Economia brasileira cresce 1,1% em 2018, e mantém ritmo lento de recuperação

Leonardo Faria Lima – Departamento Econômico ACMinas

Em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) do país obteve crescimento de 1,1%, expansão equivalente à registrada no ano anterior. O resultado corrobora a lenta recuperação da economia, após o confronto com a pior recessão da história, vivenciada entre os anos de 2014 e 2016. Em valores correntes, o PIB somou a quantia de R$ 6,8 trilhões.
 
Nos últimos cincos anos, o PIB brasileiro apresentou uma variação média anual negativa de -0,82% perante um desenvolvimento médio anual de 3,06% entre 2009 e 2013 – os cinco anos anteriores. 

   

                                                                        

 

Alguns fatores foram essenciais para a manutenção do ritmo moroso de crescimento, em outras palavras, a instabilidade gerada pela greve dos caminhoneiros e pela eleição presidencial. Estas duas variáveis afetaram negativamente os investimentos, com a consequente retração no advento de novas vagas de trabalho e manutenção da enorme capacidade produtiva ociosa.
 
Com o resultado efetivado a economia brasileira atingiu nível equivalente ao que exibia no primeiro trimestre de 2012, isto é, o PIB permanece aquém do patamar pré-recessão. Segundo a agência de risco Austin Rating, o Brasil detém o 40º lugar no âmbito do ranque de 42 países que já anunciaram as informações sobre o PIB de 2018.

 

PIB per capita

O PIB per capita (por habitante) apresentou uma pequena recuperação, ou melhor, obteve expansão de 0,3% no ano, variação igual à de 2017. Entre 2014 e 2016, o indicador sofreu uma abrupta involução de 8,8%. Assim, serão necessários alguns anos de crescimento econômico sustentável para recuperar o indicador. Em 2018, o PIB per capita atingiu R$ 32.747.

 

                                                                      

 

 

Componentes dos PIB

Ótica da Oferta

 

No âmbito desta comparação, a agropecuária, indústria e serviços obtiveram desempenho positivo, evolução de 0,1%, 0,6% e 1,3% respectivamente.
O setor de serviços foi o destaque do ano, a sua expansão foi impulsionada, especialmente, pelas atividades imobiliárias (3,1%), comércio (2,3%), e transporte (2,2%). O valor adicionado do seguimento totalizou R$ 4,28 trilhões, quantia que representa 62,6% do PIB.

 

No setor industrial o destaque positivo foi a expansão da atividade de Eletricidade e gás, água, esgoto, atividades de gestão de resíduos, 2,3% sobre 2017. Já o destaque negativo foi a Construção, a referida atividade apresentou uma involução de -2,5% (5º recuo anual consecutivo). 
 
O agronegócio, catalisador do PIB de 2017, cresceu somente 0,1%. Os destaques positivos foram o café com expansão de 29,4%, algodão com 28,4%, trigo com 25,1% e soja com 2,5%. Contudo, importantes lavouras obtiveram involução, milho (-18,3%), laranja (-10,7%), arroz (-5,8%) e cana (-2,0%).

                                                                           

                                                                         

                                                                                                                                                                   

 

Ótica da demanda

 

O destaque ficou com o consumo das famílias, no entanto, o indicador obteve um tímido crescimento de 1,9% perante 2017. Segundo o IBGE, a demanda das famílias foi fundamental para a expansão de 2018. O desempenho do indicador foi estimulado pelo juros baixo, pela inflação controlada e pelo aumento da massa salarial. Além disso, a variação positiva do consumo das famílias compensou a contribuição negativa oriunda do setor externo, de 0,5 ponto percentual, porque, as importações apresentaram um maior crescimento ante as exportações.

 

A formação bruta de capital fixo (FBCF) ou a taxa de investimento obteve desempenho de 4,1%, após quatro anos consecutivos de recuo. A FBCF alcançou o patamar de 15,8% do PIB contra 15% de 2017. Porém, o percentual está aquém do patamar observado no ano de 2013 (20,5%).
 
A taxa de poupança foi mensurada em 14,5%, acréscimo 0,2 ponte percentual sobre 2017 (14,3%). 

                                                                           

   
                                                                               

Previsão PIB 2019

 

As principais instituições financeiras do país acreditam que o PIB irá crescer 2,3% no próximo ano. O Banco Central antevê uma expansão de 2,4%. Já o Fundo Monetário Internacional (FMI) e a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) projetam um desenvolvimento de 2,5% e 1,9% respectivamente. Contudo, o desempenho econômico do período dependerá da estruturação de um fator de tração, que está direcionado, especialmente, para a reforma da previdência.
 
O problema ou o desequilíbrio fiscal é a principal barreira a ser mitigada, pois, este contratempo breca o desempenho do PIB. Isto é, a incapacidade do governo federal em ajustar as contas públicas é uma âncora que trava a expansão atividade econômica.

  

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