Cemig avança na venda de quatro ativos e projeta renegociação de dívidas

Fonte: Diário do Comércio

Embora tenha anunciado oficialmente a implementação de um Programa de Desinvestimentos ao mercado financeiro em junho deste ano, a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) vem trabalhando no processo de desalavancagem da empresa há cerca de um ano e já começa a colher os frutos da estratégia. Os dez ativos colocados à venda se encontram em diferentes estágios de negociação, alguns estruturados e outros com propostas bem encaminhadas.

A informação é do superintendente de Relações com Investidores da companhia, Antonio Carlos Velez. Segundo ele, os negócios mais avançados dizem respeito à comercialização de parte da Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A. (Taesa); à participação da companhia na Light – distribuidora que atende a Região Metropolitana do Rio de Janeiro (RMRJ); à participação na Renova Energia S.A.; e à venda da Hidrelétrica Santo Antônio, em Rondônia.

“Estes quatro ativos estão com as negociações mais avançadas. Quando anunciamos o Programa de Desinvestimentos no Encontro com o Mercado de Capitais, em junho, divulgamos também o preço total de mercado, de R$ 8 bilhões, que, juntos, estes dez ativos somavam. A meta da companhia é atingir pelo menos R$ 4 bilhões até o fim de 2018 com parte destes aportes desfeitos”, explicou.

Renegociações – Segundo ele, a Cemig também está perto de concluir uma renegociação com bancos para mudar o perfil da dívida, que encerrou o terceiro trimestre de 2017 em R$ 14,05 bilhões, concentrando vencimentos principalmente em 2017, 2018 e 2019. Nesse sentido, ele destacou a redução do custo da dívida da empresa, que no final de 2016 chegava a quase 16% e agora já está em 10,39%.

“Devemos fazer o anúncio do reperfilamento da dívida a qualquer momento, pois já estamos finalizando o processo. Além disso, faremos também uma emissão de debêntures de US$ 1 bilhão no exterior no curto prazo”, adiantou.

Balanço – Em relação ao desempenho da companhia no último trimestre, o superintendente admitiu que o prejuízo surpreendeu e alegou que o resultado foi impactado não somente pela recente perda das quatro usinas hidrelétricas leiloadas pelo governo federal (São Simão, Jaguara, Miranda e Volta Grande), mas também pelo cenário econômico brasileiro que ainda não é dos melhores, e pela situação hidrológica do País.
Segundo balanço apresentado pela companhia, o prejuízo da Cemig no trimestre encerrado em 30 de setembro foi de R$ 83,7 milhões, ante lucro de R$ 433,5 milhões no mesmo período do ano passado.

O Lajida (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) caiu 92% em relação ao mesmo período de 2016, chegando a R$ 101 milhões, enquanto no final do terceiro trimestre do ano anterior estava em R$ 1,193 bilhão.

Assim, o lucro acumulado até setembro deste ano chegou a de R$ 397 milhões, o que representa uma redução de 38% em relação ao mesmo período de 2016. A companhia registrou, ainda, uma geração de caixa, medida pelo Lajida, de R$ 1,9 bilhão, 23% a menos do que nos nove primeiros meses do ano passado.

Ainda de acordo com Velez, um dos principais impactos no resultado da Cemig também foi a adesão ao Plano de Créditos Tributários do Governo do Estado, que regularizou a situação da empresa com a negociação do pagamento do passivo, mas afetou negativamente o Lajida em R$ 588 milhões.

“A empresa analisou a opção e foi tomada a decisão em função do desconto de 95% do montante total. Mas não houve nenhuma pressão por parte do governo e, da mesma maneira, como a Cemig vem quitando outras dívidas, optou por pagar esta também”, garantiu.

A energia comercializada pelo grupo Cemig, no terceiro trimestre, apresentou um crescimento de 1,48% em relação ao mesmo período de 2016. Com relação à Cemig Distribuição, a energia faturada aos clientes cativos e a energia transportada para clientes livres e distribuidoras com acesso às redes da concessionária também tiveram um aumento de 0,3% na mesma comparação, refletindo o aumento de 59,30% no volume transportado para os clientes livres, devido, principalmente, à incorporação de energia de fontes incentivadas.

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