Construção civil cresce em Minas depois de nove meses de queda

Por: Juliana Siqueira

O setor da construção civil tem mostrado números animadores no Estado, em diversas frentes. De acordo com a Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais, divulgada pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Estado de Minas Gerais (Sinduscon-MG), o índice de atividade da construção em julho chegou aos 51 pontos, o que representa um crescimento de 2,2 pontos em relação a junho (48,8 pontos). O incremento veio após nove meses de queda.

Já na comparação com igual período do ano passado (46,7 pontos), o avanço da atividade da construção foi de 4,3 pontos. O resultado é o melhor para o mês em oito anos. Além disso, o nível de atividade no sétimo mês de 2020 foi quase o dobro do que o verificado em abril (26 pontos).

O índice de atividade em relação à usual também registrou incremento, de 1,8 ponto em julho (33,5 pontos) em comparação a junho (31,7 pontos) e 3,3 pontos em relação ao mesmo período do ano passado (30,2 pontos). No entanto, ainda está abaixo da fronteira dos 50 pontos, o que revela que a atividade está menor do que a habitual para julho.

Outro avanço foi verificado no índice de evolução de empregados, de 4,7 pontos em julho (53 pontos) em relação a junho (48,3 pontos) e de 7,9 pontos na comparação com julho do ano passado (45,1 pontos). O indicador não ficava acima dos 50 pontos desde o mês de setembro de 2019 (52,6 pontos).

Presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Linhares destaca que são vários os motivos que contribuíram para a elevação dos números do segmento. Primeiramente, ele lembra que a construção civil foi considerada atividade essencial no Estado e, portanto, não parou neste período de pandemia, tendo, inclusive, realizado alguns lançamentos.

Além disso, diz ele, os juros mais baixos têm contribuído tanto para as pessoas comprarem imóveis com condições melhores de financiamento quanto para aqueles que desejam investir tendo ganhos maiores. “Muitos têm feito aplicações em imóveis”, pontua Linhares, lembrando que a locação pode gerar uma renda mais elevada que vários outros investimentos.

Comportamento – Esse cenário promissor não para por aí. O presidente do Sinduscon-MG salienta também que a pandemia da Covid-19 ocasionou uma mudança no comportamento das pessoas em relação à compra de imóveis. Além de uma valorização maior da residência por causa do home office, o tipo de construção procurado também tem se transformado.

Segundo o presidente do Sinduscon-MG, os indivíduos têm buscado apartamentos com mais quartos, por exemplo, garagem e varanda, devido, entre outros fatores, ao trabalho em casa.

 

Investimentos – Pela terceira vez consecutiva, o índice de intenção de investimentos apresentou crescimento. O aumento foi de 4 pontos em agosto (39,3 pontos) em relação a julho (35,3 pontos) e de 5,4 pontos em relação ao mesmo período do ano passado (33,9 pontos). O índice foi 7,3 pontos maior do que o verificado a média histórica (32 pontos).

INDICADOR DE EXPECTATIVA FICA POSITIVO

Em relação às perspectivas para os próximos seis meses, o indicador de expectativa em relação ao nível de atividade chegou aos 55,2 pontos em agosto, após quatro meses abaixo dos 50 pontos, de acordo com os dados da Sondagem divulgado pelo Sinduscon-MG. O número representa um aumento de 5,3 pontos na comparação com julho (49,9 pontos) e de 1,1 ponto em relação ao mesmo período do ano passado (54,1 pontos). O número foi o maior para o mês em um período de oito anos.

Os construtores também vislumbram crescimento das compras de insumos e matérias-primas nos próximos seis meses. Em agosto, o indicador chegou aos 55,2 pontos, o que representa um avanço de 5,1 pontos em comparação a julho (50,1 pontos). Também foi o mais elevado para o mês em oito anos.

Já o indicador de novos empreendimentos e serviços apresentou um incremento de 9,1 pontos em agosto (53,1 pontos) frente a julho (44 pontos), após quatro meses abaixo dos 50 pontos.

O índice de evolução do número de empregados, por sua vez, teve um incremento de 6,3 pontos em agosto (55,3 pontos) em relação a julho (49 pontos).

 

CONFIANÇA ESTÁ EM ALTA NO ESTADO

Com o cenário positivo apurado pela Sondagem da Indústria da Construção de Minas Gerais, a confiança dos empresários consequentemente também apresenta números mais elevados. “O maior insumo do mercado imobiliário é a confiança”, salienta o presidente do Sinduscon-MG, Geraldo Linhares.

Sendo assim, o Índice de Confiança do Empresário da Indústria da Construção de Minas Gerais (Iceicon-MG) apresentou um aumento de 6 pontos em agosto (51,6 pontos) frente a julho (45,6 pontos), sendo o quarto crescimento consecutivo, após retração histórica verificada no mês de abril (34,1 pontos). O índice ultrapassou a média histórica (50,2 pontos) em 1,4 ponto. No entanto, em relação a agosto do ano passado (55,7 pontos), houve retração de 4,1 pontos.

Desafios – Apesar do cenário promissor, Linhares chama a atenção para um fator que pode mudar esse quadro positivo: o aumento dos preços de materiais e, em alguns casos, até uma situação de desabastecimento.

De acordo com ele, de janeiro a agosto no Estado, houve um incremento de 40% no valor do cimento e de 20% no preço do aço, por exemplo. “A cadeia produtiva tinha que estar caminhando junto à construção. É uma curva perigosa”, diz ele, lembrando da importância do segmento para a economia. “A construção civil é uma mola propulsora. Foi a única, depois do agronegócio, que gerou emprego”, diz.

 

Jornal Diário do Comércio | 10 de setembro de 2020

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