Kalil libera comércio aos domingos, mas fala em aumento de fiscalização: ‘Aviso aos baderneiros que vão ser presos’

Por: Thaís Leocádio e Cristina Moreno de Castro, G1 Minas — Belo Horizonte

O prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PSD), concedeu, no início da tarde desta quarta-feira (25), sua primeira entrevista coletiva sobre o coronavírus após a reeleição.

Ele disse que não vai fechar a cidade – pelo contrário, anunciou que o comércio poderá abrir em três domingos, como pedido pelos representantes de lojistas. Mas falou em aumento da fiscalização: “Acabou a notificação. Agora vamos fechar as portas dos irresponsáveis“.

Segundo ele, haverá uma nova etapa de fiscalização, inclusive com prisão de quem descumprir as normas, além de monitoramento de redes sociais.

“Começamos hoje uma nova fiscalização para o próximo fim de semana. Temos autoridade, segundo me informou a PM, para prender os irresponsáveis, além de fechar o estabelecimento. A notificação, a notinha e a multinha acabaram, agora vamos lacrar estabelecimento. Estamos avisando aos baderneiros: vão ser presos. Porque não tem segunda onda, não. O que tem é gente ignorante, egoísta, irresponsável, não deixando a onda ir embora, a que estava indo”.

Os três domingos em que as lojas poderão abrir são este próximo, 29 de novembro, na esteira da Black Friday, e os dois anteriores ao Natal. A intenção é diluir os consumidores em compras e tentar diminuir a possibilidade de contaminação em aglomerações.
Apesar de aumentar ainda mais a flexibilização na cidade num momento de preocupação com os indicadores do coronavírus na capital (veja todos os números ao final desta reportagem), Kalil disse que não descarta o fechamento total da cidade de novo, caso seja necessário:

“Nós sabemos que no Vietnã, apesar de os asiáticos terem morrido aos milhões, 50 e poucos mil americanos morreram. Então nós estamos inteirando no Brasil três guerras no Vietnã pelo lado americano. E a irresponsabilidade, o relaxamento, a falta de empatia e a ignorância podem nos levar ao fechamento total da cidade novamente”.

Nesta terça-feira, o país bateu a marca dos 170 mil mortos pela Covid-19. Segundo o prefeito de BH, a pressão que está sofrendo agora é justamente para fechar a cidade:

“Ao contrário do que meia dúzia de comerciante pensa, que baladeiro pensa, que síndico de prédio que promove churrasco pensa, a população respondeu na urna o que ela pensa de fechar a cidade. Estou recebendo uma pressão muito forte agora ao contrário, pra fechar a cidade. Quando começa a morrer gente de 40, 37 anos, quando os que têm condição financeira não estão conseguindo internar no hospital, a situação é muito grave, gente. É uma pena que eu tenha que voltar aqui pra falar o que falei em março e que venho falando há oito meses.”

Em vários momentos da coletiva, Kalil destacou a responsabilidade de pessoas que estão descumprindo normas de segurança.

“Não estamos na segunda onda, estamos na baderna e irresponsabilidade (…) Isso que eu queria falar pra população de Belo Horizonte: estamos adoecendo por causa de meia dúzia de irresponsáveis. Estamos perdendo parentes porque moleques irresponsáveis estão fazendo o que não deveriam fazer”, disse ele.

Participaram da entrevista coletiva o prefeito Alexandre Kalil, o secretário municipal de Saúde, Jackson Machado, os três médicos que compõem o Comitê de Enfrentamento à Covid-19 na capital, Unaí Tupinambás, Estêvão Urbano e Carlos Starling, além de representantes das forças de segurança.

Vacinas contra a Covid-19

O prefeito Alexandre Kalil também falou sobre a vacinação contra a Covid-19 na cidade. Segundo ele, a prefeitura tem condições de arcar com os custos da vacina mesmo que os governos estadual ou federal falhem.

“Nós estamos com a luz no fim do túnel, estamos a um mês, um mês e pouco, dois meses de uma vacina. Qualquer problema que der no governo estadual ou federal, nós temos condições de compra dessa vacina. A prefeitura se armou pra comprar vacina, se for necessário. Óbvio que é um dever do governo federal. Não há risco de a população de Belo Horizonte ficar sem vacina, já estamos com 2 milhões de seringas estocadas, se necessário, e a vacina estamos com dinheiro separado pra comprar, seja ela qual for que for. A que vier nós compramos”, disse Kalil.

Ricos entre 20 e 40 anos

De acordo com o secretário municipal de Saúde, atualmente a maior incidência de pessoas contaminadas na capital está registrada entre as classes A e B, na faixa etária entre 20 e 40 anos.

“Do dia 10 de novembro pra cá, a ocupação de leitos de enfermaria e de UTI da rede particular da cidade aumentou mais de 100%, é a primeira vez que acontece. A pressão sobre os leitos privados é muito maior do que sobre os leitos do SUS. As pessoas que estão mais acometidas hoje são as pessoas das classes que estavam mais resguardadas no início da pandemia, mais favorecidas economicamente e estavam em distanciamento social e que, por algum motivo, pela fadiga de ficar em distanciamento, ‘chutaram o pau da barraca’ e estão saindo para as festas como o prefeito levantou”, afirmou Jackson Machado.

As aglomerações na capital preocupam o Comitê de Enfrentamento à Covid-19. “Estão acontecendo festas clandestinas em espaços que deveriam estar fechados, festas em prédios, festas particulares, pessoas alugando sítios, pessoas viajando e não há dúvida de que essas aglomerações são o grande foco que está causando o aumento no número de casos. Não é justo que a alegria temporária de alguns numa festa traga óbitos e internação em UTIs pra outros“, disse o secretário.

O médico Carlos Starling destacou que o fato de a pessoa já ter sido contaminada pelo coronavírus não é motivo para que ela abandone os cuidados. Já o infectologista Estêvão Urbano disse que, se não houver atenção nas festas de fim de ano, elas podem ser as últimas para algumas pessoas:

“A gente não queria que essas férias de fim de ano fossem festas de despedida”, disse.

Preocupação em BH

Em Belo Horizonte, segundo o mais recente boletim epidemiológico municipal, desta terça-feira (24), já houve 53.115 infectados desde o início da pandemia, sendo 1.622 mortos. É a cidade mineira com mais pacientes infectados e mais óbitos.

O Rt, taxa de transmissão por infectado, está em nível de alerta amarelo, com 1,08 – o que significa que 100 pessoas doentes podem infectar outras 108. O alerta vai para vermelho acima de 1,20. Até o momento, o pior Rt registrado na capital mineira foi no dia 29 de maio: 1,24.

Os outros dois indicadores considerados pela prefeitura para decidir manter fechados ou abertos os estabelecimentos na cidade estão verdes: são as taxas de ocupação de leitos de UTI (40,4%) e de enfermaria para pacientes com Covid-19 (38,1%).

O boletim passou a divulgar a taxa de incidência de Covid-19 no município, que está em 90,9 por 100 mil habitantes. Para as aulas voltarem, a taxa tem que estar em 20 por 100 mil.

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