Estado mantém saldo positivo de empregos em março

*Por Juliana Siqueira

A construção em Minas foi responsável pela geração de 6.243 empregos em março | Crédito: Charles Silva Duarte/Arquivo DC

O saldo de empregos em Minas Gerais continuou positivo em março, apesar de menor do que o verificado em fevereiro. No mês passado, foram criadas 35.592 novas vagas de trabalho, com um total de 181.792 admissões e 146.200 desligamentos. No segundo mês do ano, foram 50.820. No primeiro trimestre, já são 108.109 novas vagas no Estado.

A desaceleração de fevereiro para março também é vista no País de maneira geral, uma vez que em março foram gerados 184.140 novos postos de trabalho contra 395.166 no mês anterior. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia.

Apesar de os números representarem um avanço frente a igual período do ano passado, quando o saldo de empregos foi negativo no Estado (-19.836), especialistas têm destacado que as bases comparativas são diferentes.

Conforme explicou o professor de economia do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec BH), Paulo Casaca, a metodologia do Caged foi modificada. Se antes eram computados somente os dados da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), agora também entram as informações do eSocial, mais amplo, o que resulta em mais categorias abarcadas e, consequentemente, em uma tendência de elevação dos números.

Mesmo assim, os dados ainda são positivos. De acordo com o Caged de março, somente o setor de serviços foi o responsável pela geração de 12.950 postos de trabalho. Em segundo lugar ficou a indústria, com 7.246.

Economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Izak Silva destaca que os resultados em março superaram as expectativas. Entretanto, lembra ele, é importante perceber que alguns dos setores industriais que mais contrataram no último mês, como o de vestuário e veículos, foram justamente aqueles que mais sofreram ao longo da pandemia da Covid-19.

“Está havendo uma recuperação de uma parcela do nível de produção, com a contratação de mais trabalhadores”, diz. “A parte boa é que estão contratando e recuperando”, salienta.

Silva também lembra que o Estado e o País ainda enfrentam a pandemia da Covid-19 e que as medidas de distanciamento social, que foram adotadas mais uma vez intensamente com o agravamento da propagação da doença, poderão refletir no mercado de trabalho nos próximos meses.

Mais destaques – Ainda segundo o Caged, a construção, a agropecuária e o comércio também apresentaram saldo positivo de vagas de emprego em março em Minas Gerais, com 6.243, 5.029 e 4.124 postos de trabalho, respectivamente.

Economista da Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo de Minas Gerais (Fecomércio MG), Gabriela Martins salienta que um dos motivos que contribuíram para os números positivos de emprego no Estado foi a reabertura do comércio, além de fatores sazonais.

“Esse aumento pode ser explicado principalmente pela reabertura do comércio, que teve uma ascensão depois do segundo semestre de 2020. Essa abertura veio até março na maioria dos municípios de Minas Gerais. E também pela sazonalidade histórica que existe no fim do ano. Sempre em dezembro tem um aumento do nível de emprego, já historicamente”, diz ela.

Entretanto, lembra a economista, posteriormente houve medidas muito restritivas no Estado em meio ao agravamento da pandemia da Covid-19, com a adoção da chamada onda roxa. Isso pode acabar impactando os números, de acordo com ela.

“Essa implementação da onda roxa levou ao fechamento de grande parte do comércio, o que pode impactar negativamente o nível de emprego logo em abril”, afirma.

Já em relação às perspectivas de longo prazo, Gabriela Martins salienta as incertezas. “As perspectivas de longo prazo ainda são muito incertas porque a retomada da economia depende grandemente da resolução do cenário da pandemia. E essa resolução só vai acontecer com uma vacinação em massa. Então, enquanto a gente não tiver uma perspectiva de uma vacinação em massa, um aumento do número de vacinação e uma maior rapidez, a gente não consegue ter uma perspectiva muito certa”, afirma.

Leia mais: Diário do Comércio|Economia| 29/04/2021

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