Liderança Shakti: de qual líder precisamos agora?

A humanidade vive em constante evolução. Os sinais de um novo despertar da consciência em um mundo hiperconectado, incerto e fragilizado, impulsiona o ser humano a buscar por aspirações e propósitos mais amplos e verdadeiros: ao evoluirmos de maneira ética, assumimos a responsabilidade pelas consequências de nossas escolhas e compreendemos melhor as interdependências e as nuances do contexto de mundo em que estamos inseridos – frágil, ansioso, não linear e incompreensível, conhecido como mundo Bani. E o principal combustível para entender o momento atual é o estoque de conhecimento; enquanto o freio é a falta de imaginação

Mas qual é o tipo de líder que se destaca nesse momento de caos e incerteza? Será que apenas os super-heróis têm a capacidade de aguentar o baque e direcionar os esforços para o futuro?

Não é necessário ter poderes sobrenaturais para gerenciar os negócios em um cenário de grandes transformações. As habilidades requisitadas são essencialmente humanas. O líder consciente é mortal e assume suas vulnerabilidades; ele não tem medo de dizer que não tem todas as respostas, mas se mantém próximo liderando com pessoas, além de compartilhar ideias e decisões junto com a sua equipe, passando a tranquilidade de que fará o que tiver de ser feito.

O ponto mais importante da liderança é, sem dúvida, a de que mais precisamos agora: a capacidade de promover a mudança, de ser ética, inclusiva, cuidadora, compassiva e sobretudo “ecocêntrica”. As características do líder do futuro são distintas daquelas que nos foram apresentadas no passado: hierarquizada, militarista e desumana. É preciso demonstrar ânimo e ter paixão, ter coragem e antifragilidade, mas também humanidade e humildade.

Por milênios, a humanidade, organizações e as instituições sociais operaram e lideraram em sua maioria, segundo características “masculinas”: os traços de agressividade, ambição, competição e dominação do lógico-analítico do lado esquerdo do cérebro eram constantes. O modelo tradicional de liderança foi arquitetado para competições, focando na sobrevivência e conquista de um inimigo. Homens e mulheres negligenciaram por anos as características femininas em suas formas de liderar.

E por que países liderados por mulheres se saíram melhor na luta contra a Covid-19?

Eles têm uma coisa em comum – mulheres no comando. Islândia, Taiwan, Finlândia, Dinamarca, Nova Zelândia e Alemanha, são liderados por gestoras que impressionam na maneira de exercer o poder. Todas levaram a sério o problema que tinham em mãos e adotaram, rapidamente, estratégias para proteger a população de seu país, além de terem sido mais propensas à colaboração, combinando um punhado de habilidades femininas, tais como empatia, compaixão e escuta, muito diferente dos discursos de guerra que ouvimos constantemente. Não é novidade para ninguém que mulheres são boas administrando crises, pois são capazes de fazer muitas coisas ao mesmo tempo, como gerir adversidades no cotidiano.

É aqui que entra a Liderança Shakti, que veio para dar profundidade, poder e mais atenção neste pilar do Capitalismo Consciente, que é a liderança consciente, dentro das organizações. Esse termo foi cunhado por NilimaBhat e RajSisodia e muito bem explicado no livro: “Liderança Shakti – O Equilíbrio do Poder Feminino e Masculino nos Negócios”.

A Liderança Shakti é baseada em poder autêntico, flexível, verdadeiro e humano. Ele leva à uma realização pessoal e causa verdadeiramente um impacto positivo na vida das pessoas, principalmente dos liderados. Liderar em Shakti é mais que ser um líder consciente. É ser um agente transformador e condutor de mudanças positivas na sua vida e na organização onde atua. É aprender a viver uma vida mais plena e realizada, menos fragmentada, menos conflitante, mais inteira e totalmente harmônica consigo e com o outro.

O momento atual não está dizendo que será o fim dos homens e a ascensão das mulheres! Não é isso que o conceito de Shakti traz. Trata-se da celebração harmônica das forças masculina e feminina se complementando mutuamente até atingirem seu potencial infinito. É a humanidade progredindo para um estágio de evolução tanto de homens quanto de mulheres. É a autenticidade ganhando força. O poder aqui é “com” o outro e não mais “sobre” o outro.

Líderes devem ser bilíngues em relação a energias masculinas e femininas! Liderança Shakti promove esse equilíbrio.

Cito uma frase de Mahatma Gandhi: “Quando a força da alma desperta, ela se torna irresistível e conquista o mundo. Este poder é inerente a qualquer humano”.

O poder inerente a qualquer ser humano não coloca homens sobre mulheres. Coloca homens e mulheres juntos, exercendo um poder mais consciente e verdadeiro.

* Sobre o autor: Vice-presidente da ACMinas, Palestrante, CMO ADDHERE e Estudante de Futuros, Conselheira da Filial Regional do Capitalismo Consciente em Belo Horizonte

Créditos: Diário do Comércio

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