Entidades do comércio em BH reclamam de alta da Selic e pedem estabilização

CDL e ACMinas emitiram notas em que se manifestam negativamente a mais um reajuste feito pelo Banco Central

CDL afirma preocupação com datas comemorativas no segundo semestre — Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Entidades do comércio em Belo Horizonte reagiram negativamente à elevação da taxa Selic para 13,75%. O aumento de 0,5 ponto percentual foi anunciado pelo Banco Central na noite desta quarta-feira (03), após reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). O percentual alcançado é o mais alto desde dezembro de 2016, quando o Brasil alcançou o mesmo índice também durante período de crise econômica.

O presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL/BH), Marcelo de Souza e Silva, afirmou que o 12º reajuste feito sobre a Selic vai impactar, diretamente e consecutivamente, o consumo da população. “Uma vez que o consumo é desestimulado e o crédito, tanto para consumidor quanto para lojista, se torna mais caro”, afirmou Souza e Silva.

Para ele, o aumento da Selic é um caminho para conter a inflação, especialmente no cenário atual de pressão econômica mundial. “Entretanto, é preciso agir com cautela já que, mesmo que o objetivo seja segurar a inflação neste momento, ao longo dos próximos meses podemos sentir um efeito rebote e um novo crescimento inflacionário estagnar a economia, recuar a produção e achatar o número de empregos formais no país”, reclama o presidente da CDL.

Marcelo ainda cita que a expectativa da CDL é que a elevação feita pelo Copom seja a última do ano. Ele lembra datas marcadas por boas vendas no comércio no segundo semestre, como Black Friday, Dia dos Pais, Dia das Crianças e Natal. “Um ambiente inflacionário, com alto custo de crédito e baixo poder de compra das famílias, poderá ter um efeito negativo no resultado das vendas e, por consequência, na geração de emprego e renda. Esperamos que o governo nos propicie um ambiente econômico seguro e com perspectivas positivas para 2023”, conclui.

No mesmo tom, o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Minas (ACMinas), José Anchieta da Silva, disse que espera que o Copom esteja chegando ao fim do ciclo de aumentos da taxa. “É importante termos um olhar realista para a nossa situação econômica. Sabemos que ainda estamos em rota de recuperação, mas as decisões de estímulo, recém tomadas pelo governo federal, gerarão custos futuros à sociedade brasileira”, pondera.

Anchieta diz que o cenário não é ideal para o empreendedor brasileiro. Ele ainda afirma que a proximidade do período eleitoral é uma oportunidade para que possa se discutir medidas de reversão do cenário de inflação e juros altos, possibilitando desenvolvimento econômico a partir do setor produtivo. José Anchieta ainda afirma que o alívio econômico propiciado a partir da promulgação da PEC Kamikaze é momentâneo.

“Mas sabemos que, a partir do ano que vem, este estímulo se esgota e precisaremos pagar a conta. Como os candidatos do executivo e legislativo pretendem atacar este problema? Não podemos negligenciar esta discussão e a resposta para esta pergunta é fundamental para que possamos escolher quem nos representará a partir de 2023”, questiona o presidente da ACMinas.

 

Fonte: O Tempo

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.