Copom eleva a Selic para 13,75% ao ano

Crédito: Ueslei Marcelino/Reuters

Brasília – O Banco Central subiu a taxa básica de juros em 0,5 ponto percentual pela segunda vez consecutiva, a 13,75% ao ano, maior patamar desde janeiro de 2017, e indicou que poderá encerrar o agressivo ciclo de aperto com um ajuste menor em setembro.

“O Comitê avaliará a necessidade de um ajuste residual, de menor magnitude, em sua próxima reunião”, afirmou comunicado do Comitê de Política Monetária (Copom) divulgado ontem pela autarquia.

A autoridade monetária também fez um alerta ao afirmar que a possibilidade de que medidas fiscais de estímulo à demanda se tornem permanentes acentua os riscos de alta para o cenário inflacionário.

Por outro lado, afirmou que o aumento do risco de desaceleração da economia global também acentua os riscos de baixa nos preços.

“A incerteza da atual conjuntura, tanto doméstica quanto global, aliada ao estágio avançado do ciclo de ajuste e seus impactos acumulados ainda por serem observados, demanda cautela adicional em sua atuação”, disse o colegiado.

Em relação aos preços no Brasil, o comunicado afirmou que a inflação ao consumidor continua elevada, tanto em componentes mais voláteis como em itens associados à inflação subjacente — que desconsidera fatores mais sujeitos a oscilações conjunturais.

Aperto esperado

A magnitude da elevação da taxa Selic foi ao encontro da expectativa do mercado.

Com a decisão, o BC levou a Selic a um patamar 11,75 pontos percentuais acima da mínima histórica de 2% ao ano, atingida em meio à pandemia de Covid-19 e que vigorou até março do ano passado. Foi a décima segunda elevação seguida da taxa básica, que está no nível mais alto desde janeiro de 2017, quando também estava em 13,75% ao ano.

Olhando à frente, analistas consultados após a decisão do Copom divergiram sobre a sinalização do BC para os próximos passos da política monetária.

“Agora a gente tem um cenário um pouco mais benigno de tal forma que provavelmente as expectativas vão parar de piorar até a próxima reunião, o que poderia dar algum grau de conforto para o BC interromper o ciclo”, disse o economista-chefe da Parcitas Investimentos, Vitor Martello, prevendo que o ciclo de alta da Selic já se encerrou no patamar de 13,75%.

Para o economista-chefe da Necton, André Perfeito, por sua vez, o BC ainda apertará a taxa mais duas vezes.

“O Copom sugere que poderia parar o ajuste já em setembro, mas como este mesmo Copom se posicionou atento às expectativas nos parece que podemos ter na data ainda motivos para um aperto mais prolongado”, afirmou.

Efeitos preocupam entidades em MG

A decisão do Copom de elevar a taxa Selic não pegou o empresariado mineiro de surpresa, porém, os efeitos dos juros elevados preocupam. Entidades que representam o setor produtivo em Minas esperam que o ciclo de aperto monetário tenha chegado ao fim.

“Com mais este aumento da Selic, esperamos que o Copom esteja chegando próximo do fim deste ciclo de alta dos juros. É importante termos um olhar realista para a nossa situação econômica. Sabemos que ainda estamos em rota de recuperação, mas as decisões de estímulo, recém-tomadas pelo governo federal, gerarão custos futuros à sociedade brasileira”, afirma, em nota, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta da Silva.

Segundo analistas de mercado, esta pode ser a última, ou penúltima, alta da taxa básica de juros este ano. “Vamos entrar em 2023 com a Selic em torno de 14% ao ano e a inflação acima de 7%. Este não é o cenário ideal para o empreendedor brasileiro, mas como estamos nos aproximando de mais uma eleição, precisamos discutir como reverter este cenário de inflação e juros em alta, para que o setor produtivo volte a capitanear o desenvolvimento econômico de que tanto precisamos”, diz.

Ele destaca que a PEC que reduziu o preço dos combustíveis pode estar dando um fôlego para a economia neste ano. “Mas sabemos que, a partir do ano que vem, este estímulo se esgota e precisaremos pagar a conta. Como os candidatos do executivo e legislativo pretendem atacar este problema? Não podemos negligenciar esta discussão e a resposta para esta pergunta é fundamental para que possamos escolher quem nos representará a partir de 2023”, conclui.

Consumo desestimulado

“O impacto dessa elevação será, mais uma vez, diretamente sentido pelos setores de comércio e serviços, uma vez que o consumo é desestimulado e o crédito, tanto para consumidor quanto para lojista, se torna mais caro”, disse, em nota, o presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva.

Ele aponta que é preciso agir com cautela já que, mesmo que o objetivo seja segurar a inflação neste momento, “ao longo dos próximos meses podemos sentir um efeito rebote e um novo crescimento inflacionário estagnar a economia, recuar a produção e achatar o número de empregos formais no País”, afirma.

“Nossa expectativa é que essa seja a última elevação da taxa no ano e que, na próxima reunião do Copom, em setembro, não sejamos surpreendidos com uma nova alta. Estamos nos aproximando das principais datas para o comércio como Dia dos Pais, Dia das Crianças, Black Friday e Natal. Um ambiente inflacionário, com alto custo de crédito e baixo poder de compra das famílias, poderá ter um efeito negativo no resultado das vendas e, por consequência, na geração de emprego e renda. Esperamos que o governo nos propicie um ambiente econômico seguro e com perspectivas positivas para 2023”, conclui o presidente da CDL/BH.

 

Fonte: Diário do Comércio

 

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