Discurso novo presidente da ACMinas – José Anchieta da Silva

Pronunciamento na posse da presidência da Associação Comercial e Empresarial de Minas – ACMINAS [às 17:00horas de 06/janeiro/2021])

Senhoras e Senhores,

Nesta sessão fechada, em transmissão virtual em face da pandemia que se abate sobre toda a Humanidade, o Coronavírus (Covid-19), assumimos a presidência da nossa mais do que centenária Associação Comercial e Empresarial de Minas. O responsável primeiro por essa condução é o presidente Aguinaldo Diniz (aqui presente), a quem, com um sublinhado agradecimento, rendemos nossas homenagens. Não é sem razão que a gestão que assume o comando da ACMINAS a partir de agora adota o título de ‘Aguinaldo Diniz, segundo tempo’, com o compromisso de ‘construir pontes’. Trata-se de uma identidade de propósitos em si autoexplicativa.

A nossa Diretoria toma assento nos seus postos-em-chefe no momento em que a pandemia do Coronavírus crava, só no Brasil, o número trágico, melancólico, deprimente, assustador, de duzentos mil mortos, todos vitimados do Covid-19. Numa prática, acredita-se, universal, costuma-se homenagear aos mortos, em sessões cívico-sociais, com um ‘minuto de silêncio’. Vamos quebrar essa tradição, respeitando-a embora. Vamos substituir esse ‘minuto de silêncio’ por um ‘grito’, grito coletivo, a todos os pulmões, chamando a atenção de todas as autoridades no sentido de que se respeite a ‘Vida Humana’; que dirijam, as autoridades, todas, os esforços, também todos, com os seus planteis intelectuais, físicos, morais, sociais, orçamentários, no sentido de debelar esse mal, salvando-se todas as vidas possíveis. Este é o comando, externado ou não, de todas as proclamações da vida, em todos os tempos. Espaço não há para tratar de questão dessa relevância fundante, com olhos voltados para interesses menores. Registre-se, todos os demais interesses em relação à pandemia instalada são interesses menores. Este é o grito.

Tiremos, todavia, a primeira das conclusões positivas desse estado pandêmico em que se vive. Da combinação da ciência com a atividade empresarial é que nasce os caminhos novos da vacinação e da cura. Os cientistas exercitam sua atividade pesquisadora em centros de pesquisa e em laboratórios. Ambos são empresas. A indústria farmacêutica dos insumos, dos fármacos, o armazenamento, o transporte e o suporte da atividade de vacinação, de medicação e de tratamento são, todas, sem exceção, atividades ao abrigo daquilo que se considera, numa alça maior, atividade empresarial. É dizer, a erradicação da pandemia do Coronavírus não se dará sem a ação plena de um plexo de atividades empresariais que, inclusive, estão compreendidas no Estatuto Social da ACMINAS.

Feita essa necessária consideração introdutória, é preciso ainda chamar a atenção do Estado na sua obrigação de dar proteção, também, para esse outro cidadão: a sociedade empresária. O Estado brasileiro deve essa atenção à atividade empresarial e isto compõe, com grau de prioridade, a plêiade de enfrentamentos que serão objeto de incansável serviço no curso de nossa gestão no âmbito da ACMINAS.

Empresar é construir porque todo empresário é construtor de uma renovação da sociedade em movimento. No nosso programa de ação estão projetos que reputamos relevantes e dentre os quais se destacam:

– Pauta Comum: As instituições privadas precisam dialogar entre si para, noutro plano, dialogarem, harmonicamente, com as autoridades. O exercício das parcerias é sempre útil e saudável porque parcerias são multiplicadores. Aves da mesma plumagem voam juntas.

– Bom dia Associado: Se se propõe dialogar porta-a-fora, em primeiro lugar é preciso plantar esse diálogo internamente. Toda associação tem existência em função da existência de seus associados. Portanto, todos os dias, em sistema on-line a ACMINAS levará a sua palavra, a novidade da hora, a cada um de seus associados.

– Ouvir e ser ouvido: combinado com os projetos anteriores, a ACMINAS conversará, telefonicamente (não se trata, aqui, de conversar apenas com o dedo e com a telinha), todos os dias, com número razoável de associados, ouvindo-os antes de se fazer ouvir e é essa conversa que alimentará o comando da instituição.

– Pregão negativo: cogita-se da criação de um sistema informativo com a função de, para selecionados itens (itens comuns), informar permanentemente aos associados onde adquirir insumos, matérias primas e implementos pelos menores preços. Antecipamos que compreendemos o desafio que a empreitada representa.

– Ampliação do Revogasso: com o registro de que esse projeto não é originalmente da ACMINAS, porque é do atual Governo do Estado de Minas Gerais; com o registro, também, de que alguma coisa nesse sentido já se fez com a edição da Lei de Liberdade Econômica (Lei nº 13.874/2019), o que se pretende é dar visibilidade a essas acontecências, ampliando os seus efeitos e criando o que poderá ser um desejável Revogasso nacional.

– Sem protesto:  cogita-se, em parceria com o Tribunal de Justiça do Estado de Minas Gerais e com os Cartórios de Protesto, da criação de um ‘sistema de alerta’ com a informação, em tempo real, a cada devedor com título apontado a protesto, com a finalidade de aproximação das partes devedora e credora, evitando-se o protesto e eventual execução judicial com todos os seus inconvenientes. Este projeto carrega um outro projeto que lhe torna adjecto: a animação da Câmara de Mediação e Conciliação Francisco Américo Mattos de Paiva criada no âmbito desta ACMINAS.

– Revitalização dos Centros antigos de Belo Horizonte (pode não ser um só): é pretensão da ACMINAS viabilizar, junto ao governo do município de Belo Horizonte, essas revitalizações. Todas as metrópoles do mundo que desenvolveram esse tipo de revitalização colheram dividendos empresariais, sociais e ambientais (Buenos Aires e Barcelona são exemplos). A atividade empresarial sabe, e bem, ocupar espaços. É, todavia, indispensável, que eles existam e que o Estado faça a sua parte com relação à limpeza, acessibilidade e segurança no ir-e-vir.

– Visitante ilustre: preferencialmente em conjunto com outras instituições, pretendemos criar o diploma ‘visitante ilustre’ para as figuras nacionais e internacionais que por aqui passarem em missões oficiais. Com esse projeto se criará mundo afora uma extraordinária rede de embaixadores de Belo Horizonte e de Minas Gerais.

– De braços dados com o Sebrae: essa extraordinária organização tem um cardápio de 135 (cento e trinta e cinco) oportunidades, em sentidos vários, disponibilizadas ao mundo empresarial. O que se pretende é criar um caderno de informações para cada associado e a ACMINAS acompanhará cada um de seus associados junto àquela instituição, no sentido de ser atendido. Esta parceria já está apalavrada.

– Vitrine – apresente sua empresa: a pretensão é criar um programa de apresentação das empresas dos associados para a comunidade e poderá dar-se em apresentação individual ou por grupos de atividades.

– Café Parlamentar: trata-se de programa antigo ao qual se pretende dar uma roupagem nova. O que se pretende é colocar a ACMINAS juntamente com instituições parceiras levantando o discurso das empresas (no interesse do Brasil, dos brasileiros e das empresas) quanto às reformas que o país tanto anseia: a reforma trabalhista (que ainda não se deu), a reforma tributária, a reforma política (na verdade uma reforma dos poderes), em síntese, uma reforma do Estado com a necessária reforma constitucional. Vamos fazer, para o Brasil, oportunamente, uma Constituição de verdade. É preciso reascender a ideia do ‘Pacto das Instituições’ na construção de alicerces de um Brasil melhor (um Brasil viável). Embora essa tenha sido, desde sempre, uma pregação desta presidência (que entende a Constituição brasileira uma Constituição antônima de si mesma), registramos a advertência que grande número de pessoas amigas, grandes pensadores, nos dedicam dizendo que, com a algazarra na qual se meteu o Brasil, essa pregação acaba representando um perigo. Correta a assertiva, mas, Roma não foi feita num só dia. Continuaremos pregando uma ‘revolução das ideias’.

Senhoras e Senhores,

A Revolução Francesa, na travessia do século XVIII para o século XIX colocou no horizonte da Humanidade 3 (três) valores: a Liberdade, a Igualdade, a Fraternidade. Do primeiro, o constitucionalismo moderno tomou conta. A constituição brasileira capturou – e bem – o valor da liberdade. O terceiro valor, a fraternidade, foi capturado pela moral religiosa e tem sido conduzido de modo razoável, afinal todas as religiões e crenças pregam o valor da fraternidade. O segundo dos valores, no entanto, o da Igualdade, continua sem merecer os devidos cuidados. A Humanidade deve a si própria o trato devido à igualdade entre cidadãos, diminuindo as diferenças e, portanto, ampliando as oportunidades. Também essa tarefa está a cargo das empresas com a construção de um mundo novo, numa nova leitura de um capitalismo que valorize a figura humana. Também isto está no rol de nossos muitos fazeres, também este é um propósito da ACMINAS.

Anunciamos, desde logo, que a festa que a pandemia nos obrigou a adiar ocorrerá em dezembro deste nascente 2021, quando celebraremos, numa só efeméride, o sucesso das empresas mineiras pós pandemia, o encerramento do centésimo vigésimo ano da ACMINAS e tricentésimo ano de Minas Gerais, tudo numa festa digna dos que souberam fazer as melhores sedições e a mais relevante das inconfidências. Todas as vezes que Minas tomou a seu cargo a condução dos destinos do Brasil, o país caminhou para frente e ocupou lugar de destaque no concerto das nações. Consultem a História, a do Brasil e a de Minas. Portanto, caros confrades e confreiras desta centenária Confraria, Minas precisa, urgentemente, voltar a ser Minas. É o que esperam de todos nós.

Ao trabalho, e um frutífero ano de 2021.

José Anchieta da Silva.

 

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