nos últimos anos Belo Horizontem tem passado por uma revolução nesse sentido, ainda que em ritmo menos acelerado do que seria necessário, impactada, especialmente, pela crise econômica agravada em 2014.

A volta de antigos equipamentos culturais como os cines Brasil e Palladium, que se transformaram em Cine Theatro Brasil Vallourec e Sesc Palladium, respectivamente, ambos no hipercentro, e a constituição do Circuito Praça da Liberdade, que transformou os prédios das secretarias de estado e outros prédios públicos do entorno em um circuito de museus, após a transferência das repartições para a Cidade Administrativa, na região de Venda Nova, são alguns dos exemplos.

O reconhecimento do Conjunto Arquitetônico da Pampulha como Patrimônio Cultural da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), em 2016, é outro fato marcante na busca por visibilidade internacional para Belo Horizonte.

Mas essa é uma mudança que precisa ser constante e compartilhada pelas iniciativas pública e privada. O programa Internacionaliza BH, capitaneado pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), é uma das principais iniciativas nesse sentido. De acordo com a vice-presidente do Conselho de Relações Internacionais da ACMinas e coordenadora do projeto Internacionaliza BH, Mônica Neves Cordeiro, ele objetiva sensibilizar os mineiros e a comunidade empresarial mineira para o processo de internacionalização da cidade.

“O nosso principal ativo é a característica do mineiro de saber acolher bem e ser capaz de aprender com as demais comunidades. O nosso DNA é cosmopolita. Como cidade planejada, temos um caldo cultural positivo, em que ideias e pessoas diversas são acolhidas. Estamos à beira de um círculo virtuoso, mas precisamos encarar nossos principais problemas de infraestrutura, como mobilidade, sinalização e também a fluência em outros idiomas”, pontua Mônica Cordeiro.

O projeto conta com alguns produtos, como, por exemplo, o Selo “Eu Participo”: é fixado em estabelecimentos tais como, restaurantes, hotéis, galerias, escolas de idiomas, centros culturais, entre outros, em eventos promovidos pelo Internacionaliza BH em parceria com estes espaços.

“Estamos fechando um ano muito intenso no Internacionaliza BH. No fim de novembro vamos lançar a nova edição do Minas Gerais Business Guide, dessa vez em sete idiomas. Ele é uma grande ferramenta de divulgação. Em 2018 vamos consolidar a rede ‘Eu Participo’ e passar a divulgar e disponibilizar os nossos conteúdos para a sociedade. O caminho que traçamos é capacitar os empresários para que toda a sociedade de Belo Horizonte e Minas Gerais seja atingida”, afirma a coordenadora do Internacionaliza BH.

O projeto institucional de internacionalização de Belo Horizonte tomou fôlego a partir da criação, em 2011, da Rede Aliança Euro-latinoamericana de Cooperação Entre Cidades (Projeto Al-Las), que reúne Cidade do México, Lima (Peru), Quito (Equador), Morón (Argentina), Montevidéu (Uruguai), Medelín (Colômbia), Cidades Unidas da França e Fundo Andaluz de Municípios para a Solidariedade Internacional (Espanha). O objetivo geral da Al-Las é fortalecer as relações internacionais dos governos locais da América Latina, suas redes e associações para melhorar a qualidade das suas políticas públicas e o desenvolvimento territorial.

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