Influenciado pela alta de preços dos alimentos e bebidas, IPCA encerra 2019 com variação de 4,31%

Departamento Econômico ACMinas – Leonardo Faria Lima

O Índice Nacional de Preços Ao Consumidor Amplo (IPCA) encerrou 2019 com alta de 4,31% – acréscimo de 0,56 ponto percentual (p.p.) ante o resultado do ano anterior (3,75%). A variação registrada ficou um pouco acima da meta estipulada pelo Conselho Monetário Nacional, 4,25%. Contudo, ela permaneceu dentro da margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo (2,75% e 5,75%).

A aceleração do indicador nos últimos três meses do ano – alta acumulada de 1,76% – ratifica a retomada do crescimento econômico, porque, a evolução da economia gera uma maior pressão sobre os preços (aumento da demanda ante a oferta).

Inflação por grupo de serviços

 

A variação do IPCA em 2019 foi determinada, especialmente, pelo grupo Alimentação e Bebidas, que obteve alta de 6,37% e impacto de 1,57 p.p. no indicador. Além disso, os grupos Transportes (3,57%) e Saúde e Cuidados Pessoais (5,41%) apresentaram variações positivas relevantes. Apenas o segmento Artigos de Residência obteve variação negativa, -0,36%, com impacto de -0,01 p.p.

A alta verificada no âmbito do grupo de Alimentação e Bebidas (6,37%) sofreu influência, principalmente, da aceleração dos preços da carne nos meses de novembro e dezembro (27,61% no referido bimestre). No acumulado do ano, esses preços obtiveram uma variação acumulada de 32,40%, com o impacto de 0,86 p.p. O desempenho do referido item foi estimulado pelo intenso crescimento da demanda chinesa e pela desvalorização cambial (fator que fortalecer as exportações do país).

No segmento Transportes (3,57%), as maiores contribuições foram oriundas do ônibus urbano (6,64%) e da gasolina (4,03%), ambos com impacto de 0,18 p.p.

Em Saúde e Cuidados Pessoais (5,41%), o destaque ficou novamente com o item plano de saúde (8,24%), que deteve impacto de 0,34 p.p. no resultado do ano. É relevante salientar, o aumento de 7,35% nas mensalidades dos planos de saúde individuais autorizado pela Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) em 2019.

 

Inflação por regiões

Em relação aos índices regionais, 5 das 16 áreas averiguadas obtiveram alta acima da inflação do país. As maiores variações foram registradas em Belém (5,51%) e em Fortaleza (5,01%). Já Belo Horizonte obteve variação positiva de 4,20% (sétima maior alta observada).

 

Previsão para 2020

Para 2020, inicialmente, o mercado financeiro antevê para o IPCA uma alta de 3,60%. O percentual estimado está abaixo da meta inflacionária estipulada pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) – 4,00%, com margem de tolerância de 1,5 pontos percentuais para cima ou para baixo (2,5% e 5,5%).

A inflação em um patamar baixo permite a continuidade da política monetária executada pelo Banco Central em 2019, por meio da instrumentalização da Selic. A autoridade monetária deixou em aberto à possibilidade de novas reduções da Selic, contudo esta medida depende do comportamento do processo inflacionário e do desempenho da economia global.

 

 Conheça o IPCA

 

  • O IPCA é mensurado pelo IBGE desde 1980. O indicador foi constituído inicialmente com o objetivo de corrigir as demonstrações financeiras das companhias abertas.
  • O público-alvo do IPCA compreende as famílias com rendimentos mensais entre 1 e 40 salários-mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos.
  • Abrangência geográfica do IPCA: regiões metropolitanas de Belém, Fortaleza, Recife, Vitória, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba e Porto Alegre, mais os municípios de Goiânia, Campo Grande, Rio Branco, São Luís, Aracaju e Brasília.

O IPCA foi escolhido como o índice oficial do Governo Federal para avaliação das metas inflacionárias, contratadas com o FMI, a partir de julho/99.

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