Já é Natal no comércio de BH, ao menos nas vitrines

Por: Déborah Lima
O clima de Natal já chegou, pelo menos às vitrines de lojas de Belo Horizonte, onde os enfeites típicos anunciam a época do ano em que a esperança se renova – inclusive a de boas vendas.

Após meses se reinventando para não baixar as portas definitivamente diante das medidas para conter a pandemia, o comércio de BH está animado com um possível reaquecimento do setor e mantêm expectativa de recuperar o tempo perdido, inclusive apostando pesado nas promoções da Black Friday, no dia 27.

Enquanto isso, clientes decoram a casa mesmo sem saber se a família poderá se reunir para celebrar a data religiosa que simboliza o nascimento de Jesus Cristo. Em meio à incerteza, a palavra da vez é otimismo.

“A gente espera ter um Natal razoavelmente bom, que não tenha uma queda expressiva. O micro e o pequeno empresário, grandes geradores de emprego, se adaptam à crise e, por causa disso, estamos sentindo um cenário de expectativa positiva neste fim de ano”, afirma o presidente da Associação Comercial de Minas Gerais (ACMinas), Aguinaldo Diniz Filho.

“No início da pandemia o comércio sofreu de forma brutal. O índice de desemprego e a queda de renda são muito grandes, mas sabemos que o mercado funciona com expectativa, então a gente tem que ter uma dose de otimismo”, completa.

A ACMinas incentiva a retomada do comércio de forma responsável, com cuidados necessários para controlar o avanço do novo coronavírus. “Vamos acreditar que podemos ter um final de ano tomando todo cuidado com a pandemia, mas que tenhamos um Natal com mais alegria e mais perspectiva”, esperaz.

Neve artificial e luzes na Savassi

Na Região Centro-Sul de BH, as lojas de decoração já preparam a festa. Na Avenida Cristóvão Colombo, na Savassi, o comércio está enfeitado.

Tradicional pela variedade de produtos nesta época, a Estrada Real Decorações tem neve artificial e luzes por todo lado. Vale tudo para chamar atenção para convencer o cliente a entrar.

“Todo mundo já teve um ano difícil, então agora é hora de terminar bem e fazer um Natal lindo”, diz o vendedor Guilherme Henrique Moreira Costa, de 22 anos.

Mesmo com todo otimismo, a previsão não é de vendas como em outros anos. Mas só a possibilidade de abrir as lojas depois de tanto tempo já é comemorada.

“Só de a gente estar funcionando, ficamos felizes”, revela Guilherme, ao admitir que o movimento ainda está fraco se comparado aos últimos três anos em que ele trabalhou no local. “Nesta época, a loja costuma ficar movimentada de domingo a domingo. Temos muitos clientes, mas ainda está abaixo do ano passado. A esperança é de que aos poucos as pessoas voltem”, disse.

Do lado de quem compra, o clima natalino ainda é de cautela. Embora lamente por não poder comemorar a data como em outras épocas, o motorista Eron Pinheiro, de 57, já está de olho nos enfeites para não deixar a alegria da época passar em branco.

“Este ano não vai ser como outros, não. Não podemos reunir a família, por causa da pandemia. Com o ano novo eu não me importo, mas o Natal eu gosto de passar em família”, queixa-se, com os olhos marejados de saudade da mãe, de 80 anos.

“Minha mãe mora em outro bairro. Somos sete irmãos e nove netos. Todo ano reunimos todo mundo, mas neste eu não sei”, diz ele, mesmo assim determinado a comprar a rena natalina iluminada para decorar o sítio em Mateus Leme, na Grande BH.

Esperança natalina

Em outra loja na mesma avenida, a expectativa de boas vendas prevalece. “A gente ficou sete meses completamente fechado. Foi um ano praticamente perdido. Mas temos esperança de que neste Natal possamos refazer um pouquinho do que perdemos”, comenta Sonia Valente, uma das sócias da Loja Fabiano Valente. Neste ano, os artigos à venda ainda são da coleção 2019.

“Não comprei enfeite de natal. As próprias fábricas praticamente também não tinham o que vender, porque não produziram”, conta a empresária.

A preocupação com a pandemia ainda é presente para o gerente do Gujoreba, que tem unidade na Avenida Getulio Vargas, na Região Centro-Sul de BH.
“Estamos acompanhando os indicadores (da COVID-19), analisando os clientes e vendo como eles estão se comportando. Mas apostamos em estoque, trouxemos novidades. Claro que com cautela, mas a gente acredita que vai ser um Natal positivo. Acredito que as pessoas querem presentear os familiares e amigos e que o período de vendas será bom”, analisa Gustavo Josias Resende Batista, embora admita que precisou colocar o “pé no freio” na hora das compras: “Trouxemos novidades e variedade, mas em menor quantidade em relação aos outros anos”.

Estímulo 2020

O projeto começou em São Paulo, em maio, e está presente também em Minas, no Rio e no Ceará. Como a inadimplência de empreendedores que obtiveram apoio a juros subsidiados é quase nula, segundo os gestores, o fundo mantém novos financiamentos, com cerca de R$ 25 milhões disponíveis.

A iniciativa oferece o equivalente a até um mês de faturamento bruto da empresa antes da pandemia, com três meses de carência, pagamento em 24 meses e juros de 0,53% ao mês ou 6,5% ao ano.

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