FLEXIBILIZAÇÃO JÁ ATINGE 90% DAS CIDADES MINEIRAS

Por:  Mara Bianchetti

 

Cerca de 90% dos municípios de Minas Gerais estão com algum tipo de flexibilização das medidas de distanciamento social em combate ao novo coronavírus (Covid-19), com as atividades econômicas retomadas parcial ou totalmente.

A expectativa do governador, Romeu Zema (Novo), é que na segunda quinzena deste mês ou no início de junho, a totalidade dos setores de Minas Gerais esteja liberada.

Em transmissão ao vivo pela internet com a jornalista Leda Nagle, Zema disse que a suposição advém do achatamento da curva de contaminação do Estado.

“Estou supondo que neste mês de maio, segunda quinzena, mais tardar em junho vamos estar com praticamente a atividade econômica operando normalmente. Dentro desse novo normal, com todos os cuidados necessários. Nossa curva já foi empurrada para junho e se continuar como está, vai para julho. Desde que a reativação da economia seja feita com segurança e critério, acredito que possa ser conduzida com segurança, dentro desse novo normal, com todos os cuidados necessários”, afirmou.

Em pronunciamento virtual na sexta-feira (8), o governador falou sobre o programa “Minas Consciente – Retomando a economia do jeito certo”, criado com o objetivo de orientar a retomada das atividades econômicas de forma segura nos 853 municípios de Minas, e que já liberou a segunda onda (branca) em algumas regiões do Estado.
Zema destacou que os protocolos foram liberados pelo Executivo a todas as prefeituras mineiras, mas a decisão sobre adesão e flexibilização ou não das medidas de distanciamento social compete a cada prefeito. “Disponibilizamos os protocolos de forma que cada município possa fazer a reativação gradual e segura das atividades econômicas”, citou.

Já o secretário adjunto de Desenvolvimento Econômico, Fernando Passalio, chegou a afirmar, na quinta-feira (7), que cerca de 20 a 50 cidades mineiras estão em processo ou já aderiram ao programa. Mas ressaltou que os números podem ser ainda maiores, uma vez que, para acelerar, os prefeitos não precisam mais solicitar a adesão, apenas enviar uma declaração, e há prefeitos que ainda não o fizeram.

Questionada sobre a confirmação e atualização dos números, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico (Sede) apenas informou, por meio da assessoria de imprensa, que “a liberação das ondas é feita de forma gradativa”. E que “os dados epidemiológicos são fatores decisivos para a abertura de novas ondas. Desta forma, se Minas Gerais continuar com a curva controlada é possível que alguma região chegue na onda vermelha nos próximos meses”.

Também na quinta-feira, quatro macrorregiões da saúde do Estado (Centro, Noroeste, Nordeste e Leste do Sul) avançaram no programa Minas Consciente, passando da chamada onda verde para a onda branca. Com a mudança do protocolo, os locais que aderiram ao programa vão retomar atividades consideradas de baixo risco. Entre elas estão estabelecimentos comerciais de antiguidades e objetos de arte, de artigos esportivos e jogos eletrônicos, de produtos agrícolas, plantas e floriculturas, de móveis, tecidos e afins, entre outros. A onda verde, a primeira delas, considera a abertura apenas de serviços essenciais.

No pronunciamento da sexta-feira (8), Zema lamentou as 111 mortes causadas até o momento pelo novo coronavírus em Minas Gerais, mas, por outro lado, ressaltou a situação do Estado em relação aos demais e elogiou a curva de contaminação dos municípios mineiros.

“Dentre todos os estado do Brasil, hoje apenas dois possuem taxa de óbitos por 100 mil habitantes menor que a de Minas Gerais: Mato Grosso do Sul e Mato Grosso. Isso com toda certeza é fruto das medidas que tomamos ainda no início do ano já prevendo que o pior poderia acontecer. A agilidade do governo e a consciência do mineiro têm contribuído para que nossa taxa seja a melhor do Sul e do Sudeste. Minas tem sido um Estado exemplar no que diz respeito ao combate ao coronavirus”, avaliou.

O líder do Executivo estadual disse ainda que, atualmente, 6% dos leitos Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estão ocupados com pacientes portadores ou suspeitos do vírus.

“Antes essa taxa vinha variando entre 4% e 5% e agora chegamos a 6%, mas não é nenhum acréscimo acentuado, o que faz com que possamos dizer que o trabalho continua sendo bem conduzido no Estado”, completou.

Monitorar – Já o secretário de Governo, Igor Eto, quando questionado sobre o cumprimento das orientações estabelecidas pelo programa, disse que agora não é hora de fiscalizar, mas de monitorar as taxas de contaminação. “Os dados são revisados diariamente, e toda medida necessária será tomada se for preciso”, disse em entrevista coletiva virtual logo após o pronunciamento do governador.

Ele acredita que, neste momento, ainda não há necessidade de fechamento total (lockdown) em Minas, como vem sendo estudado em outros Estados. “Estamos tendo perdas, mas os números estão caminhando dentro do controle”, finalizou.

SAÚDE PÚBLICA GANHA SISTEMA DE TELEMEDICINA

Durante pronunciamento realizado na sexta-feira (8), o governador Romeu Zema (Novo) lançou o serviço de telemedicina no sistema público de saúde de toda Minas Gerais. Segundo ele, por meio do aplicativo Saúde Digital MG, os pacientes poderão utilizar a ferramenta no combate ao novo coronavírus (Covid-19).

“O recurso vai permitir com que as pessoas que tenham sintomas possam ter acesso aos profissionais de saúde e façam a triagem adequada à doença sem maiores riscos de contaminação. É um avanço muito importante, que vai atingir todo o Estado e que vai democratizar a assistência de saúde em Minas Gerais”, anunciou.

O aplicativo vai permitir marcar consultas, ser direcionado a um atendimento médico on-line ou mesmo ter a suspeita descartada para a doença. Romeu Zema explicou que em muitos países do mundo a consulta digital existe há mais tempo. “No Brasil, essa questão antes da pandemia sofria resistência. No entanto, ficou claro que podemos utilizar a ferramenta com adoção de critérios”, defendeu.

Também presente na coletiva de imprensa virtual, o secretário de Estado de Saúde, Carlos Eduardo Amaral, enfatizou a importância do aplicativo para proporcionar à população atendimento médico em maior escala para a realização de uma triagem. “A ferramenta nos permite universalizar o acesso às novas tecnologias. Ao acessar o aplicativo, o paciente terá atendimento médico, de enfermagem e psicológico”, explicou.

Por fim, comemorou a entrega de 60 leitos para atendimento exclusivo de pacientes do Covid-19 no Hospital Mário Penna. Ao todo, a ala receberá investimento de aproximadamente R$ 8 milhões, arrecadados por meio de uma parceria entre a instituição de Saúde e a Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

O valor vai possibilitar que o hospital realize a contratação de profissionais de saúde, a compra de equipamentos, itens e materiais de hotelaria – como camas, colchões e travesseiros -, materiais de proteção – como luvas, máscaras e insumos de higienização -, além de realizar obras de manutenção.

“É mais um passo do governo para estruturar a rede pública do Estado. Há dias a Secretaria de Saúde vem tomando medidas junto ao governo neste preparo, ampliando leitos, comprando respiradores, testes, estruturando toda a rede e orientando a sociedade. Esse contexto é que vai nos dar o suporte necessário no caso de um pico de incidência de casos”, salientou.

ESTUDO TERÁ QUE SER APRESENTADO

A Associação Brasileira de Juristas pela Democracia, Núcleo Minas Gerais (ABJD – MG) garantiu na justiça que o Governo do Estado de Minas Gerais seja notificado para que apresente, oficialmente, os estudos técnicos e planejamento que embasaram o programa “Minas Consciente”, que orienta a retomada gradual de comércio, serviços e outros setores nas cidades mineiras durante a pandemia da Covid-19, informa a entidade em nota.

A decisão do juiz Murilo Silvio de Abreu, da 1ª Vara da Fazenda Pública e Autarquias do TJ-MG, foi proferida nesta quinta-feira, (30), a partir da interpelação judicial feita pela associação no dia 29 de abril.

“Os atos administrativos devem ser motivados e a sociedade deve ter acesso amplo aos subsídios técnicos-científicos que eventualmente comprovem que o número de mortes no Estado não será impactado pelo retorno das atividades estabelecidas no projeto “Minas Consciente”, especialmente levando em consideração a estrutura hospitalar dos diversos municípios mineiros e as recomendações da Organização Mundial da Saúde (OMS)”, afirma a associação de Juristas. (Da Redação)

Jornal Diário do Comércio | 09 de maio de 2020 

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