Empresários misturam contas de PF e PJ

Créditos: Diário do Comércio

Limitações no controle financeiro e na organização dos negócios – com a mistura de contas pessoais com as da empresa – é desafio para os microempreendedores individuais, os chamados MEIs. Segundo a pesquisa Microempreendedor Individual – Relacionamento Bancário e Regularidade Fiscal, realizada pelo Serviço de Apoio às Micro e Pequenas Empresas de Minas Gerais (Sebrae Minas), no Estado, o índice de empreendedores que nunca separa o que são despesas pessoais e da empresa chega a 39%, sendo que 50% sempre faz a separação e, 11%, às vezes. O índice daqueles que não define com exatidão quanto de dinheiro necessita para manter a empresa funcionando chega a 53%, sendo que 35% sempre fazem esse cálculo e, 12%, responderam às vezes.

O estudo Relacionamento Bancário e Regularidade Fiscal é realizado, desde 2011, a cada dois anos. Seu objetivo é verificar como se dá o relacionamento do microempreendedor com o sistema financeiro. “Nesse período, observamos que os resultados têm alternado muito em vários aspectos. É certo que há um grande índice de microempreendedores que misturam as contas físicas e jurídicas. Mas há tendência a uma maior organização”, diz o analista do Sebrae Minas, José Márcio Martins. De acordo com ele, o Sebrae Minas promove constantes ações na busca de melhores resultados.

De acordo com o analista, em alguns casos, o negócio oferece um produto ou serviço atrativo, mas os problemas de administração acabam impedindo o seu crescimento e, em alguns casos, levam até mesmo ao seu fechamento. O impacto principal da falta do controle financeiro é sobre o capital de giro. “Sem ter controle sobre as contas, o empreendedor tira do capital de giro para arcar com as despesas. Mas o rombo aumenta”, pondera.

Ainda de acordo com a pesquisa, 23% dos MEIs não calculam o valor dos produtos. Outros 30% nunca fizeram controle de contas a pagar. Quando perguntados sobre como é feito o controle das finanças, 59% responderam em um caderno, sendo que outros 25% usam planilha e 15% disseram que mantêm o controle “de cabeça”. Em média, 45% acreditam não ter dificuldade nos controles financeiros do negócio.

Contas bancárias – O estudo aponta também que nem todos os empreendedores têm conta em banco. Em 2017, 84% responderam que têm conta. Dos que não têm, a maior parte – 47% – alegou que, devido ao tamanho do negócio, não necessita do serviço.
Já entre aqueles que têm a conta bancária, a maior parte – 65% – tem apenas uma conta pessoa física. Desses, 56,7% usam-na para movimentações pessoais e da empresa. Dos 14% que só têm conta pessoa jurídica, 66,7% usam-na somente para as movimentações financeiras, mas 28,9% utilizam também com fins pessoais.

A pesquisa mostrou que os empreendedores individuais estão tendo mais dificuldades no acesso ao crédito. Em 2017, 53% relataram esse tipo de dificuldade, sendo que na última pesquisa (2015) o problema foi relatado por 29%. “No momento de retração econômica, os bancos se tornam mais criteriosos. O crédito se torna mais restrito”, diz Martins.

Cartão – A pesquisa apontou que os microempreendedores estão aderindo com maior intensidade às formas eletrônicas de pagamento. Segundo a pesquisa, 38% dos MEIs usam cartão como forma de pagamento. Em 2015, 26% adotavam essa modalidade. O crescimento, segundo o Sebrae, é de 46% no percentual.

Sobre a regularidade fiscal, o pagamento das guias (carnê do MEI) está em dia para 65% dos entrevistados. Dos que não estão com todas as guias em dia, 46% alegaram falta de recursos .

Quanto ao futuro, 52% disseram que pretendem continuar como MEI nos próximos dois anos e 33% esperam se tornar empresa de pequeno porte.

Foram entrevistados 385 microempreendedores individuais no Estado, de maio a junho de 2017. De acordo com o Sebrae, em Minas há 820.563 MEIs, o que representa 11% do total do País.

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