Indústria mineira de eletroeletrônicos não acompanha alta do País

Fonte: Diário do Comércio

A indústria eletroeletrônica nacional cresceu 5% este ano sobre 2016, em termos de produção e faturamento. Em Minas, porém, o setor, que tem o segmento elétrico mais representativo, teve crescimento menor, porque foi justamente o segmento elétrico que encontrou mais dificuldade durante o exercício devido à carência de investimentos em infraestrutura.

As informações são do diretor da regional da Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica (Abinee) no Estado, Alexandre Magno D’Assunção Freitas. Segundo ele, que não revelou números, mesmo com algumas empresas do segmento eletrônico (smartphones, tablets e informática), localizadas especialmente em Santa Rita do Sapucaí (Sul de Minas), o Estado concentra maior número de empresas do ramo elétrico, o que impediu um crescimento como o do País.

“Na soma de todos os segmentos, a indústria eletroeletrônica nacional cresceu 5% em produção e faturamento sobre 2016. Mas, quando separamos o segmento elétrico do eletrônico, os números mudam completamente. O elétrico ficou estável, e o eletrônico cresceu 20%. Em Minas, o segmento elétrico tem muito mais peso do que o eletrônico, apesar de Santa Rita do Sapucaí. Por causa dessa característica, Minas não apresentou crescimento como o do Brasil no geral”, argumentou Freitas.

Em âmbito nacional, a indústria eletroeletrônica gerou 4 mil postos de trabalho ao longo do ano, mas devido ao perfil do setor no Estado, a geração de empregos pela atividade em Minas também não acompanhou o ritmo do País. Freitas ponderou, entretanto, que municípios como Santa Rita do Sapucaí e Itajubá, ambos no Sul de Minas, com maior concentração de empresas do ramo eletrônico, também registraram crescimento no nível de emprego.

Em termos de exportações, até outubro, os embarques nacionais de produtos elétricos e eletrônicos somaram US$ 4,8 bilhões, 3,3% acima do mesmo período de 2016 (US$ 4,6 bilhões). Já as importações somaram US$ 24,5 bilhões, com alta de 16,3% em igual confronto. Com isso, o saldo comercial do setor fechou o período deficitário em US$ 19,7 bilhões.

O diretor da Abinee em Minas explicou que o resultado do comércio exterior comprova que o segmento eletrônico cresceu, uma vez que depende da importação de componentes, o que justifica o aumento de 16,3% dos desembarques até outubro deste ano.
“As exportações não cresceram tanto porque o mercado que está sendo atendido é o nacional. Estamos importando para atender o mercado interno e não o externo, porque o câmbio está desfavorável para vendas externas. Para ser viável, o dólar deve ficar entre R$ 3,80 e R$ 3,90”, detalhou Freitas.

Expectativas – Para 2018, o olhar do setor é de otimismo. Um dos motivos para dar base a isso foi a criação, em setembro, da Frente Parlamentar para o Desenvolvimento da Indústria elétrica e eletrônica Nacional, segundo o diretor da Abinee, “um marco e uma ferramenta de alavancagem para o setor”.

Apesar do otimismo, Freitas destacou que o setor só vai voltar a crescer se o Brasil também se desenvolver. “O País precisa de estabilidade para crescer econômica e politicamente. Quem traz investimentos é o exterior, e só entra capital externo se tiver estabilidade. Para alcançarmos isso, a aprovação da reforma previdenciária é fundamental”, afirmou.

Para o representante da indústria eletroeletrônica no Estado, caso a reforma da Previdência e a reforma Tributária acontecerem, haverá um ambiente estável para que o capital externo entre o País alavanque os investimentos em infraestrutura para impulsionar o setor, especialmente o segmento elétrico.

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