Indústria mineira está mais otimista para os próximos meses

*Por Mara Bianchetti

A utilização da capacidade instalada apresentou indicador positivo em abril na indústria de Minas | Foto: José Paulo Lacerda

Embora a produção tenha apresentado queda em abril, índices como nível de utilização da capacidade instalada, composição de estoques de produtos finais e geração de empregos indicam uma melhora no desempenho da indústria mineira.

O otimismo dos empresários em relação à demanda, compras de matérias-primas e contratações também favorecem o cenário e resultam em expectativas favoráveis aos investimentos no setor nos próximos meses. De toda maneira, cautela permanece como palavra de ordem diante dos percalços ainda impostos pela pandemia de Covid-19 a todo o País.

Esta é avaliação da coordenadora da gerência de Economia e Finanças Empresariais da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Daniela Muniz, acerca dos resultados da Sondagem Industrial realizada pela entidade no mês passado. Segundo ela, ainda é preciso muito cuidado com cada resultado favorável, pois ainda existem índices que indicam problemas, como a própria escassez de materiais e o risco de um novo recrudescimento no número de casos e óbitos por coronavírus.

“Enquanto não tivermos a vacinação para a maior parte da população em todo o mundo, continuaremos a conviver com a escassez de matérias-primas e a consequente elevação de custos, preços e produtos finais. Além disso, é importante salientar que os riscos da pandemia seguem elevados no País. Temos uma chance considerável de uma nova onda de casos e o ritmo de vacinação no Brasil segue a passos lentos”, comentou.

De toda maneira, ela ressaltou que o indicador de expectativa da demanda

marcou 60,8 pontos em maio, sinalizando perspectiva de avanço da demanda nos próximos seis meses pela 11ª vez consecutiva, ao ficar acima dos 50 pontos. O indicador também cresceu em relação a maio de 2020 (36,6 pontos) e foi o maior para o mês em 11 anos.

Em relação à expectativa de compras de matérias-primas, o índice aumentou 1,1 ponto entre abril (56,7 pontos) e maio (57,8 pontos), e apontou perspectiva de crescimento das compras no curto prazo. O indicador avançou 21,2 pontos em relação a maio de 2020 (36,6 pontos) – também o mais elevado para o mês em 11 anos.

Já a expectativa do número de empregados mostrou pelo 11º mês seguido perspectiva de expansão nos próximos seis meses. O avanço foi de 13,3 pontos frente a maio de 2020 (40,9 pontos) – o maior para o mês desde o início da série histórica mensal, em 2011.

E a intenção de investimento registrou 59,6 pontos neste mês, avanço de 2,9 pontos em relação a abril (56,7 pontos). Ante o mesmo mês do ano passado (39,8 pontos), crescimento de 19,8 pontos – o mais elevado para o mês desde o início da série histórica, em 2014.

“A melhora das expectativas decorre da percepção dos empresários de que os efeitos econômicos negativos da “segunda onda” da pandemia foram menores que os verificados na “primeira”, bem como do avanço, ainda que lento, da vacinação contra a Covid-19 no País”, comentou.

Desempenho da indústria mineira

Em relação ao desempenho da indústria em abril, Daniela Muniz destacou que a queda da produção, ao ficar abaixo de 50 pontos em abril, com 46,8 pontos, já era esperada, considerando que abril é um mês menor do que março e que os índices não passam por ajuste sazonal. Por outro lado, o índice cresceu significativamente frente ao mesmo mês de 2020 (29,3 pontos), em 17,5 pontos. O indicador do número de empregados apontou, pela 10° vez seguida, avanço do emprego e foi o mais elevado para o mês desde o início da série histórica mensal, em 2011.

Já a utilização da capacidade instalada efetiva em relação à usual marcou 46 pontos no mês passado, mostrando que a indústria operou abaixo do habitual. Na comparação com março (47,8 pontos), o indicador recuou 1,8 ponto. Em contrapartida, o índice registrou expressiva elevação, de 19,7 pontos, ante abril de 2020 (26,3 pontos), e foi o mais elevado para o mês desde o início da série histórica mensal, em 2010.

Por fim, os estoques de produtos finais voltaram a cair, registrando 49,3 pontos em abril –  inferior ao planejado pela 12ª vez consecutiva, mostrando que as empresas continuam com dificuldades na recomposição de seus estoques de produtos finais. 

Leia mais: Diário do Comércio|Economia| 27/05/2021

Compartilhe

Compartilhar no facebook
Compartilhar no twitter
Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no email

Posts recentes

Siga a ACMinas

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.