Capitalismo Consciente norteia debate na ACMinas

Por: Daniela Maciel

O Capitalismo Consciente foi o tema de um evento on-line promovido, ontem, pela Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas). As dificuldades e ensinamentos deixados pela pandemia de Covid-19 foram tratados pelos debatedores de forma a trazer inspirações e ferramentas para empresários e empresas de todos os portes e setores.

O primeiro painel “Capitalismo Consciente” foi conduzido pela presidente do DIÁRIO DO COMÉRCIO, Adriana Muls, com a presença do presidente da ACMinas, Aguinaldo Diniz Filho, e do diretor-geral do Capitalismo Consciente Brasil, Dario Neto. Para os participantes, entender o conceito de Capitalismo Consciente e o que ele tem a ver com os resultados e propósitos das empresas é uma premissa básica para a conscientização.

“O Capitalismo Consciente é um movimento global, uma expressão de como podemos enxergar a economia do planeta, pensando a longo prazo, para toda a cadeia de valor, e não só para o acionista. Penso que precisamos desenhar as soluções de maneira interdependente. Não entendo por que organizações que querem que o mundo vá para o mesmo lado não atuam de maneira conjunta. Por que fazem isoladamente sobrepondo esforços? A grande contribuição do Capitalismo Consciente é trazer para perto duas coisas que pareciam inconciliáveis: capitalismo e consciência. Devemos construir relações entre instituições para que sejamos amigos do ‘e’ e não do ‘ou’”, explicou Dario Neto.

Dar vazão prática à consciência é outro ponto fundamental para o surgimento de uma sociedade onde o lucro dê origem à satisfação dos acionistas – o que é justo pelo seu investimento – e também e, principalmente, ao desenvolvimento e aumento da qualidade de vida da sociedade como um todo.

“Acredito que está dentro das pessoas a ideia do Capitalismo Consciente, mas é preciso desenvolvê-la. Precisamos universalizar que a consequência do lucro é o bem da sociedade. Sinto que essa consciência existe, mas está adormecida. Falo por vivência própria. Existe uma semente da consciência coletiva. A empresa precisa olhar o futuro. Temos que conversar com as empresas, as entidades de classe, os órgãos do governo, para discutir qual o trabalho importante para a longevidade da empresa. A ACMinas está aberta para esse trabalho, para que tenhamos uma sociedade mais justa, com mobilidade social. Temos que manter essa chama acesa para que a sociedade perceba que a longevidade da empresa está no seu propósito de se horizontalizar”, afirmou Diniz.

Já o papel da liderança foi o destaque do segundo painel conduzido pela embaixadora do Movimento Capitalismo Consciente Minas Gerais e multiplicadora do Sistema B, Francine Póvoa. Para a presidente do Conselho de Recursos Humanos (RH) da ACMinas, Eliane Ramos, a liderança consciente precisa ser efetiva e afetiva.

“Por que não falar de amor nas organizações? O amor está ligado à saúde, que é um estado completo de bem-estar físico, mental, espiritual e emocional. Quando um líder consegue cuidar de si mesmo, ele vai conseguir cuidar do outro. A Covid-19 veio a acelerar várias vivências, inclusive a percepção de que não dá para ser feliz sozinho. A gente nunca tem o perfil perfeito, mas podemos montar um time perfeito, com complementaridade. É papel da liderança entender a melhor versão de cada colaborador. Não existe mais o líder herói. Precisamos ter segurança psicológica para não termos medo de expor as nossas fragilidades”, pontuou Elaine Ramos.

Liderança Shakti – Em sentido paralelo, a vice-presidente da ACMinas, Alessandra Alkmim, falou sobre a necessidade de equilíbrio entre as forças masculina e feminina para a construção de líderes capazes de capitanear uma mudança de cultura em favor da consciência organizacional por meio da liderança Shakti.

“O poder da liderança é inerente ao ser humano e não faz mais sentido sobrepormos as características masculinas às femininas. A liderança Shakti propõe um equilíbrio entre o feminino, ligado ao início da vida, e o masculino, da força e assertividade. A liderança Shakti veio para aprofundar o Capitalismo Consciente, em que os líderes conseguem enxergar seus ambientes como de cura e transformação das pessoas. Especialmente agora, precisamos trazer a empatia, a paciência, dar abertura para entender as vulnerabilidades dos colaboradores. E, ao mesmo tempo a força para mostrar que vamos sair dessa crise”, apontou Alessandra Alkmim.

E, no último painel, o diretor de Inovação e Tendências em Educação do Grupo Ânima, Rafael Ávila, proferiu a palestra “Um chamado à consciência”. Por meio da cultura do Yoga, o professor chamou a atenção para a necessidade do autoconhecimento e da autoaceitação também no ambiente empresarial.

“Não há liderança que possa prescindir de estar presente. Devemos resgatar quem somos e ter compaixão de nós mesmos. Reestabelecer conexão com nossos instintos, intuições e emoções. As mudanças acontecem em todos os aspectos da vida ao mesmo tempo e por isso é importante ressignificarmos as ideias de foco e tempo”, afirmou Ávila. Uma liderança consciente deve:

Desenvolver a clareza mental;
Ter autoconsciência;
Trabalhar em time;
Colocar de lado o seu ego;
Respeitar a dignidade humana do outro;
Ter flexibilidade.

A velocidade do contemporâneo tem levado a decisões inconsistentes. “Nem tudo precisa ser ágil. Nesse mundo ambíguo e volátil, só a consciência permitirá dizer o que é apropriado para cada situação. A gestão consciente é uma meta-skill. Está acima de todas as skills. Gestão consciente é examinar nossos pensamentos, nossas assinaturas emocionais, nossos hábitos mentais. Esse exame nos dá maturidade, tirando o excesso de otimismo ou de pessimismo, ou seja, criando equilíbrio”, completou Ávila.

 

Jornal Diário do Comércio | 05 de novembro de 2020 

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