Exportações do agronegócio de Minas Gerais batem recordes

Em 18 de junho de 2021 às 00:30

As exportações do agronegócio de Minas Gerais bateram recordes em volume e receita no acumulado de janeiro a maio de 2021. Durante os primeiros cinco meses do ano, a receita gerada com os embarques subiu 16,5%, alcançando US$ 4,12 bilhões, o maior valor exportado da série histórica para o período.

Ao todo, o Estado embarcou 5,15 milhões de toneladas de produtos agrícolas e pecuários, uma alta de 0,7% frente ao mesmo intervalo de 2020. A demanda mundial aquecida por alimentos, a valorização dos produtos no mercado e a desvalorização do real frente ao dólar contribuíram para o resultado positivo no período.  

De acordo com os dados da Secretaria de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Seapa), entre janeiro e maio, o preço médio da tonelada ficou em US$ 799,93, valor que supera em 15,63% os US$ 691,75 registrados em igual período de 2020.

Segundo a assessora técnica da Seapa, Manoela Teixeira de Oliveira, a alta dos índices está atrelada aos fatores conjunturais do momento.

“A pandemia de Covid-19 vem dando uma dinâmica bem particular ao mercado internacional, com as cadeias de produção e a indústria se organizando, mas ainda sofrendo pressão da demanda aquecida. Isso favorece o aumento dos preços das commodities, principalmente as de alimentos. Além disso, a China apresentou um incremento de 13,4% na demanda pelos produtos mineiros, se compararmos com o ano passado. Outro ponto é a taxa de câmbio, que vem favorecendo os embarques. O avanço da vacina contra a Covid-19 também é importante e vai permitir a recuperação econômica mundial”, explicou.

Entre janeiro e maio, os produtos mineiros foram embarcados para 163 destinos diferentes. O principal parceiro comercial é a China, com participação de 29% nas compras, seguida pelos Estados Unidos, 11%, Alemanha, 10%, Japão, 5%, e Bélgica, com 5%.

O bom desempenho das exportações é importante para que os produtores rurais tenham melhor renda. Apesar do dólar elevado favorecer os embarques, a cotação da moeda norte-americana também afeta os custos de produção, já que grande parte é importada.

“A nossa produção agrícola e pecuária ainda carece de muitos insumos importados, então, com as exportações, os produtores têm a oportunidade de compensar o aumento dos custos. O que é muito importante”, disse Manoela. 

Café e soja

Dentre os destaques das exportações do agronegócio de Minas está o café. A exportação do grão foi responsável pelo faturamento de US$ 1,7 bilhão, valor 15,7% maior que os US$ 1,5 bilhão registrados anteriormente. Com o resultado, somente os embarques do café responderam por 43,39% das exportações do agronegócio mineiro. 

Em relação ao volume, foram embarcadas 772,4 mil toneladas de café, variação positiva de 16,1% frente as 665 mil toneladas registradas nos primeiros cinco meses de 2020.

“Este resultado foi o segundo melhor para o café desde 2011, tanto em receita quanto em volume. O crescimento é devido à safra recorde do ano passado e ao atendimento aos contratos firmados anteriormente”, explicou a assessora técnica da Seapa. 

Alta também nas exportações de soja. A receita com os embarques totalizou US$ 1,15 bilhão, crescimento de 20%. Ao todo foram embarcadas 2,59 milhões de toneladas do complexo soja, volume que ainda está 3,6% menor que o registrado anteriormente.  O preço da tonelada ficou maior, passando de US$ 357,6 para atuais US$ 444,96.

“A demanda pela soja segue alta. A China comprou 74% da soja exportada por Minas. Percebemos aumento na demanda de outros países como do Paquistão, Tailândia, Vietnã e Irã”, disse Manoela.

Carnes

No grupo das carnes, os embarques movimentaram US$ 411 milhões com a venda de 139,9 mil toneladas, o que representou incrementos de 7,8% em receita e de 21% em volume. 

A exportação de carne de frango foi o maior destaque do grupo. Os embarques cresceram 40,6% em receita, que alcançou US$ 96,8 milhões. O volume enviado ao exterior, 63,4 mil toneladas, subiu 63,4%.

As exportações de carne bovina avançaram 0,2% em valor, que ficou em US$ 292,5 milhões. Foram exportadas 65,7 mil toneladas, volume 0,9% menor que o embarcado anteriormente.

A comercialização de carne suína com o mercado vem se recuperando. Foram exportadas 8,5 mil toneladas, queda de 1%. O faturamento aumentou 8,4%, encerrando o período em US$ 17,2 milhões.

Entre janeiro e maio, as exportações do complexo sucroalcooleiro subiram 15,9% em faturamento e 11,7% em volume, gerando uma receita de US$ 300 milhões e embarque de 983,3 mil toneladas.

Por Michelle Valverde / Diário do Comércio

 

 

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