Fleury desenvolve teste inédito para covid-19 usando proteína do vírus

Por: Por Beth Koike, Valor — São Paulo

O Fleury desenvolveu teste inédito para diagnóstico da covid-19 utilizando a proteína do vírus (a “casca” que o reveste). O exame mais comum, o RT-PCR, usa o RNA (uma parte do DNA) do novo coronavírus.

As vantagens desse novo tipo de teste — que é o primeiro no mundo — é que a maior parte dos insumos é nacional e a proteína é mais resistente à temperaturas elevadas. Vários exames de RT-PCR são perdidos porque o processo de armazenagem em baixas temperaturas e a logística são incorretos. Com a alta do dólar, o custo do exame RT-PCR deve sofrer elevação, uma vez que quase todos os insumos são importados.

“Esse é um tipo de exame ideal para regiões distantes, que não possuem laboratórios para fazer o processamento, que precisam enviar o exame para outras cidades”, disse Celso Granato, médico infectologista do Fleury.

Esse teste não será ofertado nas unidades do Fleury e nas cidades onde a rede de medicina diagnóstica presta serviços. O exame será encontrado apenas nos laboratórios, clínicas e hospitais nas praças onde o Fleury não tem presença.

“Em São Paulo e outras capitais, não faz muito sentido oferecer esse teste porque temos o RT-PCR, que tem uma sensibilidade [de acerto] de 100%”, explicou.

O exame feito com a proteína tem uma sensibilidade um pouco menor, mas, segundo o infectologista, a sensibilidade do RT-PCR cai durante o processo de logística e fica semelhante ao do teste feito com a proteína do vírus.

Segundo Granato, o novo exame será comercializado entre R$ 170 e R$ 180 para os laboratórios que estabelecem seus respectivos preços para o paciente final. Esse valor é cerca de 15% inferior ao preço do RT-PCR.

Segundo Granato, inicialmente, o teste será ofertado para rede privada, mas o Fleury está aberto a conversar com a rede pública de saúde.

O Fleury tem, atualmente, insumos em estoque para processar 15 mil testes. “Temos três máquinas com capacidade para processar 500 exames, por dia”, disse Granato.

A equipe do Fleury que estuda proteínas de vários tipos de vírus trabalha no tema há dez anos e há dois meses vinha se dedicando ao novo coronavírus.

Jornal Valor Econômico | 26 de maio de 2020

 

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