Grupo de trabalho para enfrentamento da crise hídrica apresenta relatório parcial sobre cenário

Um grupo de trabalho da ACMinas debate como ajudar o empresariado e a população do estado a enfrentar a crise hídrica. Dados preliminares do grupo mostram que o impacto da seca de 2021 é diferente do ano de 2001, quando o país registrou apagões e racionamento de energia elétrica e racionamento. Agora, há uma diversidade maior de fontes energéticas e menos dependência das hidrelétricas. Mas a situação não é menos preocupante.

O Brasil enfrenta, neste ano, a pior estiagem registrada em 91 anos. Os reservatórios de água para geração de energia elétrica e para o abastecimento da população estão com níveis baixos.

Coordenado pelo vice-presidente Cleodorvino Belini, o grupo tem o objetivo de buscar informações para dimensionar a crise, conversar com os associados, sociedade e governos e preparar propostas de ações permanentes para que seja possível enfrentar um período de seca sem tanto impacto na economia e na vida dos mineiros.

O grupo foi criado no dia 3 de agosto/21 e já realizou cinco reuniões, sendo que esses dados foram apresentados em reunião plenária da ACMinas no dia 8 de setembro. Um dos encontros foi com a Câmara Minas Gerais-Israel de Comércio e Indústria, já que o país é um dos mais secos do mundo e desenvolveu políticas e tecnologias para uso e controle da água que são exemplo.

 

Crise hídrica

De acordo com Belini, a situação é diferente da registrada em 2001, porque, na época, 70% da energia consumida no país vinha das hidrelétricas. Atualmente, 20% do consumo é gerado por energia eólica, 30% pela térmica, 5% pela solar e 45% pela hidrelétrica, segundo dados da Cemig.

Apesar da maior diversidade nas fontes energéticas, a quantidade de consumo aumentou nesses últimos 20 anos, e esse é um ponto importante na crise. O governo federal lançou um incentivo para grandes empresas reduzirem o consumo de energia, mas ainda não há resultado de reduções. Uma razão para isso pode ser o planejamento das indústrias para adequação de instalações e gestão de equipe.

Belini disse que “é importante trabalhar no curto prazo, mas também ampliar a consciência do uso dos recursos. Empreendimentos como barragens de água, por exemplo, são importantes para várias atividades, mas cabe a nós trabalhar para que tais intervenções sejam minimamente invasivas e sejam acompanhadas de medidas compensatórias”, completa. 

É necessário, portanto, criar políticas educativas sobre o uso consciente da água e de recursos naturais; ações governamentais para se preparar para as mudanças climáticas do planeta e incentivar, através de subsídios, a produção e o consumo de energias renováveis, como a eólica e a solar. 

O vice-presidente, José Epiphânio Camillo dos Santos, integrante do grupo, redigiu um relatório preliminar sobre a situação hídrica. Ele ressaltou que busca informações oficiais e confiáveis para evitar o uso e a disseminação de fake news.

Um grave problema levantado por Epiphânio são as duas bacias que abastecem Belo Horizonte e região. Ele disse que, segundo a Copasa, a bacia do Rio Paraopeba não enfrenta tantos problemas porque é um sistema estruturado em barragens, que ainda estão em níveis aceitáveis. Mas a bacia do Rio das Velhas depende da coleta “a fio d’água”, ou seja, diretamente dos rios e ribeirões, e que a existência das barragens poderia deixar a situação um pouco mais confortável nos períodos de seca. 

O presidente do Conselho Empresarial de Turismo, Octávio Elísio Alves de Brito, que também lidera um grupo de trabalho sobre o lago de Furnas, analisou que o consumo de água é uma questão cultural no Brasil. “Infelizmente, acumulamos uma cultura lastreada na abundância da água, já que temos 12% da água doce do Globo. E isso criou na população a cultura da abundância e do desperdício. E é em cima disso que é muito importante o trabalho da ACMinas. É indispensável que tenhamos uma visão global para agirmos localmente”. 

O presidente do Conselho Empresarial de Comunicação, Hélio Faria, destacou também a importância da educação da população para o consumo da água e disse que o conselho está reunindo informações para que os municípios mineiros possam tomar decisões acertadas.

As ligações clandestinas de energia, chamadas de “gato” foram levantadas pelo vice-presidente Marcos Brafman, que ressaltou que muitas delas são encontradas na zona sul de Belo Horizonte, ou seja, em uma região com a população mais abastada e que deveria, portanto, pagar pelo consumo, para não sobrecarregar mais o sistema.

O coordenador do grupo, Cleodorvino Belini, prevê, pelo menos, mais três reuniões para que seja possível elaborar um relatório completo para alinhar as ações.

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