Lojista pode parcelar sem juros, mas deve informar custo

Créditos: Diário do Comércio

São Paulo – O presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, disse ontem que estuda como reduzir os juros do cartão de crédito com associações e lojistas, de forma a mexer no sistema para reduzir distorções e subsídios cruzados.

“Se coloca que nós queremos acabar com o financiamento ao lojista. De jeito nenhum”, disse ele. O que o Banco Central quer é acabar com a ideia de que há algo sem juros, principalmente no Brasil que os juros não são tão pequeninos”, disse.
“Lojista pode parcelar, tudo continua valendo, mas tudo tem custos e isso precisa ser endereçado de alguma forma”, emendou.

Goldfajn reforçou que o BC não decidiu ainda o que fazer com o parcelado sem juros do cartão, mas “as soluções não são fáceis”.

O setor de cartões estuda uma alternativa ao parcelamento de juros, como taxas diferenciadas de acordo com o perfil do cliente, mas enfrenta resistência dos lojistas que temem, dentre outros pontos, perder clientes.

Empréstimo com garantia – O presidente do Banco Central defendeu também o incremento dos empréstimos feitos com garantia para reduzir o custo do crédito no Brasil. Como exemplo, ele citou as hipotecas e o crédito consignado, cuja garantia é o salário de quem toma o empréstimo.

“A queda do custo do crédito depende da universalização das garantias para todos os empréstimos”, afirmou.

Em evento na Câmara Espanhola, Goldfajn disse que o custo do crédito no Brasil está em queda. Segundo ele, os juros para o consumidor final caem em velocidade maior do que a taxa básica de juros (Selic), embora o ritmo atual de redução não seja suficiente para devolver toda a alta acumulada durante a crise.

Inflação – Goldfajn disse ainda que a inflação caminha em direção à meta, devendo chegar aos 4%, 4,2% nos próximos meses.

Ele reconheceu que o BC teve sorte com a desinflação dos preços de alimentos, mas disse que não é recomendável combater choques sobre os quais não há controle.

Goldfajn disse que o cenário externo é benigno, mas que o Brasil não pode contar com isso “perpetuamente” e precisa continuar com os ajustes necessários, em referência à reforma da Previdência.

Assine nossa Newsletter

Receba nossa novidades em primeira mão por email.