Inflação oficial de 2021 deve ficar dentro da meta

Por Sandra Carvalho

Medida pelo IPCA, a inflação oficial é impactada pela escalada nos preços dos alimentos, gás e combustíveis | Crédito: Tânia Rêgo/Agência Brasil

O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 6,10% em 12 meses e um Índice Geral de Preços-Mercado (IGP-M) acumulado em 31% no mesmo período têm assustado e trazem incertezas ao povo, uma vez que a recomposição de renda da população não acompanha essa alta.

Economistas ouvidos pela reportagem explicam que vários fatores interferem na trajetória dos preços, mas que o ponto em comum tanto para as altas aos produtores quanto para os consumidores finais é ainda a pandemia de Covid-19. Apesar das incertezas em relação à vacinação, os especialistas esperam que a inflação oficial feche 2021 dentro da meta do governo (3,75%, com tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos).

A elevação mais gritante e descompassada com a renda do brasileiro é a do IGP-M. O índice é usado como referência no reajuste dos contratos de aluguéis de imóveis. A alta é tão acelerada que algumas pessoas têm procurado a Justiça para mudar a base de referência dos contratos para o IPCA. Há ainda um projeto de lei na Câmara dos Deputados atrelando o reajuste desses contratos à inflação oficial.

“O descompasso do IGP-M é maior porque ele reflete os preços ao produtor. Esses preços foram afetados por paradas do setor produtivo em várias partes do mundo em função da pandemia que comprometeram insumos. As indústrias venderam os estoques e ainda não conseguiram equilibrar oferta e demanda. A evolução na vacinação mundial contribuirá para haver esse equilíbrio”, explicou o economista da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Izak Carlos Silva.

Outro fator que interfere no IGP-M é o preço das commodities. “Como houve uma desvalorização acentuada do real frente ao dólar, mais de 35%, ocorreu elevação nos preços das commodities, que fez também com que o custo ao produtor aumentasse. Para que o câmbio se estabilize, é preciso que o governo federal coloque as contas no lugar e melhore o risco fiscal do País”, avaliou o economista e professor do Ibmec, Felipe Leroy.

O economista da Fiemg acrescentou que o custo industrial subiu bastante em função dessas alterações mundiais. Os impactos na siderurgia, por exemplo, são de 42%. “Muitas indústrias estão represando a margem e não estão repassando a totalidade da alta dos custos aos consumidores”.

O IPCA também faz parte da composição do IGP-M. A inflação oficial, que reflete o mercado de trabalho e a atividade econômica doméstica, também vem seguindo uma trajetória de alta, impactado pela pandemia. Tanto o economista da Fiemg quanto o professor Felipe Leroy acreditam que o IPCA fechará o ano dentro da meta do governo. “As medidas tomadas pelo Banco Central com elevação na taxa Selic em 0,25 ponto percentual é um indicativo”, frisou Silva.

Da mesma opinião compartilha o mestre em Economia e Finanças Cleyton Izidoro, professor da Universidade Una. “O IPCA leva em consideração preços como transporte, educação, saúde, vestuário e habitação. Lá na ponta final, direto com o consumidor. Houve aumento da demanda, em muitos grupos. Os principais impactos do IPCA vêm dos aumentos nos preços de combustíveis, alimentação e do gás de botijão. No caso do IGP-M, os custos da construção civil também pesam, o que não acontece no IPCA, por isso a inflação oficial avança menos que o IGP-M. Vejo os preços acelerando menos do que antes, e o Banco Central tem agido para conter uma escalada. Por isso, acredito que a inflação oficial fechará o ano dentro da meta, na parte superior da meta, entre 4% e 5%”.

Leia mais: Diário do Comercio | Economia|13/04/2021

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