Durante a pandemia, exportações crescem e dão alento à economia

*Pedro Lobato
Bom desempenho da soja e do minério de ferro, cujas vendas dispararam, explica boas perspectivas para o Brasil nessa área (foto: Ivan Bueno/portosdoparana.pr.go.br – 20/2/17)


Não é sem motivo que a maioria dos analistas que acompanham o desempenho das vendas externas do Brasil, com o propósito de orientar os agentes financeiros, estão revendo suas previsões para o saldo de nossa balança comercial no final do exercício.

Na verdade, não se esperava déficit comercial, já que as importações permanecem contidas pelo ritmo baixo da atividade econômica interna. Além disso, houve uma mudança na fórmula de registro das importações que deve favorecer o saldo.

Mas ninguém contava com um aumento explosivo das exportações como o que vem ocorrendo este ano. De fato, as exportações brasileiras estão bombando e caminham para ser, mais uma vez, a melhor notícia de 2021 para a sofrida economia do país.
O trimestre fechado em março e as primeiras semanas de abril empurraram a média das previsões de saldo para 2021 para algo entre US$ 70 bilhões e US$ 73 bilhões. No início do ano, elas não iam além de US$ 53 bilhões. Depois de um crescimento modesto em janeiro, de 3,5% em relação a janeiro de 2020, esse percentual de crescimento quase dobrou em fevereiro, passando para 6,3%.
O grande salto ocorreu em março, quando os embarques de soja e minério de ferro dispararam. As exportações do mês somaram US$ 24,38 bilhões, representando aumento recorde de 33,2% sobre os US$ 18,31 bilhões de março de 2020.
No acumulado do primeiro trimestre deste ano, as exportações chegaram a US$ 55,64 bilhões, com crescimento de 15,7% sobre igual período de 2020, enquanto as importações cresceram 5,4%, passando de US$ 45,30 bilhões para US$ 47,74 bilhões. O saldo comercial de janeiro a março deste ano foi, portanto, de US$ 7,90 bilhões, muito acima do resultado obtido no mesmo trimestre de 2020, que tinha sido de US$ 2,79 bilhões.
Um olhar mais acurado sobre os principais produtos exportados pelo Brasil revela, entre outras coisas, que a economia chinesa retomou boa parte de seu crescimento industrial. Localizada na base de várias cadeias produtivas, como as das indústrias automotiva e da construção civil, a siderurgia é termômetro seguro do ritmo desses setores.
A China se tornou há anos o maior produtor siderúrgico do mundo e essa retomada é boa para o Brasil, que é um dos maiores exportadores de minério de ferro, matéria-prima básica para a produção de ferro e aço. Nos três primeiros meses deste ano, as exportações brasileiras de minério mais do que dobraram de volume e de receitas, graças às encomendas das siderúrgicas chinesas.

Minério e açúcar

De janeiro a março deste ano, a mineração emplacou o primeiro lugar na pauta, com exportações no valor de US$ 9,26 bilhões, 102,28% maiores do que os US$ 4,58 bilhões de igual período em 2020. A soja não fez feio no trimestre. Pelo contrário, as exportações desse grão (fora as do farelo) ficaram em segundo lugar na pauta brasileira, somando US$ 6,42 bilhões, com crescimento de 8,11% sobre os US$ 5,94 bilhões exportados de janeiro a março de 2020. Não é improvável que as exportações de soja cheguem perto de repetir os recordes dos dois últimos anos.
Outro produto do agronegócio que está brilhando nas exportações deste ano é o açúcar (incluindo o melaço). No primeiro trimestre, as vendas ao exterior desse segmento deram um salto expressivo, passando a ocupar o quarto lugar entre os principais produtos da pauta, com receita de US$ 1,83 bilhão, crescimento de 43,91% em relação a janeiro/março do ano passado.

Em queda esteve a exportação de petróleo bruto, um item que teve invertida sua tendência de crescimento do valor das vendas ao exterior. No trimestre, a receita com a exportação desse produto somou US$ 5,91 bilhões, 2,26% menor do que a obtida no mesmo período do ano passado. Mesmo assim, esse item se manteve como o terceiro mais exportado pelo Brasil.

Parceiros

A propósito, a China e os Estados Unidos, nesta ordem, têm sido os principais compradores de nosso petróleo bruto. Mas, neste começo de ano, houve uma surpreendente alteração no segundo lugar. Consolidando a posição de maior parceiro comercial do Brasil, a China ampliou em 6% suas compras de nossos óleos brutos de petróleo no primeiro trimestre. Elas somaram US$ 3,67 bilhões.
A surpresa foi o sul-americano Chile passar os Estados Unidos e ocupar o segundo lugar no destino das exportações brasileiras de petróleo. Elas chegaram a US$ 389 milhões, aumento de 110%, enquanto as compras norte-americanas caíram de US$ 395 milhões para US$ 316 milhões.
Mas, na soma geral, isso não tirou dos Estados Unidos a condição de segundo maior parceiro comercial do Brasil. As vendas para lá cresceram 7,36%, em comparação com o primeiro trimestre de 2020, somando US$ 5,58 bilhões. Os destaques foram os semiacabados de aço (US$ 987 milhões), aeronaves e suas partes (US$ 307 milhões) e o café não torrado (US$ 274 milhões).

Para a China, além do minério, da soja e do petróleo, também pesam os embarques de US$ 873,9 milhões de carne bovina e US$ 530 milhões de celulose. As exportações brasileiras para esse país somaram, no trimestre, US$ 17,59 bilhões, com crescimento de 27,96%. Não há sinais de que a China e os Estados Unidos deixarão de crescer em 2021, nem de que não continuarão comprando do Brasil.


Leia mais: Estado de Minas|Economia| 27/04/2021

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