Indústria de MG tem indicadores positivos

*Por Juliana Siqueira

A valorização do minério de ferro e a alta do dólar incrementaram o faturamento da indústria extrativa em Minas | Crédito: Divulgação

Vários indicadores do setor industrial mineiro avançaram em fevereiro frente a janeiro. A produção apresentou crescimento de 0,5% na série com ajuste sazonal, de acordo com os dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Na comparação com igual período de 2020, a expansão foi de 5,8% e no acumulado dos dois primeiros meses deste ano de 7,8%. Porém, no acumulado dos últimos 12 meses, houve retração de 0,5%.

Além disso, o faturamento real do setor industrial mineiro registrou um incremento de 1,5% em fevereiro na comparação com janeiro, o quarto consecutivo. É o que aponta a Pesquisa Indicadores Industriais de Minas Gerais divulgada ontem pela Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg).

Os dados da Fiemg também revelam que, na mesma base de comparação, emprego, massa salarial real e rendimento médio real no setor industrial mineiro registraram alta de 1,9%, 1,6% e 0,6%, respectivamente. As horas trabalhadas na produção ficaram estáveis. Já a utilização da capacidade instalada chegou a 84,2% no segundo mês do ano, superando a média histórica (82,6%).

No entanto, apesar dos incrementos verificados no setor industrial mineiro no segundo mês do ano, ainda há muitas preocupações em relação aos reflexos do agravamento da pandemia da Covid-19.

“Temos verificado crescimento do setor extrativo, com a valorização do minério de ferro e o dólar em um patamar mais elevado. Isso acabou influenciando o resultado da indústria em geral”, destaca Julia Silper.

Os dados divulgados pelo IBGE também revelam que, além da indústria extrativa, outros setores da economia tiveram destaque quando se compara o mês de fevereiro deste ano com igual período de 2020.

Nesse cenário, os aumentos mais representativos foram fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias (39,5%), fabricação de produtos de minerais não metálicos (11,0%) e fabricação de produtos do fumo (8,9%).

Do lado das quedas ficaram as atividades de fabricação de outros produtos químicos (-8,5%), fabricação de celulose, papel e outros produtos de papel (-5,6%) e fabricação de coque, de produtos derivados de petróleo e de biocombustíveis (-4,2%).

Reflexos da pandemia

Supervisora de pesquisa econômica do IBGE, Claudia Pinelli ressalta que está ficando muito clara a dependência do movimento da indústria em relação às fases da pandemia da Covid-19. Medidas mais restritivas em relação ao não funcionamento das atividades costumam resultar em impactos nos números, diz ela.

Julia Silper, da Fiemg, salienta a importância de superar a pandemia para que tudo volte ao normal e, consequentemente, também a atividade industrial. “Há muitas incertezas em relação à abertura e fechamento das atividades”, afirma ela, que lembra, ainda, do ritmo lento de vacinação contra a Covid-19.

Além disso, diz a analista de estudos econômicos, todo esse contexto pandêmico ocasiona vários outros reflexos, como a falta de insumos, com montadoras brasileiras paradas por falta de materiais, por exemplo.

“Existe também a questão dos aumentos dos custos de produção, com encarecimento inclusive dos combustíveis, transportes, frete”, destaca. “Chega um momento em que esses custos precisam ser repassados”, diz.

Atividade perde ritmo no Brasil

Brasília – A segunda onda da pandemia de Covid-19 interrompeu uma sequência de nove altas na atividade industrial. Segundo a pesquisa Indicadores Industriais, divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI), o número de horas trabalhadas no setor caiu 0,5% em fevereiro na comparação com janeiro.

Apesar do recuo, o número de horas trabalhadas na indústria acumula alta de 3,5% em fevereiro na comparação com fevereiro do ano passado, antes do início da pandemia. Nos dois primeiros meses de 2021, o indicador acumula alta de 4% em relação ao mesmo período de 2020.

O agravamento da pandemia, no entanto, começa a ser sentido em outros indicadores, que recuaram mais que o total de horas trabalhadas. O faturamento da indústria caiu 3,3% em fevereiro, desfazendo os ganhos de dezembro e janeiro e retornando aos níveis de novembro do ano passado.

A massa salarial real (soma dos salários pagos corrigida pela inflação) encolheu 1,1% em fevereiro. O indicador continua abaixo do nível pré-crise, acumulando queda de 1,3% em relação a março de 2020. O rendimento médio real dos trabalhadores da indústria caiu 1,8% em relação a janeiro e está no menor nível desde julho do ano passado.

A utilização da capacidade instalada atingiu 80,2% em fevereiro, com queda de 0,4 ponto percentual na comparação com janeiro. Apesar da retração, o indicador permanece acima dos 78,8% registrados em fevereiro de 2020. Todos os indicadores estão com ajuste sazonal, desconsiderando oscilações típicas de determinadas épocas do ano, como número de feriados e datas comemorativas.

Emprego -O único indicador que manteve a sequência de altas foi o emprego, que subiu 0,4% em fevereiro. Em alta pelo sétimo mês consecutivo, o indicador ultrapassou o nível pré-pandemia e está 1,1% acima do registrado em fevereiro de 2020. Segundo a CNI, o emprego continua influenciado pela forte recuperação da atividade industrial em meses anteriores, mas os números sugerem que essa tendência pode ser interrompida mais à frente, caso a atividade industrial continue em queda. (ABr)

Diário do Comércio | Economia| 09/04/2021

 

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.