CONTAS DIGITAIS GANHAM ESPAÇO NO PAÍS

Por:  Michelle Valverde

Com a população isolada para controle do novo coronavírus, a tendência é de que a busca por soluções digitais seja ampliada, e um dos serviços que pode ser impulsionado são as contas correntes digitais. Com facilidades para a abertura e uso dos serviços disponíveis sem a necessidade de deslocamento, a alternativa vem crescendo nos últimos anos.

De acordo com o diretor de Conta Digital e Meios de Pagamento do Banco Inter, Ray Chalub, no atual período de isolamento social os serviços digitais se tornam ainda mais cômodos para os clientes, incluindo as contas digitais, que estão com alta demanda.

“Além das facilidades para abertura e uso dos serviços, a conta digital é gratuita, o que é bom para os clientes na pandemia ou não. É um serviço interessante e que tende a manter o ritmo de crescimento. Somente no primeiro trimestre de 2020, frente ao mesmo período do ano passado, registramos um incremento de 155% na abertura e somamos 5 milhões de correntistas. Minas Gerais é nosso segundo mercado, atrás somente de São Paulo”, explicou.

Maior atratividade – Segundo dados do Banco Inter, em média, foram abertas cerca de 14 mil contas por dia útil em março. Em tempos de pandemia, as facilidades do serviço tendem a atrair novos clientes. A plataforma oferece serviços bancários completos como transferências e pagamentos sem a cobrança de taxas. Também é possível fazer empréstimos e seguros. Para os correntistas de Belo Horizonte, é possível pagar o estacionamento rotativo pelo aplicativo do banco.

“Nós já estávamos identificando essa tendência de crescimento antes mesmo da pandemia e entendemos que a demanda vai crescer ainda mais pela plataforma ser completa e facilitar a vida financeira dos clientes”, disse Chalub.

O professor da área de Gestão Pública e Estratégia da Fundação Dom Cabral, Paulo Vicente, explica que a tendência é que todo serviço digital, incluindo as contas bancárias digitais, cresça por conta do isolamento social, já que as pessoas estão impedidas de fazer várias coisas pessoalmente.

“Ir a uma agência  não é recomendado, então as pessoas vão para o digital. Ao conhecerem as facilidades, vão perdendo o medo e ingressando em novos serviços. São alternativas encontradas neste momento e que podem facilitar a vida das pessoas mesmo após a pandemia. O banco digital voltou, nos últimos cinco a seis anos, com plataformas completas de serviços. Por não terem agências, os custos fixos são menores, outro atrativo importante”, explicou Vicente.

Ainda segundo o professor da Fundação Dom Cabral, a tendência é de que os serviços digitais continuem em alta. Além das facilidades, o conforto e a agilidade são fatores que vão despertar o interesse da população.

“A tendência é de que o serviço continue com alta demanda após o isolamento e a pandemia controlada. Chegaremos a um novo normal, que será mais digital e on-line em vários sentidos, e um deles é esse, das contas digitais. A gente vai viver a economia low touch (baixo contato), que é essa economia do isolamento; mesmo após a pandemia, a tendência é não voltar a ser como antes. A gente vive em uma sociedade onde tempo livre é o novo luxo, então tudo que ajuda a ganhar tempo livre ou libera tempo tem valor e é interessante, isso será parte no novo normal”, disse Vicente.

O economista, professor e coordenador do curso de Administração do Ibmec-BH, Eduardo Coutinho, explica que o momento que estamos vivendo gera um incentivo ao on-line em geral.

“No cenário atual, pode ser que as pessoas que não usavam as contas digitais passem a usar, o que evita o uso do dinheiro físico e uma ida ao banco. Isso pode gerar um impulso no uso, mas é preciso esperar para ver se depois da pandemia vai se sustentar.

É mais uma opção para as pessoas não saírem de casa, não pegarem em dinheiro. Assim como nas contas digitais, a tendência é de aumento da demanda em todos os serviços on-line”, disse Coutinho.

Febraban – Em nota, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explica que as contas digitais permitem que o cliente inicie o relacionamento com o banco através do internet banking e do mobile banking e são oferecidas pelos principais bancos do Brasil.

Nos últimos anos, o número de contas abertas pelos canais digitais vem registrando um aumento significativo.

“Desde o início da pandemia do novo coronavírus e com a recomendação do isolamento social, os bancos brasileiros estão reforçando suas comunicações e pedem, sempre que possível, para o cliente evitar o comparecimento nas agências e dê preferência aos canais digitais para suas transações bancárias. Desde 2015, internet e mobile banking, juntos, assumiram a liderança na preferência do cliente para suas operações bancárias em detrimento de outros canais, como agências, correspondentes e contact center. E, desde 2016, o mobile banking é o canal preferido dos brasileiros para suas transações financeiras”.

Dados da última pesquisa realizada pela Febraban de Tecnologia Bancária (ano-base 2018) mostram que as contas abertas por mobile banking tiveram um aumento de 56% na comparação anual – passaram de 1,6 milhão para 2,5 milhões. Já no internet banking, foram de 26 mil para 434 mil.

DÓLAR FECHA SEMANA EM EXPANSÃO

São Paulo – O dólar mais uma vez teve uma sessão de intensa volatilidade no mercado brasileiro, fechando em alta moderada na sexta-feira (15) depois de oscilar entre firmes perdas e ganhos, evidência do grau de incerteza do mercado sobre o cenário para o País. A cotação voltou a subir na semana.

A moeda negociada no mercado à vista encerrou o dia em alta de 0,33%, a R$ 5,8392 na venda. A moeda oscilou entre valorização de 0,86% (para R$ 5,8700) e queda de 1,03% (a R$ 5,7600), em um pregão sem intervenções do Banco Central. Na B3, o dólar futuro mostrava acréscimo de 0,49%, a R$ 5,8530.

A divisa encontrou fôlego adicional logo após o Ministério da Saúde comunicar que Nelson Teich havia pedido demissão do cargo de ministro, menos de um mês após assumir a pasta e na segunda troca de comando do ministério em meio ao avanço da pandemia do novo coronavírus pelo País.

Analistas citam com frequência que uma virada positiva para o real só tende a acontecer quando a economia começar a dar sinais de melhora. Contudo, a escalada da disseminação do coronavírus no País e o imbróglio político em Brasília têm afastado cada vez mais esse cenário, o que mina a expectativa de fluxo cambial – ou seja, prejudicando o cenário para ingresso de dólares.

“A retomada da economia, ao nosso ver, segue condicionada à redução do número de novos casos de Covid-19 e de mortes associadas à doença, e incertezas sobre imunização e disseminação do vírus devem seguir presentes na ausência de medicação ou vacina eficazes”, disse o Bradesco em nota.

Na semana, o dólar subiu 1,73%. A moeda norte-americana avança 7,38% em maio e dispara 45,51% em 2020. O real tem o pior desempenho no ano entre as principais moedas globais.

“As incertezas sobre as economias local e internacional e a redução do diferencial de juros são alguns dos elementos que ajudam a explicar a desvalorização da nossa moeda em relação ao dólar, mais forte que a dos pares”, completou o Bradesco.

A alta do dólar na sessão também teve respaldo do exterior, onde prevaleceram novas preocupações sobre os rumos da pandemia e aumentadas tensões comerciais entre EUA e China. (Reuters)

IBOVESPA ENCERRA EM QUEDA APÓS SAÍDA DE TEICH

São Paulo – O Ibovespa fechou em queda, na sexta-feira (15), com a renúncia do ministro da Saúde adicionando ruídos ao cenário político, em meio a um ambiente já complicado para o mercado financeiro brasileiro em razão de desdobramentos da pandemia do Covid-19.

Uma bateria de resultados corporativos também ocupou as atenções, enquanto agentes financeiros reavaliam preços de ações após alguma recuperação no mês passado, diante de um cenário econômico ainda sombrio.

Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 1,84%, a 77.556,62 pontos, tendo oscilado dos 77.426,10 pontos aos 79.538,23 pontos. O volume financeiro somou R$ 26 bilhões. Na semana, o Ibovespa acumulou queda de 3,37%.

Nelson Teich pediu demissão do cargo de ministro da Saúde, menos de um mês após assumir, em decorrência de desavenças com o presidente Jair Bolsonaro, na segunda troca de comando do ministério em meio ao avanço da pandemia do Covid-19 pelo País.

“É mais um ministro desautorizado pelo presidente, mais um ruído em tão pouco tempo”, observou o gestor Ricardo Campos, sócio na Reach Capital.
Teich vinha sendo cobrado pelo presidente a modificar o protocolo do ministério para ampliar a recomendação do uso da cloroquina no tratamento ao Covid-19, apesar de o ministro ter afirmado que não considera o remédio uma solução.

Para a Guide Investimentos, a saída é mais uma confirmação da volatilidade que define cada vez mais o governo, avaliando ser preocupante a iniciação de outro processo de acomodação na Saúde em meio à escalda de uma grave crise sanitária.

Na mesma direção, Rafael Ribeiro, da Clear Corretora, destacou que a notícia trouxe mais instabilidade política, aumentando assim a preocupação do investidor. “O que será preciso ver agora é se essa decisão irá afetar a relação política do governo com a base que está montando junto com o Centro”, avalia.

A pauta brasileira contemplou ainda o Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), que retraiu 5,90% em março ante o mês anterior – menos do que a expectativa em pesquisa da Reuters de queda de 6,95%.

De acordo com Felipe Sichel, estrategista-chefe do Modalmais, o dado reflete a primeira parte da retração da economia em consequência das medidas de isolamento social implementadas desde meados de março e deve manter o movimento na próxima leitura.

No exterior, Wall Street teve dia volátil, contrabalançando dados econômicos e novos atritos comerciais entre os Estados Unidos e a China, mas conseguiu fechar no azul, com variação positiva de 0,39%. (Reuters)

Jornal Diário do Comércio | 16 de maio de 2020

 

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